(pt) federacion anarquista de rosario: Diante da desmobilização promovida de cima, recuperando a rua independente da classe - Situação OAT-OAC-FAR dezembro de 2020, Argentina (ca, en, it) [traduccion automatica]

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Segunda-Feira, 7 de Dezembro de 2020 - 07:12:42 CET


A partir do anarquismo específico parece oportuno fazer uma análise dos fenômenos 
que se desencadearam neste último trecho de 2020, buscando enfrentar o 
aprofundamento do ajuste neoliberal, construindo um povo forte na resistência. 
---- Em primeiro lugar, podemos assinalar que a nível regional as oscilações 
entre governos de facto (ditaduras parlamentares) e governos democráticos de 
centro-direita - ou "progressistas reformulados" - mostram que a falta de 
garantias que uns apresentam e a labiríntica armadilha institucional representada 
pelos outros , que continua a demonstrar a necessidade de uma autêntica 
organização e luta a partir de baixo, independentemente de classe e fora do 
aparato institucional do Estado.
Na Argentina, o compromisso da Frente de Todos (FdT) em fortalecer a 
institucionalidade gira em torno de colocar "panos quentes" e realizar medidas 
repressivas, a uma situação social que transborda e gera incertezas e 
instabilidade crescente. Na tentativa de acalmar a situação, entrar no labirinto 
institucional e querer alegrar os setores dominantes (inclusive a comitiva do 
FMI), mas acima de tudo buscar certos "acordos" ou implantar medidas que busquem 
um consenso social fictício para desmobilizar os / como abaixo. Lembremos que o 
plano de desmobilização deste setor político liderado por Alberto e Cristina, 
emerge da contundência das ações contra a reforma previdenciária de Macri, já no 
final de 2017, quando a ação direta na rua se evidenciou como única alternativa 
para enfrentar o ajuste neoliberal. De fato, e em decorrência dessa 
desmobilização, o FdT conseguiu implantar medidas de reajuste dos aposentados em 
duas ocasiões, que nada têm a invejar das políticas macristas.

A precariedade crescente do trabalho, os salários baixos por articulações 
precárias ou inexistentes, com o discurso da classe política de que "o 
assalariado é privilegiado", as ocupações de terra produto da falta de renda para 
garantir um lugar para morar e a deterioração geral das condições de vida são 
apenas uma amostra para onde a verdadeira variável de ajuste tem apontado. Nessa 
linha, a questão do acesso à moradia é central, visto que nos últimos tempos se 
aprofundaram as repressões, despejos e ameaças de ocupações de terra, seja pela 
reivindicação histórica de povos indígenas que há anos reivindicam seu direito 
ancestral. (pré-existente ao sangrento estabelecimento do Estado Nacional), bem 
como aquelas fotos urbanas que tornam visíveis as necessidades básicas mais 
essenciais, como ter um telhado. Tudo isso, sem dúvida, colocou em alerta aqueles 
que defendem a propriedade privada e a concentração de terras na Argentina.

Os exemplos são variados. Ao já analisado violento despejo e repressão de 
Guernica, promovido por Kicillof e o fascista Berni, somam-se as réplicas em 
várias províncias. As mais notórias foram as de Río Negro, com FiskeMenuco 
tomando "La esperanza" com base na ocupação de bairros inteiros; ou os de Villa 
Mascardi pelas comunidades Mapuche. Em todo o país, as ocupações crescem a cada 
dia em função da falta de moradia e trabalho genuíno para os setores populares. A 
partir da violenta repressão em Guernica, aprofundou-se um brutal avanço do 
Estado para despejar e reprimir as apreensões de terras em defesa dos interesses 
dos especuladores imobiliários, o que aprofunda o problema da concentração da 
propriedade das terras nas mãos de poucos em o país. Longe de apresentar uma 
solução estrutural imediata para a crise habitacional de milhares de famílias em 
todo o país, o Estado recorre a medidas repressivas e caritativas, buscando 
acordos por quantias irrisórias e com promessas de infraestrutura e planos 
habitacionais que nunca se concretizam. A defesa e o pedido de desculpas da 
propriedade privada e a busca pela criminalização da pobreza levaram a uma 
campanha mais reacionária contra as famílias que lutam por um teto para morar.

Um parágrafo separado merece a má gestão da pandemia pelo governo. E não estamos 
nos referindo ao número geral de infectados e mortos com base no isolamento 
precoce, já que estaria falando ao jornal na segunda-feira. A pandemia, por outro 
lado, revela uma alarmante desigualdade estrutural e um sistema de saúde 
subfinanciado e ultracentralizado na CABA e na província de Buenos Aires, 
deixando as províncias da Patagônia, NOA e NEA, entre outras regiões, à própria 
sorte. A falta de infraestrutura, suprimentos e a extrema precariedade em que 
estão imersos os trabalhadores da saúde destacam a direção política de um governo 
nacional e de governos provinciais que, diante de uma crise de saúde, Condições 
sociais e econômicas sem precedentes têm sido utilizadas para fortalecer o 
aparato repressivo e aprofundar os mecanismos de controle social. É preciso 
destacar aqui a "salvação" que as vacinas representam nesta crise de saúde. 
Embora sejam necessários e urgentes, eles escondem o impulso das empresas 
farmacêuticas transnacionais de continuarem lucrando com a saúde das pessoas em 
todo o mundo. Em nosso país têm o aval do Estado nacional para resguardar seus 
interesses, contra as reivindicações judiciais de que os efeitos secundários do 
mesmo se manifestem no futuro (a nova Lei 27.573, do deputado de Tucumán pelo FdT 
Pablo Yedlin, o permite). Este avanço das empresas farmacêuticas abre as portas 
para que essa proteção legal seja estendida a todos os novos medicamentos, a 
pretexto de desenvolver novos tratamentos e vacinas em um "contexto pandêmico". 
Ou seja, o propósito deste tipo de legislação é garantir lucros no momento 
presente de crise e no futuro, algo que o governo nacional aprovou, confirmando a 
sua defesa do capital contra o interesse do povo.

Outro fato paradigmático na direção do FdT foi o aumento da participação para 
pagar um aumento salarial à polícia de Buenos Aires, ao assassino de Facundo 
Castro e de tantos outros jovens, diante do aperto reacionário dessa força, 
somado ao aumento de verbas do orçamento de 2021 para o financiamento das Forças 
Armadas, que contrasta com o subfinanciamento de uma educação pública que se 
tornou totalmente exclusiva com a virtualização da atividade. Essa é também uma 
das áreas de ajuste, onde a repressão se fortalece, apoiando os interesses de 
grupos econômicos concentrados e pagando aos detentores de títulos. A mudança 
para a virtualidade deixou de fora milhões de alunos que não podem acessar a 
conectividade, enquanto os trabalhadores da educação se encontraram em extrema 
precariedade e flexibilidade de trabalho,

Com discussões de lideranças, mais ou menos veladas, e com o objetivo antecipado 
de reconstruir sua base eleitoral para 2021, o Executivo na reta final do ano 
busca gerar algum consenso com alguns setores que pareciam estar se soltando, 
isso foi para por meio da apresentação de projetos de lei sobre temas 
"prometidos" como "imposto sobre fortunas" e a "Lei do Aborto".

Com o discurso da "palavra penhorada", enquanto a inflação e o desemprego 
continuam subindo sem um vislumbre de teto, assim como a violência sexista, isso 
só mostra que aqui só se comete o nosso futuro.

Entre as propostas que acompanham esse rumo institucional está o novo projeto de 
lei de interrupção voluntária da gravidez apresentado pelo próprio presidente 
Fernández e cujo conteúdo difere daquele apresentado anteriormente nos pontos 
básicos de atenção integral à saúde da gestante. Esta tentativa do governo de 
sinalizar uma iniciativa construída ao longo de décadas de luta e organização do 
movimento feminista, mostra claramente que se está tentando manter o "troféu 
simbólico" de uma batalha, não só que nunca lutou, mas precisamente Não foi 
promovido nas esferas institucionais, mas no seio da luta popular. Do anarquismo 
organizado politicamente, propomos a necessidade de continuar lutando nas ruas

Na mesma linha, o contraponto do "Projeto Mil Dias", que tenta proteger as 
grávidas e crianças em casos de violência familiar ou sexual, tem mais sabor de 
querer cuidar da vulnerabilidade do governo nacional diante das críticas do 
Vaticano - parte integrante da FdT - antes da apresentação simultânea do projeto 
Aborto. Assim, ele tentará, como dizem vulgarmente, "ficar bem com Deus e com o 
Diabo". Porém, apesar de muitos projetos apresentados, os casos de feminicídio e 
violência familiar, evasão escolar e abandono de crianças continuam a aumentar 
dia a dia. mostram apenas o recrudescimento do machismo que atinge os setores 
mais vulneráveis: mulheres, lésbicas, travestis, transexuais e crianças das 
classes oprimidas.

Outro exemplo de retórica distributiva, transformada em ações ou remendos mornos, 
é o tão proclamado "imposto sobre grandes fortunas" que gerou uma contribuição 
única e ridícula aos bilionários, variação que foi melhor recebida pelos setores 
dominantes e que está longe de ser aliviada. a situação econômica do setor 
empobrecido, nem resolver o problema estrutural que sofrem aqueles de nós na 
base. Esta extraordinária contribuição para a grande riqueza implica uma 
miserável esmola que se pede pela única vez a algumas famílias bilionárias, para 
acabar financiando esses mesmos setores com a permissão para a exploração de 
hidrocarbonetos, extrativismo e megamineração. O aprofundamento da matriz 
extrativista promovido pelo kirchnerismo tem sido uma política de Estado, 
enquanto a organização popular resiste a esses empórios de contaminação em 
Mendoza e Chubut; e contra a fumigação das escolas rurais de Santa Fé e o uso de 
agrotóxicos, graças ao ministro Felipe Solá, que mais uma vez reforçou essa 
posição em benefício da Bayer (antiga Monsanto).

O aumento da inflação e do desemprego, juntamente com o endosso obsceno de alguns 
dirigentes sindicais à precariedade do emprego, estão a deteriorar as condições 
materiais de vida e a fragmentar ainda mais o complexo tecido social, reforçando 
os mecanismos de um sistema de dominação que só será travada com uma verdadeira 
ruptura que vem da construção e do avanço de uma cidade forte.

Essa canalização institucional das grandes lutas tem apenas o propósito de 
garantir a governabilidade para regular o ajuste gradual e uniforme que 
transcende os governos, mas segue a linha do empobrecimento e da opressão para 
com os de baixo. Por isso, enfatizamos a necessidade da independência de classe 
em nossas lutas, evitando qualquer acompanhamento a setores da classe política 
que pretendem representar o povo. A história indica que essa saída nunca terminou 
bem e que um projeto emancipatório nunca pode se basear nos interesses de alguns 
/ alguns setores da classe dominante, por mais carismático que seja um líder. 
Nesse sentido, ainda é imprescindível questionar os setores populares que ainda 
acompanham o projeto político do Governo, e apontar que o caminho a seguir deve 
ser na unidade dos setores populares, mas com independência de classe e autonomia 
do povo acima de tudo. Devemos também continuar a desafiar outros setores da 
esquerda, que insistem em ficar presos no "jogo parlamentar", com a apresentação 
de uma pilha de projetos "inoportunos" para um sistema democrático burguês.

  "(...) as possibilidades de construção socialista se fortalecem na proporção da 
participação popular e se enfraquecem se os eventos de rebelião forem concebidos 
exclusivamente de um ponto de vista que tende a mudar as cúpulas dentro da mesma 
estrutura de dominação" (" A estratégia do especificismo "JP Mechoso)

Não se engane, o sistema capitalista está de boa saúde e só se fortalece com o 
panorama aberto da pandemia, que serve de motivo justificativo para um ajuste 
planejado para estes tempos. O modelo neoliberal penetra e avança com a 
disciplina e repressão dos setores mobilizados e o consenso com os setores mais 
institucionalizados do discurso "cidadão" em busca da "governabilidade", ao mesmo 
tempo em que aprofunda planos econômicos de ajuste e precarização da qualidade 
dos setores popular. Mas a resistência popular permanece firme, sem intenção de 
recuar.

Diante desse cenário, a militância do anarquismo específico continua objetivando 
o fortalecimento da ação das pessoas e de suas organizações. Apelamos a todos os 
camaradas que procuram combater as opressões estruturais do sistema, a aderir ao 
nosso projeto político. Devemos construir, contribuir e especificar de forma 
ativa e constante as demandas de cada setor de luta de acordo com o momento, em 
cada sindicato, bairro e organização estudantil. É preciso promover e aprofundar 
a liderança dos de baixo nas lutas populares das ruas, para enfrentar a 
desmobilização e o isolamento, com um horizonte sempre em vista do socialismo e 
da liberdade.

Saúde e energia para os tempos que virão!

Pela construção do Poder Popular!

Anarquia viva!!

Coloque-se e lutando!!

Organização Anarquista de Tucumán - OAT

Organização Anarquista de Córdoba - OAC

Federação Anarquista de Rosário - FAR

http://federacionanarquistaderosario.blogspot.com/2020/12/ante-la-desmovilizacion-impulsada-desde.html


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