(pt) Federação Anarquista Gaúcha - FAG: NOTA EM MEMORIA AOS 11 ANOS DO ASSASSINATO DE ELTON BRUM DA SILVA

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Quinta-Feira, 27 de Agosto de 2020 - 08:21:15 CEST


Nesse dia 21 de agosto de 2020 completam-se 11 anos do assassinato brutal e covarde do trabalhador rural Elton Brum da Silva. O caso ocorreu 
no ano de 2009 na fazenda Southall em São Gabriel fronteira oeste do Rio Grande do Sul numa ação de reintegração de posse de uma área 
improdutiva ocupada por trabalhadores rurais. Fato que nos faz lembra o brutal despejo ocorrido semana passada contra o assentamento Campo 
Grande em Minas Gerais. ---- Foi durante uma violenta reintegração de posse que Elton Brum, enquanto aparava as crianças do acampamento, foi 
alvejado nas costas por um policial militar, que portava uma escopeta calibre 12 com munição letal.
O assinato ocorreu num momento que a luta por reforma agrária contra o latifundio no RS atravessa um período de intensas mobilizações, nos 
levando a crer que o caso foi meticulosamente planejado pelas classes dominantes como a única forma de frear a luta por justiça social e 
redistribuição de terras que vinha ocorrendo. O assassinato de Elton Brum também pode ser localizado junto a outras centenas de violências 
cometidas pela Brigada Militar contra lutadores sociais e a população pobre no então governo estadual de Yeda Crusius/PSDB.

Até agora, a burocracia jurídico militar impede a população de ter acesso transparente ao processo garantindo de firma obscura a impunidade 
do assassino e seus mandantes.

No que toca a família de Elton, embora os familiares venceram o processo na justiça civil, nunca receberam indenização e encontram-se, 11 
anos depois, desassistidos, revelando o total descaso da justiça burguesa para com os trabalhadores.

Nesses 11 anos, as mudanças de conjuntura ocorridas nos levam a perceber os duros golpes recebidos pelo movimento popular no RS, sobretudo o 
movimento campesino. Depois de longos anos das gestões lulistas no país, os movimentos que lutavam por reforma agrária passaram a ser 
agentes de políticas governamentais. Enfraquecidos de forma visível, deixaram de compor a luta direta e colaborando no período com o Estado. 
O enfraquecimento foi tal que, durante o golpe dos antigos aliados ao governo petista, o movimento camponês ficou de mero espectador sem 
esboçar reação.

Nos últimos anos, da aplicação de um Estado Policial de Ajuste de Temer até a vitoria eleitoral do bolsonarismo, seguimos vendo o movimento 
numa certa apatia, mesmo com o desmonte de políticas públicas e a liquidação do INCRA, dirigidos pela social-democracia crente que tudo pode 
se realinhar através de eleições, numa hipotética vitória eleitoral dos setores ditos progressista, quando toda a experiência anterior 
demonstra justo o contrário.
Exigir justiça, trazer viva a memória de Elton Brum para nós, anarquistas da FAG/CAB, é uma forma a mais de recolocar a luta pela 
terra/território na ordem do dia. Articulando com as lutas gerais dos pobres e oprimidos desse país, em defesa de vida digna para o nosso 
povo. No Rio Grande do Sul, algumas iniciativas recentes com produção de alimentos e defesa territorial vem demonstrando um caminho a se 
percorrer para concretamente reorganizar a luta pela terra e fazer frente contra o latifúndio e contra a monocultura produtora de 
commodities. Reforçarmos a chamada para que organismos de base urbanos e rurais conheçam a Campanha de Luta Por Vida Digna. Com ela, 
acreditamos ser possível fazer uma decidida caminhada coletiva para resolver com luta direta e mobilização nossos problemas enquanto povo.

*ELTON BRUM VIVE!*
*FORTALECER AS LUTAS DOS POBRES DO CAMPO POR JUSTIÇA, TERRITÓRIO E VIDA DIGNA!*

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