(pt) [Espanha] "Construir uma organização baseada na democracia direta é o grande desafio" By A.N.A.

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Quinta-Feira, 6 de Agosto de 2020 - 08:12:49 CEST


Entrevista | Ana Monjo Omedes | Escritora e editora do Icaria | Do jornal CNT N° 423 ---- Ela é doutora em História Contemporânea pela 
Universidade de Barcelona, Autora de Militantes, Democracia e participação da CNT nos anos trinta, trabalho que foi traduzido para o 
espanhol pela companheira Sonia Turón / Publicado pela editora sem fins lucrativos 17delicias.org ---- No prólogo do livro você dedica "À 
militância, trabalhadoras e trabalhadores, que me ajudaram a entender este difícil e ao mesmo tempo excitante período do nosso passado". Um 
número infinito de entrevistas com nossos camaradas mais antigos, quase todos desaparecidos hoje. Como foi esse trabalho de campo e o que 
ele significou para seu estudo?
Gostei da boa recepção que recebi dos militantes, da confiança que depositaram em mim, explicando suas experiências pessoais. E, ao mesmo 
tempo, fiquei surpresa com a inteligência e a posição crítica diante de suas experiências, o que denota uma atitude reflexiva que não 
desiste diante da derrota ou do fracasso da organização, mas que tira consequências e esperanças de alcançar uma transformação 
revolucionária no presente e no futuro.

Pergunta > O que tornou possível, nos anos 30, que um nutrido grupo de militantes se dedicasse quase em tempo integral à sua organização?

Resposta < A vontade pessoal e a firme convicção de que era possível transformar a sociedade e criar uma realidade justa, igualitária e 
democrática. E subjacente a esta atitude estava uma percepção profunda da capacidade da humanidade de cooperar com os outros em benefício de 
toda a população, da capacidade das pessoas de governar a si mesmas sem explorar os outros.

P. > Como foi a militância sindical em relação a outros aspectos da sociedade?

R. < Os e as militantes fizeram parte de um movimento que foi muito além da esfera sindical, o movimento libertário que respondeu a 
diferentes áreas da vida social, constituindo uma cultura de trabalho libertária, da qual os trabalhadores se orgulhavam e com a qual se 
identificavam: participaram da vida do bairro, dos Ateneus e de encontros em diferentes atividades recreativas e culturais, viveram com seus 
vizinhos criando comunidades e pertencendo a uma forma de conceber a sociedade.

P. > Como você sabe, o livro de Militantes está tendo uma recepção magnífica entre os leitores de nosso jornal. Como você avalia a boa 
recepção que o livro está tendo em sua versão em espanhol?

R.< Com grande alegria, sobretudo porque minha pesquisa tentou capturar o que realmente aconteceu e em que medida a desejada democracia 
direta e autogestão foi alcançada. A avaliação dos leitores mostra seu interesse em saber, evitando visões preconcebidas. A realidade é 
sempre revolucionária porque nos permite corrigir e transformar.

P. > Por que você acha que o atual militante da CNT espera encontrar nas páginas deste livro algumas respostas para sua compreensão do 
sindicato hoje quase 90 anos depois?

A. < Creio que este estudo atende a uma grande questão, ainda válida e sem resposta: que obstáculos existem quando se quer construir uma 
organização baseada na democracia direta e uma relação de igual para igual. E por que a militância, que detém estes objetivos, gera, no 
entanto, uma estrutura que reproduz relações de poder que subordinam a maioria. O que dificulta a plena participação da maioria nas 
decisões. Estas dificuldades e limites para alcançar uma organização verdadeiramente participativa constituem um enorme desafio diante das 
demandas da sociedade.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/construir-una-organizacion-basada-en-la-democracia-directa-es-el-gran-reto/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana


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