(pt) luta fob: FOI TRISTE VER A COLAGEM DA PSP DE MAGINA AO TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

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Sexta-Feira, 24 de Abril de 2020 - 08:29:12 CEST


Desde que foi decretado o estado de emergência, a pedido de Marcelo e com o apoio da Assembleia da República - uma medida considerada 
desnecessária em muitos países vitimas da pandemia, onde as medidas de contenção foram também respeitadas - , se há força policial cuja 
direção não tem hesitado em pôr em prática todos meios de marketing e relações públicas para se "colar" à situação de emergência sanitária e 
ao momento delicado do ponto de vista social que atravessamos, essa força é a PSP. ---- Dirigida desde o início do ano por Manuel Magina, um 
oficial cujas conhecidas posições autoritárias se aliam ao profundo conhecimento das matérias ligadas à informação e às relações públicas, 
tendo antes desempenhado funções no Grupo de Trabalho Técnico para Grandes Eventos e Informação relacionada com Terrorismo, de âmbito 
internacional, a PSP tem ensaiado, por diversas vezes, campanhas de "refrescamento" e renovação da imagem, tentando dar a ideia de que é uma 
força plenamente integrada na sociedade e defendendo os mais fracos.

A coberto da crise da Covid 19, o novo comandante tem tentado convencer a opinião pública de que a polícia, tal como os profissionais de 
saúde,  está na linha da frente contra a pandemia, branqueando toda a ação repressiva e de violação dos direitos humanos em que esta força 
policial tem sido fértil, nomeadamente com a ascensão de sectores da extrema-direita no seu seio.

O último acto desta "operação de charme" foi a organização ontem daquilo a que os próprios chamaram de "homenagem das forças de segurança 
aos profissionais de saúde", em que utilizaram abundantes meios e recursos para se concentrarem frente a diversos hospitais por todo o país. 
Magina lá esteve , bem fotografado e filmado, no centro duma dessas manifestações, com o inenarrável ministro Cabrita ao lado.

"Furando" o estado de emergência e as regras do confinamento social (que obrigam a que os grupos na rua não tenham mais de 5 pessoas e que 
só se possam deslocar para os fins descritos na lei - compra de alimentação, cuidados médicos, etc.) Magina e "sus muchachos" quiseram dar a 
ideia - mentirosa - de que policia e profissionais de saúde estão todos no mesmo barco.

Mais uma pura estratégia de marketing que pretende passar a imagem duma polícia "amiga do cidadão", mas ao mesmo tempo autoritária e de "mão 
pesada" como já indicava o cartaz daquela polícia divulgado no início da crise e que anunciava que a partir daquela data, com os cidadãos em 
casa, a rua era da polícia.

Nesta linha, tem sido também a actuação da PSP ao longo desta crise, nomeadamente na montagem de operações meramente mediáticas, para dar a 
ideia de força e presença musculada na sociedade, como têm sido as operações stop à saída de Lisboa ou de outras cidades em que obrigando, 
sem qualquer razão, todos os automobilistas a pararem causam filas de quilómetros, criando a falsa ilusão, para alguns, de segurança. Ou a 
colocação em locais estratégicos de carros da polícia apenas para serem "vistos", criando a ideia de que a polícia tem mil olhos e está por 
todo o lado, vigiando os passos de cada cidadão.

A actuação da PSP nesta crise é um dos elementos mais visíveis da construção de um discurso e de uma realidade em que os valores falsamente 
securitários estão a ser colocados à frente dos valores básicos da liberdade e da autonomia individual e colectiva, tentando afirmar as 
forças repressivas como elementos estruturantes da sociedade - daí esta colagem aos profissionais de saúde que, esses sim, nesta pandemia 
estão na linha da frente e correm, com os trabalhadores dos lares e de outros sectores, os maiores riscos.

Para as ditas forças de segurança fica o "espectáculo" encenado por quem as dirige.

António Batalha

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2020/04/18/foi-triste-ver-a-colagem-da-psp-de-magina-ao-trabalho-dos-profissionais-de-saude/


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