(pt) Movimento de Organização de Base (MOB): De forma cínica e criminosa, Bolsonaro atrasa e tenta barrar auxílios de renda para a população

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Quarta-Feira, 22 de Abril de 2020 - 08:27:35 CEST


Depois de 48 horas de aprovação pelo Congresso e já encaminhado para a avaliação do Presidente da República, Bolsonaro enfim sancionou o PL 
1.066/2020, que define o direito a um auxílio emergencial de entre R$600,00 e R$1.200,00 a trabalhadores informais e desempregados de baixa 
renda. O texto, contudo, foi aprovado com o veto à proposta de ampliação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), esta que já vem sendo 
objeto de disputas entre o Congresso e a presidência. ---- Não obstante o valor ínfimo aprovado para o auxílio emergencial (isto porque a 
proposta inicial do governo eram de míseros R$200,00), com o qual muito dificilmente será o bastante para que as famílias dos trabalhadores 
precarizados conseguiram viver sem passar dificuldades, o presidente Bolsonaro segue atrasando a concretização do auxílio. Fruto das 
exigências populares desde o começo da pandemia e já aprovado pelo Legislativo, o Projeto de Lei terá agora de retornar ao Congresso, o que 
pode vir a atrasar ainda mais a liberação do auxílio. Segundo o próprio Presidente, o início dos pagamentos está previsto para apenas dia 16 
de abril, daqui a 2 semanas, e apenas a alguns beneficiários.

O veto à lei, por parte de Paulo Guedes e sua gangue, não é menos irresponsável. O BPC é um benefício concedido a idosos e pessoas com 
deficiência de famílias consideradas em extrema pobreza, cuja renda per capita não passa de R$261,21. A proposta de expansão do benefício é 
que a renda per capita máxima passe a ser de R$522,50 e já havia sido aprovada pelo Legislativo, vetada pelo Presidente, cujo veto fora 
derrubado de novo pelo Congresso no início de Março, mas o projeto foi logo em seguida suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sob o 
argumento de "carência de recursos". Dias depois, já no cenário agravado da pandemia, o TCU voltou atrás e decidiu em prol da expansão do 
Benefício, sob o argumento de que o cenário do Coronavírus exigia uma flexibilização fiscal e que seria cabível a inclusão de novos 
beneficiários ao BPC. A proposta então foi incluída junto com o projeto de auxílio para desempregados, mas a sanha austericida de Paulo 
Guedes, representada pelo veto presidencial, não permitiu que o benefício avançasse, deixando milhões de famílias passarem pela pandemia com 
menos de R$500,00 por pessoa, incluindo nisso idosos e deficientes.

O argumento orçamentário é absolutamente inválido tendo em vista que o Congresso já aprovou a declaração de Estado de Calamidade Pública, em 
que ficam flexibilizadas as responsabilidades orçamentárias do Executivo tendo em mente o cenário de pandemia. Além disso, recentemente o 
Supremo Tribunal Federal também decidiu pela suspensão de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias, justamente também no sentido da flexibilização fiscal frente à atuação do Presidente.

Mostra-se cada vez mais claro que a intenção de Bolsonaro é sufocar ao máximo a população mais vulnerável com o cenário da pandemia, no 
intuito de avançar o seu delírio genocida de que o Coronavírus não pode impedir a economia de funcionar normalmente, mesmo que o custo seja 
de milhares - ou talvez mesmo milhões - de mortos. Isso fica mais do que claro em seu último discurso, em que é feito um apelo aos 
trabalhadores informais e precarizados que podem estar passando necessidades frente a este cenário, recheado de hipocrisia tendo em vista 
que suas últimas ações têm se dado completamente à contramão dos interesses de tais pessoas, que urgentemente necessitam de auxílios como o 
auxílio emergencial e o BPC.

Faz-se mais do que necessário lutar não só para que não avance o genocídio iminente em um suposto isolamento "vertical" frente à pandemia, 
defendido por Bolsonaro e seus braços mais fiéis dentro da escória das Forças Armadas; mas também que as pessoas mais vulnerabilizadas 
social e economicamente com a crise possuam condições de sobrevivência, tanto frente à doença, por falta de condições básicas de saneamento; 
quanto frente ao desemprego e à miséria. O povo deve ao máximo promover a solidariedade entre si, por meio de fundos de arrecadação, 
propagação de informação e outras iniciativas; assim como pressionar o poder público pela assistência que nos é de direito!

Apoio mútuo e auto-organização do povo!

Assistência aos trabalhadores informais e desempregados!

Contra os ataques aos direitos dos trabalhadores!

Publicado originalmente em 03/04/2020 no site 
http://reporterpopular.com.br/de-forma-cinica-e-criminosa-bolsonaro-atrasa-e-tenta-barrar-auxilios-de-renda-para-a-populacao/

https://organizacaodebase.wordpress.com/2020/04/13/de-forma-cinica-e-criminosa-bolsonaro-atrasa-e-tenta-barrar-auxilios-de-renda-para-a-populacao/


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