(pt) [Espanha] Ante a crise sanitária e a deriva autoritária do Estado (ca, en) By A.N.A.

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Segunda-Feira, 13 de Abril de 2020 - 08:21:24 CEST


Desde princípios do ano na Europa e em outras partes do mundo nos enfrentamos a uma aguda crise social por causa do vírus da COVID-19 e a 
infecção que provoca, a denominada "enfermidade por coronavírus", como é conhecida comumente. ---- Na Espanha, esta crise se agudizou por 
causa de tantos anos de privatizações e do desmantelamento da saúde pública e de outros serviços essenciais pelas mãos dos partidos 
políticos que estiveram no poder tanto no Estado central como nos diversos governos regionais, legislando em favor dos interesses 
empresariais. Isto trouxe graves consequências à raiz da crise social na qual estamos imersos: a falta de pessoal e de recursos para fazer 
frente com êxito à pandemia. Em todo este processo de desmantelamento, existe uma ideologia neoliberal e, portanto, classista. Com o 
desmantelamento da saúde pública se beneficiou a saúde privada, a qual põe constantes limites e reticências na hora de colaborar com 
recursos e infraestruturas na gestão da crise. Desde alguns governos como o da Comunidade de Madrid está se realizando o fechamento 
sistemático de diversos centros de atenção primária, deixando milhares de pessoas sem o acesso à atenção sanitária mais básica.

A falta de recursos e de dinheiro conseguiu que prime uma perspectiva classista na hora de administrar e fazer os exames pertinentes contra 
o vírus. Assim, enquanto nos vendem que tal ou qual político ou empresário tem ou não o vírus, aos trabalhadores nos negaram a possibilidade 
de conhecer se estamos infectados ou não. Até semanas depois da declaração do estado de alerta por parte do Governo, em muitas empresas os 
trabalhadores nos encontramos com a falta de equipamentos de proteção individual (EPI), superlotação nos centros de trabalho e falta de 
planos nas empresas para garantir a segurança e a saúde. Isto, claro, tem consequências. Os trabalhadores e nossos entes queridos somos os 
mais vulneráveis na hora de enfrentarmos o vírus. Esta vulnerabilidade aumenta: sem dúvida quanto maior for a precariedade laboral, maior é 
o risco de exclusão, e maior é a falta de recursos na hora de enfrentarmos a crise social. A segurança e a saúde, nossas e de nossos entes 
queridos não esteve garantida em nenhum momento.

A nível social a falta de dispositivos sanitários e de outro tipo de pessoal de emergências levou à incapacidade do Estado de cobrir as 
necessidades das pessoas. Isto supôs o corte drástico de direitos e liberdades, e se agudizou mais, se é possível, o autoritarismo por parte 
do aparato coercitivo do Estado (exército e polícia) e o exercício da repressão e do medo. Através da "Lei Mordaça" se impôs em 12 dias o 
triplo de sanções administrativas do que as que se impuseram na Itália em um mês. Na internet há diversos vídeos e testemunhos que 
documentam abusos de poder. Inclusive alguns setores dentro da polícia denunciaram o "macarrismo" e o descontrole que existe em sua 
instituição. Ademais, desde diversos meios de comunicação se promovem e se normalizam os abusos de poder, o exercício de controle social e o 
linchamento vicinal nos bairros, sempre contra os coletivos mais vulneráveis. Esta normalização do autoritarismo e a coerção, os chamados 
das instituições à unidade nacional, a linguagem belicista, a exaltação nacionalista e a presença e midiatização do exército, tristemente 
nos aproximam a esse obscuro passado ditatorial recente que parece que muitas pessoas se negam a superar.

Esta crise social só poderemos superar tecendo e praticando redes de solidariedade e apoio mútuo em nosso dia a dia. É algo intrínseco ao 
ser humano a necessidade de nos associarmos tanto para apoiar as pessoas que mais o necessitam, como para defender nossos interesses como 
trabalhadores. É necessário apoiar a população mais vulnerável, superando por diversas vias o sentimento de solidão e incerteza que implica 
o confinamento em nossas casas, o isolamento e o medo. Apoiando nossos vizinhos que mais necessitam e nossos companheiros de trabalho, tanto 
naquelas circunstâncias nas quais estejamos obrigados a ir trabalhar, como fora do âmbito laboral.

A organização entre iguais e a prática da solidariedade vão ser necessárias para combater a crise posterior que virá quando se supere a 
pandemia. Só organizados poderemos resistir à ofensiva da patronal para cortar direitos laborais com a desculpa de minimizar perdas 
econômicas, e superar o medo dos cortes de direitos e liberdades por parte do Estado para seguir consolidando sua hegemonia.

Pela anarquia.

Federação Anarquista Ibérica - FAI

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana


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