(pt) federacao autonoma FAT: MAIS UM ATAQUE AO TRABALHADOR: GOVERNO BOLSONARO PRETENDE APROVAR A VOLTA DA CPMF

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Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019 - 07:42:48 CEST


Se você não possui casa própria, meio de locomoção ou sequer um bom salário para garantir 
o básico para sua sobrevivência e de sua família, deve pagar a mesma porcentagem em 
imposto que um ricaço no conforto de sua mansão, jatinho particular e patrimônio 
exorbitante. ---- Essa é a lógica da nova proposta apresentada pelo Ministério da Economia 
de Jair Bolsonaro. Mesmo sem o aval do presidente, para resolver o problema da alta taxa 
de desemprego, o atual governo estuda reduzir em 10% os impostos que incidem sobre a folha 
de pagamento e estabelecer um tributo nos moldes da antiga CPMF. ---- Essa mesma ideia que 
surgiu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso com a desculpa de usar a verba 
arrecadada para construir hospitais, aparece agora sustentada pelo discurso de combater o 
desemprego na medida que alivia o setor patronal do pagamento da contribuição para a 
previdência. Isso significa, em números, uma perda de cerca de 200 bilhões por ano.

A intenção da equipe econômica é que esse rombo seja coberto através da criação de um novo 
tributo de 0,22% sobre transações financeiras, o mesmo percentual para todo mundo, não 
importando a classe econômica.

Entretanto, especialistas apontam que com essa medida, o governo não conseguirá arrecadar 
nem 44% desses bilhões que saem do bolso dos empregadores para pagar as aposentadorias.

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A essa altura você já deve ter entendido que quem vai pagar essa conta somos nós, 
trabalhadores. Na prática, a ideia acaba se tornando um tiro pela culatra, já que sabemos 
que o povo tende a evitar as transações financeiras para não pagar impostos.

Quando isso acontece, as receitas caem e os governos passam então a cogitar o aumento do 
tributo para compensar a baixa. Isso significa que arcaremos cada vez mais com esses 
custos que deveriam continuar sendo dos patrões.

De acordo com Paulo Guedes, ministro da Economia, a desoneração da folha de pagamento vai 
gerar milhões de empregos. De fato, quando o patrão precisa gastar menos para manter um 
empregado, sobra mais lucro para que possa contratar outros.
Mas não é esse o resultado que essas políticas tem oferecido.

Estudos e cálculos da Receita Federal mostram que a experiência brasileira já não foi 
bem-sucedida. Pesquisadores do Ipea - entre eles Adolfo Sachsida, hoje secretário de 
Política Econômica do Ministério da Economia - constatou que a desoneração da folha feita 
pelo governo Dilma não cumpriu o objetivo de geração de empregos formais em nenhum dos 
cenários analisados. Segundo o estudo, no período anterior à lei de desoneração 
(2009-2011), a média de emprego nas empresas antes de serem beneficiadas pela desoneração 
era de 32,72 funcionários. Depois, com a desoneração, no período de 2012 a 2015, a média 
de emprego ficou em 32,77. Uma variação mínima para um problema tão grande.

Se ainda somarmos essa medida a outras dessa cúpula de poderosos que domina o cenário 
político há décadas, como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, por exemplo, 
visualizamos como isso se dará na realidade: com menos custos e menos exigências para 
cumprir, as oportunidades de emprego serão enxutas de direitos e e fartas de condições 
precárias. Baixos salários, grandes cargas horárias, condições aceleradoras do desgaste 
físico e mental dos nossos corpos vistos apenas como força de trabalho. Enquanto as 
empresas são beneficiadas com políticas que se preocupam com a sua sobrevivência, o 
trabalhador só perde. Direitos, saúde, qualidade de vida. Continuarão nos enxergando como 
máquinas sempre a disposição e subordinação desse sistema.

Não é justo que o custo desses problemas seja sempre jogado nas costas do trabalhador 
pobre e marginalizado, como se fosse ou pudesse ser tão responsável por eles quanto os 
ricos. Fazer com que salvemos esse sistema econômico que fabrica suas próprias crises é a 
ideia dos poderosos que nos obriga agora a trabalhar sem perspectiva de aposentar, até a 
morte. As atuais políticas públicas não têm contribuído para uma melhoria de vida da 
maioria da população, mas apenas no arrocho de sua realidade já tão miserável. Não podemos 
aceitar que a história do nosso país seja escrita por políticos que nos matam para que o 
capitalismo continue vivo. Precisamos quebrar as correntes que nos paralisam. Se organize 
em seu local de trabalho e lute contra essa série de medidas que impedem que você viva de 
forma digna. Que o nosso interesse como classe esteja acima dos privilégios da burguesia.

PELA EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA! SÓ A LUTA MUDA!

https://federacaoautonoma.wordpress.com/2019/09/05/mais-um-ataque-ao-trabalhador-governo-bolsonaro-pretende-aprovar-a-volta-da-cpmf/


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