(pt) Nota da CAB ao mês da Visibilidade Lésbica (en, it)

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Terça-Feira, 3 de Setembro de 2019 - 07:06:47 CEST


Atualmente, no Brasil, uma pessoa LGBT é assassinada a cada 16 horas, em distintas 
circunstâncias e sem precisão de dados. Na maioria das vezes, corpos negros e periféricos 
compõem as principais vítimas. Também diariamente, essas pessoas são agredidas verbal, 
psicológica e simbolicamente. Expulsas de casa, levadas à rituais de exorcismo, ou a 
prostituição precoce. Forçadas, a assumirem compulsoriamente uma heterossexualidade que 
não puderam questionar. Tendo a humanidade negada, com poucos referenciais de uma vida 
plena e com dignidade. ---- Em razão dessa realidade, o cisheterossexismo não pode mais 
ser ignorado em sua condição ideológica da qual o Estado é dependente e dele emanam 
tecnologias de engenharia social. Por trás da eliminação da cidadania plena dos sujeitos, 
se estende desde um controle dos direitos reprodutivos, até a captura das pautas pelas 
armadilhas capitalistas dos direitos individuais (casamento, a adoção e herança), 
retribuídas com "arejamento" à democracia, às custas de disciplina e docilidade dos 
corpos. As identidades refletidas devem, então, levar em conta tanto a relevância da 
classe social, quanto da raça, do gênero e da sexualidade, na formulação de identidades 
imbricadas (Combahee River Collective, 1979) e denunciar que a norma binária e 
heterossexual faz parte intrínseca do Estado. Deste modo, não mais serem restritas às 
chamadas "pautas identitárias", mas integrarem o compromisso militante, de serem 
reconhecidas na diversidade dos sujeitos e na luta ombro a ombro. Escurecendo tabus, 
pensando estratégias, exercitando a escuta e compartilhando relatos. Em defesa de uma 
educação emancipadora de gênero e sexualidade como parte fundamental no combate à 
violência LGBTfóbica.

Com essa intenção, nos integramos e saudamos as construções Brasil afora do Agosto da 
Visibilidade Lésbica e, mais especialmente, da 6ª Jornada Lésbica Feminista e 
Antirracista. No mês que celebra a realização do primeiro SENALESBI, como a Revolta 
histórica do Ferro's Bar, direcionar a atenção e evidência à arte, literatura, cinema, 
saúde, representações e história lésbicas damos importância à resistência psicológica e 
física, através da solidariedade, por tempos difíceis. É tempo de lutar contra toda 
discriminação e preconceito! De lutar contra o avanço conservador e de defender o direito 
à existência plena de todos os corpos.

Sem esquecer do luto convertido em luta por Luana Barbosa, Iasmym Nascimento de Souza da 
Silva e Juliana Dantas Monteiro. Com sede de justiça, reorientamos nossos passos e juntas 
e juntos no compromisso.

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2019/08/30/nota-da-cab-ao-mes-da-visibilidade-lesbica/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt