(pt) [Grécia] Exarchia: o Estado e os fascistas de mãos dadas contra anarquistas e imigrantes By A.N.A.

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Segunda-Feira, 2 de Setembro de 2019 - 10:36:33 CEST


Enquanto o ataque ao bairro rebelde e solidário de Atenas acaba de começar na 
segunda-feira (26/08), as máscaras caem! ---- Sim, você leu corretamente: entre outros, 
são policiais[foto]usando distintivos fascistas que iniciaram a "limpeza de Exarchia". Não 
escondiam sua pertença e não deixavam de ser zelosos. ---- Enquanto o[partido]Aurora 
Dourada está desaparecendo, derrotado nas ruas por grupos antifascistas, suas instalações 
fecham uma após outra, sua sede principal estará à venda em breve, seu bairro favorito foi 
abandonado e as demissões de seus líderes chovendo desde a perda de todos os seus assentos 
no parlamento, algo ainda permite que os neonazis se alegrem: o ataque do Estado grego 
contra o bairro libertário e antifascista, onde muitos imigrantes vivem livremente.

Esta é uma verdadeira vingança para os neonazis gregos, alguns dos quais trabalham na 
força policial e às vezes se reconhecem através de sinais que se referem diretamente à 
mitologia do Aurora Dourada. É um momento excepcional para participarem do ataque ao 
bastião antiautoritário de Atenas.

Na Internet, a fachosfera está animada em "ver Exarchia desaparecer". Muitos desenhos 
sugestivos mostram fascistas destruindo símbolos anarquistas ou jogando refugiados em 
acampamentos.

A narrativa do ataque de ontem na mídia está completamente distorcida, como se poderia 
esperar. Falam de "tratamento humano" e até delicadeza. Nem a pau! Violência e destruição 
foram usadas e temos evidências.

Vários refugiados foram sacudidos e insultados, até uma menina foi brutalmente empurrada 
pela polícia a ponto de ter um dente quebrado, como confirmaram membros da okupa Spirou 
Trikoupi 17.

Muitos objetos foram destruídos e jogados fora, incluindo lembranças de grande importância 
para nós. Cadeiras foram quebradas antes de serem jogadas no caminhão de lixo e até 
pacotes de fraldas foram vistos misturados nas latas de lixo.

Durante sua campanha, Mitsotakis alegou atacar terroristas. Na realidade, só atacou 
pacotes de Pampers (muitos pacotes de fraldas e outros suprimentos para crianças que os 
membros de comboios anteriores conhecem bem). Mitsotakis afirmou que nossas okupas serviam 
de esconderijo para o tráfico de drogas. Ele apenas encontrou brinquedos e alguns doces.

Na verdade, foi ele que aterrorizou crianças chorando e mulheres que lutaram por sua 
emancipação.

Enquanto isso, testemunhas escutaram muitos dos que estavam recolhendo que riam a 
gargalhadas em volta dos caminhões de lixo, que confirmaram claramente a extensão do 
racismo com as pessoas que vieram para "emigrar".

Vendo o bairro acordando e mais militantes se aproximando, a polícia antiterrorista enviou 
pela segunda vez para repelir um possível contra-ataque, com armas automáticas nas mãos. 
Vários desses homens encapuzados e armados debochavam em voz alta:  - Então, cadê os antifas?

Durante as notícias do meio-dia, a mídia a serviço do poder se entregou ao conteúdo de seu 
coração, insistindo na vingança do Estado contra aqueles que vivem como cães, "o retorno 
da ordem e da lei" (nome dado à operação pelo próprio Mitsotakis). Várias agências de 
notícias e sites intitularam: "a polícia (EL.AS) entrou em Exarchia para ficar lá".

Em outras palavras: a polícia está tentando ocupar Exarchia. Outras notícias da televisão, 
como na ERT, mais uma vez enfatizou a presença de estrangeiros da Europa Ocidental e, em 
particular, franceses entre os solidários, mencionando que um dos três militantes presos 
na okupa Kalidromiou é francês.

Outros ainda mostraram fotos tiradas dentro da Spirou Trikoupi 17, evocando condições de 
vida supostamente indignas. Veja a foto desse lugar e me diga com franqueza: é melhor 
viver assim, livremente, com respeito e igualdade, ou em uma barraca (ou em um contêiner), 
em um acampamento fechado?

A partir das 18 horas de ontem, os ativistas de Exarchia se reuniram no entorno da okupa 
Notara 26 para mostrar seu apoio, sob a faixa NO PASARÁN e os novos cartazes.

Em seguida, uma manifestação improvisada em direção à praça central do bairro, atraindo 
cada mais e mais pessoas ao redor. Mais de 1000 pessoas no total, apesar da forte queda da 
população do bairro em agosto (como em qualquer outro lugar em Atenas). E finalmente, 
alguns companheiros conseguiram colocar uma faixa "Não podem desalojar um movimento" na 
fachada da Spirou Trikoupi 17, cercada como a okupa vizinha Transito no número 15.

Durante a noite, várias ações de represália foram realizadas em vários lugares na Grécia, 
por exemplo, na nova sede da Nova Democracia (o partido de Mitsotakis) em Patras, tinta 
vermelha e uma frase: "Abaixo a repressão, não toquem nas okupas! NO PASARÁN! NO PASARÁN!".

Simultaneamente, na França, faixas de apoio à Exarchia foram colocadas em várias cidades, 
incluindo La Réole, perto de Bordeaux.

Na manhã seguinte, faixas foram colocadas em várias cidades: Fougères, Madrid, Roma, 
Berlim, Viena, Chicago, Saillans na movimentada floresta de Osterholz em Wuppertal, 
Alemanha, sem mencionar dezenas de fotos de apoio enviadas espontaneamente por muitos 
companheiros de luta, às vezes com seus filhos.

Em Atenas e em outras partes da Grécia, as reuniões se multiplicaram apesar do mês de 
agosto e há cada vez mais pessoas. Ações estão sendo preparadas mesmo em algumas cidades 
distantes. Em Atenas, um grande encontro acontecerá em Exarchia neste sábado ao meio-dia. 
E uma grande manifestação acontecerá no dia 14 de setembro, provavelmente com muita gente.

O governo quer retirar os anarquistas e outros revolucionários do bairro? Terá muito o que 
fazer, porque Exarchia também há o Rouvikonas e outros grupos menos conhecidos, mas 
determinados a não deixar isso acontecer. E há especialmente outros rebeldes em outros 
setores que não concordam com esse capricho do príncipe.

Estado e fascistas querem expulsar os imigrantes? Também poderia ser complicado: as 
chegadas na costa leste do mar Egeu são tão numerosas que não vemos isso desde 2016. Além 
do poder, sabe-se porque acabou de se amontoar 21.000 imigrantes nas ilhas do mar Egeu, 
incluindo 9.300 no sombrio campo de Moria (Lesbos), onde vários refugiados morreram por 
causa de maus-tratos nos últimos meses.

Pior ainda, o Estado colocou 600 menores imigrantes isolados em um acampamento especial de 
150 lugares na ilha de Lesbos. As condições de vida são tão duras neste acampamento 
fechado e apertado que se costumam acontecer brigas. Numa delas, no domingo, viu a morte 
de um adolescente afegão. Ele queria escapar do horror de seu país de nascimento e 
finalmente morreu aos 15 anos em um campo de concentração desenhado pela União Europeia na 
Grécia (lembramos das estadias de Bernard Cazeneuve e seus funcionários e técnicos em 
Lesbos em 2016).

O fascismo não está morto com o desaparecimento do Aurora Dourada. Está bem vivo. E 
decidido a se vingar, na Grécia, contra o surgimento das utopias antiautoritárias nos 
últimos anos e a recepção exemplar de refugiados pelo movimento social muito melhor do que 
pelo Estado.

É, portanto, muito mais que um desalojo de um único bairro na Europa que ameaça acontecer, 
também a confrontação de duas visões diametralmente opostas do mundo.

NO PASARÁN!

Yannis Youlountas

Fonte: http://blogyy.net/2019/08/28/exarcheia-letat-et-les-fascistes-main-dans-la-main/

Tradução > keka


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