(pt) FAT (FEDERAÇÃO AUTÔNOMA DOS TRABALHADORES): Protestos marcam o fim de semana no Brasil e no mundo.

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Domingo, 1 de Setembro de 2019 - 07:10:25 CEST


O último final de semana contou com diversos protestos no Brasil e no mundo. ---- 
Internacionalmente, houveram protestos durante a reunião da cúpula do G7 em Biarritz na 
França, principalmente na cidade vizinha Bayonne, durante este último sábado (24/08/2019). 
Alguns dos manifestantes jogaram garrafas, pedras, sinalizadores e outros objetos contra a 
polícia, que respondeu primeiro com gás lacrimogêneo e depois com jatos d'água. Segundo a 
imprensa local, 68 pessoas foram detidas pela polícia, e 38 ainda estão sob custódia 
(Fonte: ANA). Também houve protesto no Bryant Park, em Manhattan, Nova Iorque, reunindo 
cerca de 200 pessoas em defesa da Amazônia. ---- Foto: Tyrone Siu / REUTERS 28-7-19 ---- 
Em Hong Kong, região semiautônoma da China, no domingo (25/08/2019), a polícia fez 
disparos com armas de fogo como forma de advertência e lançou jatos d'água, justificando a 
ação devido aos manifestantes serem "muito violentos" (Fonte: G1). São mais de dois meses 
de protestos na região contra a interferência da China na política local.

Nacionalmente, ocorream no último sábado diversos protestos em defesa da Amazônia e no 
domingo houveram protestos em várias cidades do Brasil contra o projeto de lei sobre o 
abuso de autoridade, em defesa do procurador Deltan Dallagnol e do ministro Sérgio Moro, 
da Operação Lava Jato e do presidente Jair Bolsonaro. Na 47ª edição do Festival de cinema 
de Gramado, que ocorreu também neste último domingo, houve um protesto de artistas contra 
a "censura" que o governo quer promover em relação à verba destinada aos filmes LGBT's. 
Eles foram agredidos com pedras de gelo e demais materiais que foram atirados pelo público.

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Uma análise geral dos protestos

As disputas políticas locais e internacionais interferem na dinâmica das manifestações. O 
G7 se reuniu para discutir, entre outros assuntos, a questão da Amazônia e da guerra 
comercial entre China e Estados Unidos. A postura agressiva inicial do presidente da 
França Emmanuel Macron foi substituída por uma postura mais conciliatória com o governo 
brasileiro em relação às queimadas da Amazônia. Nós brasileiros temos uma dupla tarefa: 
combater a imposição de países externos e combater internamente os madeireiros ilegais, 
latifundiários e etc., além de pressionar o governo a agir. Sabemos que os países centrais 
sempre buscam explorar os países periféricos como é o caso do Brasil, e que a classe 
dominante rural brasileira pouco se importa com o meio-ambiente, buscando somente seus lucros.

A guerra comercial entre a China e os EUA tem reflexos nos protestos de Hong Kong, pois há 
uma disputa política interna feita pelos países alinhados aos
EUA para que os protestos caminhem na direção de abalar o Estado Chinês e sua influência 
pelo mundo, como vimos também em relação à influência da China - e também da Rússia - na 
Venezuela. É necessário que haja uma organização capaz de transformar essa indignação dos 
manifestantes chineses através de uma proposta que não seja apenas mudar de um bloco 
opressor para outro, mas sim de criar uma sociedade autônoma e sem classes, radicalmente 
democrática, através de organismos de base popular.

No Brasil, vemos que o governo Bolsonaro perde influência e capacidade de mobilização, mas 
que ainda resta alguma - que não pode ser desconsiderada. A polarização ficou entre 
defensores da Amazônia/opositores de Bolsonaro e os defensores de Bolsonaro em defesa de 
um "endurecimento do governo". O governo Bolsonaro fala em "soberania" mas quer vender 
todas as estatais brasileiras, bate continência para o governo norte-americano e segue os 
ditames do capital financeiro internacional como o FMI. Devemos lutar contra o governo, 
sem com isso defender outro governo ou partido, mas defender sim a força coletiva do povo. 
Nem endurecimento do regime e nem a postura dos partidos de esquerda, devemos defender que 
o povo crie um contra-poder através de uma organização nacional independente. O protesto 
dos artistas não deve ser um modelo a ser seguido, pois reflete a perspectiva 
pequeno-burguesa e institucional da luta desses segmentos.

https://federacaoautonoma.wordpress.com/2019/08/26/protestos-marcam-o-fim-de-semana-no-brasil-e-no-mundo/


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