(pt) anarkismo.net: Coletânea crítica ao totalitarismo stalinista e a tentativa de normatizar o absurdo by BrunoL (en)

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Sábado, 12 de Outubro de 2019 - 08:59:50 CEST


Neste breve artigo, compilo observações dos embates recentes os quais participei neste 
início de outubro de 2019. A divisão por tópicos pode facilitar a leitura embora reconheça 
que na tradição mais "ortodoxa" dos textos das esquerdas, quebra o ritmo da narrativa. 
Entre prós e contras, seguimos,. ---- 07 de Outubro de 2019, Bruno Lima Rocha ---- 
Apresentação ---- Existe uma nova onda na internet brasileira, especificamente o uso 
político da rede, que é interessante e ao mesmo tempo merece um alerta. Há um esforço 
considerável e reconhecido para normalizar os crimes de Stálin, e não só, de recuperar 
toda a experiência do Leste Europeu e ligar simbolicamente à presença da China hoje, como 
a Superpotência Mandarim. Neste breve artigo, compilo observações dos embates recentes os 
quais participei neste início de outubro de 2019. A divisão por tópicos pode facilitar a 
leitura embora reconheça que na tradição mais "ortodoxa" dos textos das esquerdas, quebra 
o ritmo da narrativa. Entre prós e contras, seguimos.
A NEP antissoviética, a China capitalista e a alucinação da "esquerda" viúva do Leste Europeu
Os "amigos" que defendem e se escoram na NEP (Nova Economia Política, "nova" no paradigma 
do marxismo russo) - a segunda grande traição Bolchevique, com Lenin vivo e Trotsky e 
Stálin trabalhando lado a lado - usam um argumento que cola no delírio pós Guerra Fria de 
mistificação dos processos históricos. Entre a falsificação do século XX e as ilusões no 
século XXI resta uma conclusão. Se não passar a limpo a NEP e fizer uma crítica sem dó, 
alucinados como esses vão "interpretar" a Gazprom (ou a Huawei, talvez a Cargill) como uma 
etapa necessária, de repente "intermediária" esperando que um Estado autocrata de base 
capitalista se "autodissolva" um dia por passe de mágica com "razão dialética" ou qualquer 
outro jogo de palavras sem sentido. Como não pensar que a tradição autoritária floresce 
nas cloacas da história?
Stálin, a Nomenklatura e o Hobbesianismo por esquerda
Sempre pergunto em aulas de Política se a turma, hipoteticamente, aceitaria viver numa 
sociedade de pleno bem estar, com todos os direitos assegurados, todos mesmo (trabalho, 
saúde, moradia, cultura, lazer, gestação, desporto etc.), mas com absoluto controle e 
cerceamento dos direitos políticos. Ou seja, ditadura de partido único e a filiação ao 
partido como a única forma de acesso a postos-chave no aparelho de Estado. As quatro 
elites formais na antiga URSS, a política, a acadêmica, militar e econômica (na gestão das 
empresas estatais) tinham como critério de entrada a filiação ao PCURSS. Em geral não digo 
que esta sociedade existiu e o exemplo dado é no período soviético da Nomenklatura, 
especificamente nos governos Kruschev e Brejnev. Ou seja, reforço o mito da "tentação 
autoritária", o que geralmente no Brasil é associado a posições imaginárias como sendo 
conservadoras e à direita.
Surpreendentemente, a imensa maioria diz que NÃO, JAMAIS ACEITARIA, pois na ausência de 
direitos políticos não teriam certeza da garantia ou ao menos da possibilidade de lutar 
por estes direitos. Quando digo que este mundo existiu e sua era de ouro durou quase 
quarenta anos há muita surpresa. Hobbes, coitado, é muito mal interpretado e ficaria feliz 
em ver o direito à vida plena em termos materiais aplicado na antiga União Soviética. Mas, 
e o direito político? Então, quando a elite da Nomenklatura virou de lado (a partir de 
1988) e dilapidou o patrimônio público, o Estado ruiu em menos de quatro anos. 
Parafraseando nosso poeta maior "E agora José, a festa acabou e teu ‘ônibus da história' 
despencou barranco abaixo". Para não parecer terra arrasada de toda a experiência, apesar 
ao menos deixa o exemplo de que uma economia planificada, mesmo que estupidamente 
centralizada, pode gerar bem estar social.
As características estruturantes dessa forma de pensamento político por "esquerda"
São mais que reconhecidos os crimes do stalinismo, seus asseclas e clones mundo afora 
(como Enver Hoxha na Albânia, Nicolae Ceausescu na Romênia, Kim IlSung na Coreia do Norte 
e a lista segue conforme a perspectiva histórica e ideológica). Infelizmente, parece que o 
mito supera o fato e a compreensão perde para a interpretação. Vejamos alguns problemas 
fundamentais, de estrutura mesmo.
Quais fenômenos da interna política levam ao culto à personalidade? Como forças políticas 
enormes dependem necessariamente de um grupo muito reduzido de "dirigentes"? O culto da 
liderança não é também um elogio ao individualismo, às lutas mais mesquinhas pelo poder?
Também cabe perguntar. Qual o maior equívoco da esquerda, não da ex-esquerda, mas da 
esquerda restante? Determinismo sociológico (em busca da classe ou fração de classe 
prometida) ou ilusão com as próprias análises que levam a algum tipo de autoproclamação?!
Sobre a degeneração e a liderança política esse é um tema clássico e aqui vai só um início 
de debate. Reconhece-se que existe liderança política e algumas atribuições facilmente 
identificáveis como: carisma, oratória, exemplo, dedicação, trajetória, capacidade 
resolutiva. Mas, quando estas características se cristalizam em uma estrutura de poder 
permanente?! Piorando. É quando isso se torna culto à personalidade e já não há mais volta 
atrás!
Vale o debate e mais ainda a preocupação.

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https://estrategiaeanaliseblog.com/2019/10/06/coletanea-critica-ao-totalitarismo-stalinista-e-a-tentativa-de-normatizar-o-absurdo-artigo-de-pensamento-libertario/

https://www.anarkismo.net/article/31576


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