(pt) [Espanha] "Greve" mundial pelo clima? By A.N.A. (en)

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Segunda-Feira, 7 de Outubro de 2019 - 07:00:17 CEST


O capitalismo é o principal causador da mudança climática e da destruição do planeta, mas 
não esqueçamos que entre os que o criticam agora oportunisticamente também estão os 
partidários de um comunismo autoritário que causou enormes estragos. Não caiamos em sua 
falsa dicotomia entre capitalismo e comunismo estatista. Defendamos um modelo 
socioecológico baseado na autogestão. ---- A mudança climática já não é um aviso, é uma 
crua realidade. Fazem décadas o movimento ecologista vinha alarmando sobre as trágicas 
consequências de não por fim ao aquecimento global a que estamos submetendo o planeta, 
nossa casa comum, a qual se tem cortado como se fosse um bolo, para tirar dela mais 
benefícios do que pode produzir. Evidentemente, o atual responsável pela deterioração 
exponencial a que estamos submetendo o planeta é o capitalismo voraz, chame-se neoliberal, 
globalizado, economia de mercado ou com qualquer outro adjetivo que queiram pôr na moda 
para torná-lo mais digerível. Quando o sistema produtivo se baseia em obter os máximos 
benefícios no menor tempo possível sem ter em vista as consequências, passam por cima não 
só dos direitos da classe trabalhadora, mas também dos problemas meio ambientais que 
alteram todos os ecossistemas, fomentam êxodos migratórios ou contaminam o solo, os mares 
e a água potável, entre outros danos ecológicos.

Feita esta crítica ao capitalismo, aproveitada agora pelos que viram cair o muro de seu 
modelo comunista autoritário para tentar aparecer um pouco, devemos recriminar também a 
estes que em prol do que chamam interesse de Estado, sob o sistema econômico que defendem, 
se cometeram não poucos crimes ecológicos. Aí está a secagem do Mar de Aral, o acidente de 
Chernobyl, o fato de que durante a guerra fria a Checoslováquia fosse o país mais 
contaminado da Europa ou a determinação errônea da China maoista em exterminar os pardais 
para conseguir mais produção de grão. Mao Tse Tung sustentava que "o homem deve derrotar a 
natureza" e sua obstinação provocou um desequilíbrio ecológico que custou a morte pela 
fome a mais de 30 milhões de obedientes seguidores. Tudo isso também ocorreu, sim, mas se 
escondia por trás do hermetismo habitual do comunismo estatista.

Dói pensar que esse modelo social a que ainda há quem aspira seja apresentado como uma 
alternativa aos desastres ecológicos do capitalismo, porque só quando o controle da 
produção escapa das mãos dos que a geram, que é a quem nos interessa manter um equilíbrio 
ecológico respeitoso, se tende a destruir o entorno. Sirva como exemplo nossos bosques 
comunais. Em alguns, há décadas não se produz nenhum incêndio, já que são os mesmos 
moradores que gestionam o meio florestal do qual subsistem. Um modelo que nos recorda o de 
outras coletividades amazônicas às quais agora expulsam depois de incendiar a selva para 
produzir soja com que alimentar o mundo rico e o gado. Assim, pois, postos a falar de 
respeito ao meio ambiente, não deveríamos cair na dicotomia que nos tendem a apresentar 
entre capitalismo ou comunismo estatista, ambos antepõem seu interesse econômico à 
preservação do meio ambiente e só promovendo uma autogestão alheia ao mercantilismo 
seremos capazes de respeitar o entorno e ir tecendo um modelo socioecológico.

Atualmente, a submissão de quem nos governa ao poder econômico faz com que se legisle 
favorecendo formas produtivas contaminantes. Daí que estejam gerando sérios problemas 
ambientais, sendo seguramente o mais urgente, pelos efeitos que já estamos padecendo, o da 
mudança climática. Entre as consequências mais conhecidas está o aumento da temperatura, 
provocado pela acumulação de gases contaminantes.

Paulatinamente vemos como as ondas de calor são mais asfixiantes, como se derretem as 
geleiras, como aumenta o nível do mar até o ponto de ter que propor-se o translado de 
cidades terra adentro, como desaparecem irreversivelmente numerosas espécies, como se 
recrudescem os fenômenos meteorológicos extremos ou como se reduz a produção de colheitas 
com as nefastas consequências que provoca.

Para o capitalismo, tudo vale em sua busca do benefício imediato, ainda que para isso 
tenham que transformar a vida no planeta e o interesse coletivo em dinheiro real, de 
plástico ou virtual, com destino a paraísos fiscais. Um dinheiro do qual se beneficiarão 
poucas mãos. Esse é seu manual: acumular riqueza fomentando uma sociedade baseada em fazer 
crer aos que transformamos e produzimos produtos que a imagem que nos vendem, a do 
consumismo, é nossa meta. Nada mais degradante nem depreciativo para a classe obreira que 
essa sociedade competitiva, não solidária e irracional.

Neste modelo social de consumo, entre outras lindezas, não se pode ser feliz se não tens 
veículo próprio ou se não podes presumir nas redes sociais de umas férias 
transcontinentais e altamente contaminantes. Se aspira a que se subvencionem carros 
contaminantes e quando se contribuiu para aumentar o problema da contaminação atmosférica 
se ameaça com sanções se não se entregam para comprar outro que funcione com outro tipo de 
energia. Porque essa é outra, os deslocamentos em veículo privado e longe dos postos de 
trabalho. Há algo menos ecológico?

E que tenham diante das telas uma adolescente para que reclamemos mais cúpulas 
governamentais e nos desmobilizemos! Basta de greves simbólicas e concentrações em 
silêncio como missas réquiens por um planeta em destruição. Quando a consciência de classe 
se perdeu e se abandona a luta para converter uma necessidade comum em uma jornada pontual 
e lúdica, ao menos, que não desvirtuem o significado revolucionário do que é uma greve. 
Nossa presença na manifestação, separado de tradicionais comparsas e no marco de um bloco 
libertário, responde à necessidade de denunciar que o respeito ao planeta é incompatível 
com o consumismo capitalista e com o comunismo estatista.

Lutemos por um modelo socioecológico baseado na autogestão.

CNT Catalunha (AIT)

Setembro 2019

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana


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