(pt) Coordenação Anarquista Brasileira (CAB): É hora de construir uma greve nacional da educação!

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Sábado, 5 de Outubro de 2019 - 08:24:15 CEST


Os ataques à educação pública têm marcado fortemente a política e as lutas sociais neste 
ano. Isso é resultado da confluência de interesses entre os diferentes setores das classes 
dominantes que sustentam o atual governo: mercado financeiro, agronegócio, conglomerados 
de mídia, lideranças religiosas conservadoras e diferentes setores de extrema-direita. 
---- Por um lado, uma intenção explícita de sucateamento e privatização da educação 
pública, visando alimentar algumas das maiores empresas privadas de educação do mundo, que 
viveram épocas de vacas gordas com as políticas para a educação superior dos governos 
petistas e agora avançam rumo à educação básica para manter suas taxas de lucro. É onde se 
encontram grupos de lobby neoliberal com representação de bancos, canais de televisão e 
grandes empresas que dão as cartas nas novas políticas públicas educacionais brasileiras. 
Ao mesmo tempo, iniciativas de censura ideológica crescem em todos os espaços 
educacionais, buscando impedir os debates raciais, de gênero, análise crítica sobre a 
realidade social, etc., assim como avança a militarização de escolas e o aparelhamento 
curricular por algumas denominações religiosas.

É frente a esse cenário que as lutas do movimento estudantil e da educação têm ganhado 
destaque, enfrentando Bolsonaro e uma agenda neoliberal e conservadora que é muito maior e 
mais antiga do que ele.

Neste segundo semestre, vem ganhando força a luta nas universidades contra o Projeto 
Future-se, os cortes de bolsas e o contingenciamento de verbas que ameaçam a existência da 
educação superior pública. Como consequência dessas medidas, milhares de trabalhadoras e 
trabalhadores terceirizados estão sendo demitidos por todo o país; milhares de 
pesquisadoras e pesquisadores que sobrevivem com suas bolsas têm seu sustento ameaçado; e 
estudantes pobres de todo o país correm o risco de abandonar a universidade pelo fim das 
políticas de permanência como os restaurantes universitários e moradias estudantis.

São motivações e necessidades que dialogam diretamente com a realidade da maior parte de 
nossa classe, afetada pelo desemprego e um aumento brutal na precarização do trabalho, 
além do aumento do custo de vida nos itens mais básicos, como alimentação e transporte. 
Consideramos que a crescente indignação com as condições de vida, o aumento da violência 
pela mão do Estado e a destruição ambiental precisam ser canalizados junto às lutas pela 
educação, em uma tática de resposta coletiva, pela força das ruas, ocupações, greves e 
piquetes! São todas políticas do capital que ameaçam diretamente nossos direitos, nosso 
futuro e a vida de grande parte do nosso povo de forma articulada. São ataques políticos 
em conjunto e devem receber uma resposta política unificada!

Nos últimos dois meses, a maioria das universidades do país rejeitou o Programa Future-se; 
a comunidade da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) ocupou a Reitoria e aprovou 
com mais de 90% de votos o pedido de destituição do interventor bolsonarista em sua 
Reitoria; estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) constroem uma greve 
estudantil na graduação e pós-graduação que já dura três semanas; e greves estudantis 
também começaram na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e na Universidade Federal de 
Santa Maria (UFSM).

Nesta semana, entidades sindicais e estudantis convocam uma paralisação de dois dias com 
calendário de lutas. A Coordenação Anarquista Brasileira estará mobilizada nessa data para 
dizer, antes de tudo, que essa agenda só oferecerá as respostas necessárias de 
enfrentamento se servir para articular, o quanto antes, uma greve nacional da educação! O 
modelo das greves de um dia, junto às marchas, agitou o debate público e demonstrou a 
vontade de luta da juventude, mas é incapaz de fazer frente ao projeto de morte que 
enfrentamos em 2019.

Precisamos pautar, agora, a revisão do orçamento de 2020 que prevê cortes ainda maiores à 
educação. Restringir nossa pauta à liberação das verbas de 2019 apenas nos mantêm reféns 
do Governo Federal, que libera o dinheiro a conta-gotas para manter as universidades de 
joelhos e frear as lutas no momento que se sentir ameaçado. A luta também precisa buscar 
unidade com as universidades estaduais, privadas e com a educação básica - os ataques que 
sofremos atingem a educação como um todo, com o mesmo projeto de sucateamento, 
privatização e controle ideológico!

Seguindo o exemplo de luta da UFFS, UFSC, Unipampa e UFSM, além do estado de greve 
deliberado entre estudantes e trabalhadores de várias outras universidades, é fundamental 
que as entidades estudantis e sindicais do país construam a greve nacional da educação. 
Sem esperar por licença, a luta já se espalha entre as bases e tem possibilidade de tomar 
o país!

A EDUCAÇÃO DO POVO NÃO SE VENDE, SE DEFENDE!

POR EMPREGO, CONTRA A PRECARIZAÇÃO, GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!

GT Estudantil da Coordenação Anarquista Brasileira - CAB

https://anarquismo.noblogs.org/?p=1182


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