(pt) FOB-DF - Consciência negra: Lembrar as lutas do povo negro e seguir na resistência por uma sociedade igualitária e livre - Comissão de lutas antidiscriminatórias do SIGA-DF

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Quinta-Feira, 28 de Novembro de 2019 - 08:29:05 CET


Primeiramente, devemos lembrar que a ideia de consciência negra não pode se restringir a 
um único dia, semana ou mês. O estudar, lembrar e aprender com as lutas por liberdade e 
direitos da população negra brasileira deve ser uma constante na vida de todas/os que 
buscam construir um país melhor para o povo negro e toda classe trabalhadora.  Datas 
históricas marcam calendários, e a morte de Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro de 
1695, não deve ser comemorada, mas sim, lembrada e refletida como sinônimo de lutas que no 
passado foram fundamentais contra um regime escravocrata, e que ainda hoje são centrais 
para combater a crueldade capitalista sobre o povo negro no Brasil e no mundo.
Zumbi e Dandara, heróis do povo negro e da classe trabalhadora
Importante ressaltar que o racismo existe para além do capitalismo, age de muitas formas, 
no sentido que, se uma luta contra a classe dominante não estiver agindo também contra o 
racismo, algo pode mudar, mas a estrutura racista se manterá. Dessa forma, são lutas que 
se constroem conjuntamente, a luta contra o racismo e contra o capitalismo, mantenedores 
de violências.

Levando em conta que a consciência e luta contra o racismo tem a educação como um dos 
eixos centrais, não é de se estranhar que durante tanto tempo, e ainda hoje, em várias 
escolas do Brasil, as histórias de resistência contra a escravidão e lutas por direitos 
sociais feitas pelo povo negro ainda sejam negadas ou "apagadas dos livros", de forma 
visivelmente política. Um povo que conhece sua própria história é mais crítico e ativo em 
sua realidade, e, com certeza, os governos do país não tem interesse em críticas e 
mobilizações por mudanças para o povo que precisa.

Assim como o fim da escravidão teve como principais protagonistas lutadoras/es negras/os, 
por meio de rebeliões e quilombos que passaram a existir desde da chegada do primeiro 
navio negreiro nessas terras, o fim da exploração da classe dominante sobre nós, classe 
trabalhadora, majoritariamente formada de negras/os, deverá ser obra de nossa própria 
classe. Sem governos ou partidos eleitoreiros! Nós por nós! Não se acaba com o capitalismo 
se enganando com poder de consumo e dívidas em crescimento! Quanto mais capitalismo, mais 
desigualdades e opressões, mais racismo!

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No Brasil de agora, com um governo de Estado declaradamente racista, infelizmente, notamos 
com facilidade, as lacunas deixadas por essa história marcada por injustiças e violências. 
Diversas pesquisas, as ruas e as instituições governamentais, como polícias e presídios, 
mostram a que setor do povo é direcionada a maior parte da fúria repressora do 
capitalismo. Salários mais baixos, menores índices de escolaridade, vulnerabilidade as 
violências sociais, e adoecimento psíquico por conta do racismo, são realidades da 
população negra brasileira.

No Distrito Federal - DF, por exemplo, com rápida pesquisa sobre estudos publicados esse 
ano, é possível ver a disparidade de rendas entre brancos e negros, diretamente 
relacionada com o fator de região de moradia e também com o fator de sexo, pois as 
mulheres negras continuam em resistência tendo os menores salários. A construção de 
Brasília, erguida com grande maioria de braços negros, contrasta-se com a realidade de 
privilégios brancos em todos os indicadores de "desenvolvimento social".

A história também é viva, e nos provoca diariamente quando estamos atentas/os as 
contradições sociais. Educadoras/os de todo o país devem estudar e falar em suas turmas 
sobre a importância dos movimentos de resistência negra no Brasil e em outras regiões do 
mundo, das conquistas sociais com manifestação e outras ações diretas, e não somente no 
mês ou no dia 20 de novembro. Lutas inspiram outras lutas, e é da ação de seres humanos 
movidos pela necessidade de mudanças que surgem as transformações sociais.

Referências negras em todas as áreas estudadas na escola, não faltam, todavia, no geral 
ainda são excluídas e silenciadas. E por conta de um projeto ainda maior que a formação e 
inquietação limitada do professor/a, no que diz respeito ao assunto, projeto que vai negar 
narrativas da cultura afro-brasileira viva, com sua rica diversidade, e memórias de 
resistências e conquistas ao longo do tempo, assim como dos desafios tão visíveis do 
presente, que clamam por atenção e ação. Denunciamos um Estado brasileiro que produz uma 
declarada "caça aos que não interessam livres", e esses, na quase totalidade dos casos, 
tem cor e classe social definidas. Na maioria das vezes, negro, jovem, pertencente e filho 
da classe trabalhadora.

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Refletir sobre a militarizações de escolas públicas no Brasil, sendo a maioria feita de 
forma autoritária, quase a totalidade concentrada em zonas periféricas das cidades, é um 
exemplo de como age o Estado, com seu cunho racista e aprisionador, que governos 
municipal, estadual e federal vêm fazendo. A repetição sintomática e cínica de agir com 
violência para resolver problemas sociais, que, sem dúvida a escola não estará isolada 
nesse contexto. Há de se pensar e fazer projetos que deem sentido e oportunidades reais de 
mudança para estudantes pobres, que no estudo ou no caminho que escolherem de trabalho, 
possam viver e não somente trabalhar. Serem críticas/os em suas realidades e no coletivo, 
e enxergarem horizontes de mudanças.

Zumbi, Dandara, Tereza de Benguela e Carlos Marighela, vivem em nossas memórias, busca e 
construção de justiça! A presença de todas/os lutadoras/es negras/os que no passado e no 
presente  atuam e atuaram nas luta contra o racismo, machismo, capitalismo e demais formas 
de opressões, é viva em nossos corações!

Abaixo o governo Bolsonaro/Mourão e racismo do Estado brasileiro!

Fora todos! Todo poder ao povo!

https://lutafob.wordpress.com/2019/11/21/fob-df-consciencia-negra-lembrar-as-lutas-do-povo-negro-e-seguir-na-resistencia-por-uma-sociedade-igualitaria-e-livre/


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