(pt) [Chile] Santiago: 28º e 29º e 31º dia de Revolta Social -- 14-15 de novembro de 2019 -- SOMOS AMOR EM GUERRA! By A.N.A.

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Sábado, 23 de Novembro de 2019 - 07:29:39 CET


Se completa um ano do assassinato do jovem mapuche Camilo Catrillanca, e muitos 
recordávamos que a 365 dias atrás a raiva arrasou com toda a Praça Itália como um 
transbordamento furioso de um rio em uma tormenta. ---- A ansiedade nos corroía esperando 
uma grande ofensiva alimentada pela força dos povos originários. Nada disso aconteceu, 
pelo contrário. ---- Foi uma das jornadas mais baixas em intensidade de toda a Revolta, 
uma das razões foi a paranoia difundida pelos próprios companheiros, com absurdas teses de 
Golpe de Estado ou Auto Golpe foram criando um ânimo crescente de incerteza. Expandiram 
teorias conspirativas e supostos especialistas, de "Estados de exceção", Toques de 
Recolher e a volta dos milicos à rua com sangrentas represálias como na ditadura. Suas 
palavras só geraram temor e desmobilização. Mais que prevenir possíveis cenários, 
autossabotaram a Revolta Social sem maiores argumentos que seus fantasiosos augúrios, 
gerando um clima de derrota antecipada. A paranoia que instalaram chegou até a rua e 
companheiros foram apontados como policiais infiltrados, pela psicose e a nefasta cultura 
cidadã de crer que toda ação de ataque é uma montagem. Manifestantes assumiram como 
próprias estratégias pautadas pelo poder e seus meios de comunicação, exercendo uma tarefa 
paramilitar anti-encapuzados que só beneficia o inimigo. Um rapaz foi agredido por uma 
turba de manifestantes ao acusá-lo infundadamente de infiltrado policial, o golpearam e 
penduraram desde a ponte Pio Nono porque alguém pensou sem prova alguma que era um agente. 
Terminou na urgência da Posta Central[pronto socorro], nunca foi um policial.

Tudo mudou radicalmente ao anoitecer, se presume que a aplicação que difunde os endereços 
dos policiais está sendo aproveitada pelos rebeldes, atacando carabineiros onde mais lhes 
dói e quando estão sós; Em Chiguayante desconhecidos irrompem em uma casa de um casal de 
policiais quebrando tudo em seu caminho no primeiro andar do lugar. Em Quinta Normal 
entram à força e apunhalam em seu próprio domicílio um policial e em Independência 
apedrejam a casa de um Capitão de carabineiros. Enquanto os policiais dormem seus carros 
sofrem ataques incendiários e vandálicos, uma prática totalmente reprodutível e que vai 
contagiando diversos bairros.

Durante os protestos na cidade de Rancagua encapuzados lançam um cartucho de dinamite a 
uma patrulha de carabineiros sem que explodisse.

A noite termina com o ataque com dezenas de bombas incendiárias a uma propriedade de 
carabineiros no povoado La Victoria, a queima de casas de uniformizados em Coyhaique e o 
incêndio da casa de um sacerdote acusado de abuso sexual em Puerto Montt.

CHAMANDO À PAZ

Na sexta-feira às 3 da madrugada, parlamentares de todas as tendências posam sorridentes 
por um acordo conseguido pelas costas da população, enquanto os meios de comunicação 
capitalistas aplaudem a coesão da classe política.

HISTÓRICO![sic]Enfatizam todos os noticiários e primeiras páginas de diários. Anunciam que 
com grande esforço e desprendimento fizeram um compromisso para mudar a Constituição, 
chamando a cessar as mobilizações para que voltemos a sua tão ansiada normalidade. Muitos 
aplaudem, desde a esquerda valorizam o gesto. Por fim caiu a constituição de Pinochet![sic]

Os anos e a experiência nos ensinaram muitas coisas, uma delas é que não devemos confiar 
nos partidos políticos nem nos parlamentares. Em apenas umas horas se conhece a infalível 
"letra pequena" do acordo. Alguns se decepcionam e os mais radicais acusam que o acordo só 
fortalece a "democracia burguesa", o Estado sai fortalecido com o chamado a participar nas 
eleições para abril de 2020 e ao capitalismo não se toca nada.

A "Praça da Dignidade" amanhece magicamente coberta de telas brancas e com a bandeira 
"PAZ". Tudo aponta a um oportunismo político e a uma tentativa patética de descomprimir a 
Revolta Social, toda farsa é válida para voltar à normalidade e apagar a fúria dos oprimidos.

Mas os rebeldes não creem no discurso pacificador e voltam mais persistentes que nunca a 
encher as ruas, gerando novos choques com os esbirros.

Na televisão a censura e manipulação midiática chegam ao absurdo, mostrando a aglomeração 
de gente como se estivessem celebrando o acordo. Enquanto na "zona zero" um caminhão Tolva 
descarrega toneladas de pedras para apoiar a primeira linha, os distúrbios são cada vez 
mais violentos e centenas de feridos são atendidos nos centros improvisados de primeiros 
socorros. Vinte e sete pessoas terminam com lesões em seus olhos, alguns com perda 
completa do globo ocular.

Em plena Praça Itália, Abel de 29 anos, desfalece por um ataque cardio respiratório pelo 
efeito de saturação das bombas de gás lacrimogêneo, enquanto uma ambulância chega a 
atendê-lo, um blindado lança águas os atinge, lhes jogam mais gás lacrimogêneo e inclusive 
disparam projéteis, uma paramédico é impactada em seu tornozelo. Abel Acuña não respondeu 
às manobras de ressuscitação e morreu na rua, outro assassinato de Estado.

Essa é a realidade dos chamados da elite à "paz social", "ordem pública" e "pacto social". 
A verdade é que estamos em guerra e há companheiros que continuam lutando na linha de 
frente sem um olho ou com dezenas de balas em seu corpo. Milhares de irredutíveis 
arriscaram e seguem arriscando sua pele, liberdade e a vida durante quase um mês do começo 
da explosão.

Anônimos expõe administradores do grupo fascista "Aranhas Negras Chile" e hackeam a página 
de exploração de carne "Agrosúper".

A milhares de quilômetros irmãos anarquistas "Incendiários da era chilena" queimam o 
automóvel de um diplomata chileno na Grécia.

A Revolta Social conseguiu o que anos de propaganda anárquica nunca puderam, demonstrar a 
muitos que seguir delegando nossas vidas para burocratas profissionais não é o caminho. 
Seguimos avançando com nossos apaixonantes desejos de LIBERDADE...

O chamado é uma vez mais para sair e protestar, desta vez a segunda-feira, 18, em frente 
da Universidade do Chile.

Até destruir todas as jaulas!

Que as NEGRAS BANDEIRAS SIGAM AGITANDO OS ARES...

[Chile]Santiago: 31º dia de Revolta Social
By A.N.A. on 20 de novembro de 2019

18 de novembro de 2019

UM MÊS INESQUECÍVEL!

Por trás do capuz... um sorriso inextinguível!

Respiramos a mistura de fumaça e gás lacrimogêneo. Olhando ao nosso redor as cenas nos 
marcam, são milhares os que continuam lutando. Uma imensa emoção nos percorre e por trás 
do capuz um sorriso inextinguível se desenha. Estamos vivendo o que cem vezes lemos nos 
livros!

Não há certezas de nada, o nosso impulso continua sendo a busca da liberdade. Mas quase 
sempre o nosso desejo é antagônico com o da multidão. Continuamos sendo uma negra 
minoria... Mas uma minoria muito ativa.

No fim-de-semana ocorreram cinco atentados incendiários contra bancos em Peñalolén, Cerro 
Navia, Lo Espejo, El Bosque e Santiago. E um ataque com bombas molotov contra uma 
delegacia de Maipú termina com dois detidos.

Hoje, segunda-feira, na Praça de Puente Alto houve confrontos com os lacaios e um ataque à 
sua delegacia. Na Praça de Maipú efetuou-se distúrbios e estudantes tomam o CODEDUC.

Em Antofagasta desconhecidos pintam de preto a Âncora, ícone da cidade. Em Iquique atacam 
com bombas molotov uma guarita do Regimento. Em Valdivia incendeiam a sede do Partido 
Socialista. Em Concepción queimam as bandeiras de todos os partidos, uma demonstração de 
que esta Revolta não tem líderes nem dirigentes nem partidos políticos. Em Santiago 
expulsam da "zona zero" a ex-candidata presidencial Beatriz Sánchez, acusando-a de fazer 
parte dos pactos da elite.

Entre milhares de pessoas na "Praça da Dignidade" tremulam bandeiras anarquistas (pretas) 
e ecoanarquistas (verdes e pretas). Encapuzados distribuem jornais anárquicos e uma banda 
de metais entoa "Bella Ciao".

Quando o sol se vai, a polícia solta toda a sua artilharia, faz cercos pulverizando com 
gás lacrimogêneo e atirando balas de chumbinho em grandes quantidades. Hoje perante esta 
violência policial alguns preferiram desesperadamente saltar no Rio Mapocho para escapar 
da repressão.

Até a urgência do pronto-socorro central chegaram mais de quarenta feridos por balas de 
chumbinho. A soma multiplica-se se adicionamos outros centros médicos e há os que não 
aparecem a nenhum centro de cuidados médicos. Um manifestante é ferido com fratura de 
crânio ao ser impactado diretamente por uma bomba de gás lacrimogêneo, terá que ser operado.

Em Valparaíso a polícia deixa com risco vital a um jovem ao qual dispararam no pescoço. 
Manifestantes denunciam queimaduras de segundo grau pela água tóxica lançada por blindados 
de jato d´água.

A vingança chega à noite, quando desconhecidos aproveitam os dados filtrados pelo 
Anonymous e continuam os seus ataques noturnos contra carros particulares e domicílios de 
policiais.

Deputados pedem a renúncia do General Diretor dos Carabineiros, mas desde o governo, 
apesar das acusações de violações aos direitos humanos, reafirmam no seu cargo.

Viralizam vídeos de postos de comida, locais comerciais e de serviços onde literalmente 
policiais civis são expulsos, afrontados ou não querem atendê-los pelo seu trabalho 
repressivo.

Colapsam cantões de recrutamento por aglomeração de jovens que se recusam a realizar o 
serviço militar. Uma contundente rejeição ao trabalho assassino do braço armado do Estado 
e do capital.

Surgem grandes Incêndios florestais em diferentes pontos de Valparaíso. São encontrados 
aceleradores e tudo aponta para a intencionalidade. Moradores acusam que, através desta 
emergência, pretendem desmobilizá-los.

Ainda não há respostas para as exigências do povo. Os burocratas profissionais ampliam o 
aumento às pensões, salários mínimos, dispensa da dívida do CAE, e um longo etc. Dizem que 
não há recursos e oferecem migalhas a longo prazo. Nunca acreditamos neles, muito menos agora.

Agrupamentos sindicais anunciam Greve de 48 horas para o dia 19 e 20 de novembro. Greve 
Geral para o dia 21, e o colégio de professores reitera o chamado para boicotar a prova Simce.

Colégios se enchem de faixas em favor da Revolta e atletas em eventos esportivos fazem 
gestos em solidariedade com os mutilados, tapam um olho com a mão para protestar enquanto 
recebem medalhas em pódios ou posam na clássica foto da equipe.

A multiplicar as instâncias de organização antiautoritária!

Continuamos procurando que viva a anarquia!

N.T.

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agência de notícias anarquistas-ana

  N.T.

Tradução > Sol de Abril

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