(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro farj[CAB]: PDS Osvaldo de Oliveira - Povo Organizado pra Resistir e Produzir

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019 - 08:36:53 CET


O agronegócio, expressão no campo do capitalismo ultraliberal, segue tentando impor suas 
agendas de morte, como a monocultura de exportação, a exploração desenfreada das bases 
naturais e o uso extensivo de venenos. Seguem nesta linha as políticas escravagistas e de 
extermínio do Governo Bolsonaro, Tereza Cristina e Nabhan Garcia contra os povos e 
trabalhadores do campo. Operando um Estado Policial de Ajuste se aceleram políticas 
anteriores, que já atendiam as agendas dos empresários do agronegócio, mineradoras e 
megaempreendimentos. A concentração de terras avança e a reforma agrária sofre ataques.
No Rio de Janeiro, a ameaça de despejo do assentamento do MST PDS Osvaldo de Oliveira 
acaba se inserindo nesse contexto nacional de avanço no desmonte de instituições e 
políticas públicas para o campo e o uso da violência e meios jurídicos para o despejo de 
acampamentos e assentamentos. No dia 21 de agosto, em uma sessão no TRF o judiciário se 
posiciona a favor do ex-proprietário da fazenda, extingue o processo de desapropriação 
movido pelo INCRA e determina a reintegração de posse com a utilização de força policial 
caso as 63 famílias não saiam voluntariamente em 90 dias. No dia 16 de outubro ocorreu o 
julgamento da ordem de despejo, sendo encaminhado o adiamento para o início de novembro. 
Mas o que poderia fazer o movimento recuar e desmobilizar as famílias gera ainda mais 
vontade de lutar.

O assentamento Osvaldo de Oliveira é um PDS (Projeto Desenvolvimento Sustentável), 
primeira experiência desse modelo com matriz agroecológica no estado (região serrana de 
Macaé), conciliando a produção com a preservação das florestas, espécies e nascentes. As 
famílias assentadas são referência na produção de alimentos saudáveis e agroecológicos, 
construindo um território de resistência camponesa, com organização coletiva, produção de 
cultura, estabelecendo canais de comercializando e recebendo visitas de universidades e 
diferentes grupos da cidade.

Algumas ações realizadas no PDS são exemplos de autonomia, resistência e construção de 
poder popular, como as roças coletivas, cada uma com uma coordenação, fortalecendo os 
processos coletivos de organização popular em uma área de cerca de 7 hectares de área 
coletiva. Ali são produzidos alimentos como abóbora, melancia, milho, aipim, com destaque 
para o coletivo do feijão preto, com uma produção de aproximadamente 5 toneladas de grãos. 
O aipim, feijão e abóbora vão semanalmente para o PNEA(Programa Nacional de Alimentação 
Escolar) para a merenda de escolas municipais de Macaé.

Outra ação do PDS Osvaldo de Oliveira foi a construção da Casa de Farinha, para processar 
a mandioca em farinha, e outros produtos, diversificando a produção e agregando mais 
valor. O projeto foi realizado em parceria com estudantes do curso de engenharia da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) de Macaé, no desenvolvimento de equipamentos 
como um triturador movido a bicicleta e uma prensa, além da construção do forno para torra 
e da estrutura da casa por meio de mutirões pelos assentados.

Agroecologia também envolve a cultura e a arte, que também são produzidos por jovens do 
PSD Osvaldo de Oliveira. Levando o nome do militante do MST Cícero Guede, assassinado em 
Campos do Goytacazes há seis anos, o Coletivo de Comunicação realiza diversas ações de 
comunicação e propaganda mobilizando cerca de dez pessoas entre assentados e algumas 
pessoas do Acampamento Edson Nogueira, também de Macaé.

O coletivo produz também camisas com a técnica da serigrafia, como as camisas da campanha 
contra o despejo, produzindo agito e renda com a venda do material. E como ação para 
organizar a mobilização contra o despejo e ajudar a organizar os trabalhos foi montado o 
espaço do Barracão da Resistência. Sua estrutura foi montada na entrada do assentamento, e 
cada núcleo de famílias é responsável por garantir um dia na semana na organização do 
espaço. No Barracão da Resistência ocorrem reuniões todos os dias, às 8h, para organizar 
as tarefas do dia, e onde se organizam os trabalhos coletivos da produção do PDS Osvaldo 
de Oliveira.

Todas estas ações desmontam toda as mentiras daqueles que operam esta tentativa de 
despejo, pois no PDS Osvaldo de Oliveira se produz alimentos saudáveis e agroecológicos, 
cuidando do meio ambiente e dos bens naturais, na luta por soberania alimentar, que é a 
gestão dos modos de produção de alimentos e reprodução da vida pelas próprias comunidades 
que trabalham e vivem no campo e nas florestas. Em um projeto que defende a vida e a terra 
para quem trabalha e vive dela.

Vida longa ao assentamento PDS Osvaldo de Oliveira! Um povo forte se constrói com 
movimentos populares em que as bases são protagonistas dos processos de organização das 
lutas e na construção do poder popular. Com independência política, rebeldia e auto 
organização para resistir e avançar diante dos ataques do Estado, instrumento do 
capitalismo para apertar o garrote nos de baixo. As transformações sociais vêm do povo 
organizado!

AGROECOLOGIA SIM, DESPEJO NÃO!

Frente de Luta Camponesa da FARJ

https://anarquismorj.wordpress.com/2019/11/13/pds-osvaldo-de-oliveira-povo-organizado-pra-resistir-e-produzir/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt