(pt) [Nota sobre o Leilão do Pré-sal] Contra o entreguismo de Bolsonaro: impactos do leilão de petróleo e a situação do Rio de Janeiro por Movimento de Organização de Base - Rio de Janeiro

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Sábado, 9 de Novembro de 2019 - 08:18:05 CET


O governo federal realiza nesta quarta-feira, 6 de novembro, a cessão onerosa referente ao 
denominado "mega-leilão do pré-sal". A área a ser leiloada para diversas empresas 
estrangeiras tem capacidade comprovada de produzir de 6 a 15 bilhões de barris de 
petróleo, ou seja, se tratam de áreas com imensa capacidade produtiva que, uma vez 
leiloadas, deixam de oferecer qualquer potencial retorno para a população. ---- Desde que 
assumiu seu mandato, Bolsonaro tem feito muita propaganda a cerca da venda dos recursos de 
petróleo e gas natural brasileiro para países estrangeiros e multinacionais, reforçada em 
sua última visita a China. Assim como Paulo Guedes, ministro da economia, que deixou bem 
claro em sua entrevista para o jornal Valor Econômico em setembro deste ano que tem 
pretensão de privatizar todas as estatais brasileiras, ou seja, não nos resta dúvidas que 
nossos governantes não têm compromisso com o desenvolvimento nacional e muito menos com as 
consequências que essas privatizações terá na vida do trabalhador brasileiro. Para 
completar, assim que assumiu, Bolsonaro subordinou o preço da gasolina e do gás de cozinha 
ao valor do mercado internacional, fazendo com que milhões de trabalhadores sofram 
cotidianamente com o aumento do custo de vida.

O processo de desmonte da Petrobras acompanha o processo de neoliberalização da economia 
brasileira, iniciando-se no governo de FHC em 1997 com a quebra do monopólio estatal sobre 
o petróleo e a venda de ações da Companhia na bolsa de Nova Iorque. Cabe afirmar que mesmo 
no governo do PT, leilões como do campo de Libra para a iniciativa privada (governo Dilma) 
foram realizados sob inúmeros protestos dos movimentos populares. Desde então, a imensa 
capacidade de produção petrolífera do país tem sido cada vez mais subjugada aos interesses 
de empresas estrangeiras e o mega-leilão do pré-sal desta semana pretende selar esse 
acordo de dependência. Como isso nos afeta?

Bom, os estados que estão diretamente envolvidos na extração de petróleo, como o Rio de 
Janeiro, são afetados de maneira mais explícita tendo em vista que a maior parte da sua 
economia é oriunda desse setor. Diversas pequenas e médias cidades do estado do Rio de 
Janeiro dependem da renda oriunda dos royalties do petróleo. A crise vivenciada no Estado 
do Rio de Janeiro em 2015 foi, em boa medida, decorrente da queda do preço do barril de 
petróleo, o que, combinado com a austeridade seletiva dos governantes capachos do capital, 
deixou diversos servidores do Estado em situação de calamidade, com salários atrasados, e 
também deixou a Universidade Estadual do Rio de Janeiro na iminência de fechar as portas, 
não fosse a resistência e luta dos alunos e servidores. Eis a importância da produção de 
petróleo para o Estado do Rio de Janeiro e todos os serviços públicos essenciais das 
grandes e pequenas cidades.

Uma vez leiloados esses recursos, os lucros dessa atividade não terão o menor compromisso 
em retornar em investimentos para a melhoria da qualidade de vida da população diretamente 
envolvida, nos restando, portanto, somente os ônus. Além disso, o preço do barril do 
petróleo e do gás natural afetam a vida do trabalhador diariamente através do preço do 
botijão do gás de cozinha e da gasolina que, por sua vez, afeta o preço dos transportes 
público. Por isso podemos dizer que a pauta em torno da privatização do pré-sal não está 
nada distante do nosso cotidiano, muito pelo contrário. Esse mega-leilão não nos beneficia 
em nada e ainda faz parte de uma série de privatizações pretendidas pelo governo federal 
que só fazem encarecer aquilo que necessitamos para sobreviver. Outro exemplo é o projeto 
de privatização da CEDAE em tramitação no Rio de Janeiro que afeta não só os funcionários 
da CEDAE mas todo o Estado do RJ que passará a depender de uma administração privada da 
água e do saneamento.

O SINDIPETRO-RJ, Sindicato dos Petroleiros, tem se mobilizado com a campanha "O petróleo 
tem que ser nosso!", e convocaram um ato contra a entrega do pré-sal na Barra da Tijuca, 
hoje, às 9h.

Movimento de Organização de Base - RJ

Mais informações na página do sindicato
https://sindipetro.org.br/o-petroleo-tem-que-ser-nosso/

facebook.com/organizacaodebaserio/posts/521630248419758


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