(pt) federacao autonoma FAT: VIOLÊNCIA POLICIAL: É PRECISO FALAR!

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Sexta-Feira, 1 de Novembro de 2019 - 07:37:55 CET


"Sempre vivi nas periferias de Goiânia e Senador Canedo, e a oportunidade de conviver ao 
"lado" da classe média daqui sempre foi nos espaços públicos como o Vaca Brava e shoppings 
como o Flamboyant, com uma demilitação percebida por todos, os que se denominam de uma 
classe pouco se misturam com a outra, a não ser os consumidores burgueses de 
entorpecentes, eles precisam se aproximar. ---- Mas em todos esses espaços a segurança age 
de forma distinta com cada grupo. Somos seguidos pelos seguranças das lojas e dos 
shoppings, abordados nos espaços públicos e vemos a classe média passar batido. Conheço 
essa realidade e ela é geralmente a compartilhada pelas periferias das duas cidades, 
observamos que em setores de classe média fumar maconha era mais seguro e nos periféricos 
é certeza de abordagens violentas e insultos. É seguro traficar no Jardins ou setor Bueno 
mas é arriscado vender em bairros como Jardim Canedo ou Vila Nova.

Era assim na época em que era a PM a responsável principal pelas abordagens e continua 
assim com a entrada em cena dos guardas municipais. Já fui levado à delegacia com falsas 
acusações, agredido com um livro que eu estava carregando, como tenho bastante contato com 
livros e movimentos sociais meu vocabulário foi mudando, e percebendo me chamaram de 
comunista em vários enquadros. Por ser negro os mesmos guardas me insultaram com termos 
como preto fedido e macaco, mesmo por guardas pardos e negros, no nosso último encontro 
pixei uma base de segurança 24h que havia sido construída há quase dois anos sem nunca 
funcionar, fomos detidos e obrigados a fazer um vídeo de desculpas para pessoas declaradas 
cidadãos de bem, maior parte brancos de classe média que comparam o ato de pixar com 
assassinato e estupro, senão seríamos espancados e nos acusariam de outros crimes.

O interessante é que no posto de saúde que deveria fazer corpo delito não se faz nenhum 
exame, e as pessoas são molestadas e agredidas próximo de médicos e funcionários que não 
se manifestam ou relatam alguma coisa."

(Relato de morador de periferia, negro, e politicamente atuante, 2019).

Esse tipo de relato não é novidade, é o cotidiano das periferias, não é um fenômeno 
surgido nesse governo, é uma política de Estado de longa data, essa repressão não se 
intensifica só agora, se intensifica toda vez que pessoas ousam mostrar o que está debaixo 
do tapete, o que desmente os dados oficiais, quando se luta pelo que é justo, quando 
reivindicam respeito aos seus direitos, quando o relato de uma vida é prova de tudo que 
está errado na sociedade, por conta da cor e condição social de quem conta.
É preciso acabar de uma vez por todas com a ilusão de que a polícia existe para proteger a 
população, são inimigos declarados da organização popular, isso sim, a forma como a 
maioria de nossos irmãos vive nas periferias, marginalizados, abandonados e empurrados 
para o crime, é um atestado de incompetência do Estado e a polícia tem como principal 
função eliminar fisicamente esse problema dos poderosos.

https://federacaoautonoma.wordpress.com/2019/10/26/violencia-policial-e-preciso-falar


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