(pt) A comunidade LGBTI+ marcha sem permissão em Cuba By A.N.A.

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Segunda-Feira, 20 de Maio de 2019 - 08:23:35 CEST


A melhor coisa que poderia ter acontecido foi a suspensão da conga pela diversidade que, 
sob a tutela do CENESEX, é realizada todos os anos pelo dia contra a homofobia. A 
comunidade LGBTI+ havia manifestado seu desacordo nas redes sociais e decidiu marchar por 
conta própria. ---- Durante vários dias os anúncios circularam até que chegou a data do 
protesto. Durante esse período, algumas pessoas foram ameaçadas e/ou assediadas para que 
não chegassem ao local. Na manhã de sábado, 11 de maio, os ativistas Jimmy Roque e Isbel 
Díaz Torres foram presos. ---- Por volta das quatro horas da tarde, o Parque Central - que 
já estava cercado por policiais - foi ocupado por ativistas e pela imprensa. Ninguém pediu 
permissão. A caminhada começou no Passeio do Prado. Os jovens - deve-se dizer, a maioria 
deles - gritavam: "não precisamos de conga", "Cuba diversa", "marchamos pelos nossos 
direitos", "por Cuba maior, por nossos direitos maiores"; e tremulavam bandeiras.

Descendo a rua, ao lado do Prado, havia outra caminhada paralela, mais estressada e 
acompanhada por patrulhas. Alguns usavam uniformes, mas outros eram civis e fingiam se 
camuflar na multidão, embora fossem perfeitamente reconhecíveis.

Tudo correu de forma organizada, pacífica e alegre. No final do Prado, quando estavam 
prestes a chegar a Malecón, as autoridades intervieram, desdobrando a força policial e 
cercando os que marchavam. Parecia uma armadilha, no entanto, apesar da situação absurda e 
tensa, ninguém se deixou provocar, não houve qualquer agressividade até que várias pessoas 
sem uniformes abruptamente pararam alguns ativistas.

Ante a impossibilidade de continuar, e fustigados pela polícia, tampouco houve reações 
inadequadas, pelo contrário. Agora o governo inventará desculpas para justificar as cenas 
que aconteceram ali; eles procurarão agentes da CIA ou pagos pela máfia de Miami; imporão 
multas; encerrará os ativistas que foram detidos desde a manhã para impedi-los de chegar 
ao Parque Central; mas as imagens já estão viajando pelo mundo e todos nós que estivemos 
lá somos testemunhas do que realmente aconteceu.

Este sábado 11 de maio permanecerá na memória de muitos, e não apenas pelas cores do 
arco-íris que brilharam como nunca. Mas porque a sociedade civil mostrou que pode 
organizar-se, juntar-se, apoiar-se. Ela já sabe que não precisa esperar a permissão de 
ninguém para se fazer sentir em suas próprias ruas.

Fonte: 
https://havanatimesenespanol.org/fotorreportajes/la-comunidad-lgbti-marcha-sin-permiso-en-cuba/?fbclid=IwAR1pwHwaFgD7eHt4Mw1U3HQ_GH2K-lC3F-OjKyhC61PmmPIaW0x0EYLFeZw

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agência de notícias anarquistas-ana

[Cuba]Orgulho gay vs. Repressão nas ruas de Havana
By A.N.A. on 14 de maio de 2019


por El Estornudo | 12/05/2019

Ativistas e membros da comunidade LGBTIQ em Cuba marcharam este sábado (11/05) de maneira 
independente pelas ruas de Havana em defesa de seus direitos após o cancelamento da 
chamada Conga pela Diversidade que anualmente é organizada pelo Centro Nacional de 
Educação Sexual (CENESEX). A celebração pública do orgulho gay não só foi vigiada de perto 
pelas autoridades, mas também interrompida e reprimida violentamente.

Os manifestantes clamaram pela aprovação do matrimônio igualitário e, em termos gerais, 
por uma "Cuba diversa". A partir das 16h30 dezenas de pessoas, jovens em sua maioria, 
transitaram com bandeiras multicores ao longo do Prado havaneiro, enquanto policiais e 
agentes do Ministério do Interior vestidos à paisana os escoltavam e se misturavam entre a 
multidão.

Na altura do Prado e Malecón, a marcha foi obstaculizada pelas autoridades. Os 
manifestantes reclamaram em vão a passagem pela avenida marítima ou a rua San Lázaro. 
Então vários ativistas foram submetidos violentamente em um novo capítulo de detenções 
arbitrárias na ilha.

Nas imagens capturadas por Alba Graciela se vê a alegria e o colorido desta parada gay: 
jovens que se beijam longamente, o arco-íris envolvendo os corpos, a palavra "PAZ" 
("PACE", em italiano).

Também se revela a tensão da jornada em uma das mais populares artérias de Havana: 
discussões entre ativistas e agentes civis, as forças vigilantes da ordem, um contingente 
ameaçador de "construtores", literalmente a violência, cruenta sobre uns corpos que esta 
tarde, justamente, foram demandar toda a liberdade que ainda lhe nega uma sociedade 
machista, provinciana, sufocada por um poder totalitário.

Em uma das poucas reações "oficiais" após os fatos, Mariela Castro - filha do ex 
presidente Raúl Castro - disse que a demostração deste sábado, paralela às atividades 
organizadas pelo CENESEX, não foi mais que um "show convocado desde Miami e Matanzas", 
lançando assim, uma vez mais, o expediente da manipulação estrangeira sobre as ações 
independentes da sociedade civil cubana.

Este domingo, o cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez subscreveu em seu blog 
"Segunda Cita" as críticas de seu colega Vicente Feliú aos acontecimentos da véspera: "A 
repressão absurda, vergonhosa, perigosamente chamativa, da marcha gay desta tarde é 
definitivamente indefensável. E para mim está claro que subsistem tendências muito 
negativas e retrógradas dentro de algumas autoridades com muito poder, que sobram cada vez 
mais e estão incrustados no país, e a este povo que tem determinação para mil anos mas 
está cansado das porcarias das mentalidades que têm que acabar e serem mudadas ou vão nos 
afundar num mar de descaso. (...)".

Dias antes um comunicado do CENESEX havia anunciado: "Cumprindo com as orientações do 
Minsap não se realizará este ano a Conga cubana contra a Homofobia e a Transfobia, por 
determinadas circunstâncias que não ajudam o seu desenrolar exitoso, tanto em Havana como 
em Camagüey, sem que isso implique não retomá-la para o próximo ano. As novas tensões no 
contexto internacional e regional afetam de maneira direta e indireta a nosso país e tem 
impactos tangíveis e intangíveis no desenvolvimento normal de nossa vida cotidiana e na 
implementação das políticas do Estado cubano".

(Fotos cortesia de Alba Graciela).

Fonte: 
https://www.revistaelestornudo.com/orgulho-gay-vs-represion-en-las-calles-de-la-habana/?fbclid=IwAR1WcW1KhiiH6tphs1AI6kz0MgK2cyiGhS2Gu3rw5C2T4q1rsu_XYcUe4Hs

Tradução > Sol de Abril

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