(pt) France, Alternative Libertaire AL #294 - Herbert Claros (sindicalista brasileiro): " É hora de resistir " (en, fr, it)[traduccion automatica]

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Sexta-Feira, 17 de Maio de 2019 - 08:23:21 CEST


Herbert Claros, 37 anos, é metalúrgico e secretário de relações internacionais da 
CSP-Conlutas [2]. Conhecemo-lo no início do ano, por ocasião da sua visita à Europa, 
durante uma ronda de reuniões para fazer o balanço da situação desde a chegada ao poder do 
neo-fascista Jair Bolsonaro, em outubro de 2018, para falar sobre as responsabilidades. do 
Partido dos Trabalhadores (PT), no poder de 2003 a 2016, neste desastre também, como as 
perspectivas de resposta do movimento social, sindical e feminista. ---- Alternativa 
libertária : Qual é o contexto da eleição de Jair Bolsonaro à frente do Brasil? ---- 
Herbert Claros : As eleições mostraram a grande insatisfação da classe trabalhadora ea 
maioria da população em relação aos políticos e seus partidos. Mas a falta de perspectivas 
de enfrentar a crise económica e desilusão provocada pelo governo do PT de Lula 
(2003-2011) e Dilma Rousseff (2011-2016), e sua adaptação à lógica de um sistema podre, 
reforçou o opção extrema direita. Um fator na vitória do Bolsonaro é a crise económica e 
social profunda por muitos anos. Para entender como a crise poderia afetar os 
trabalhadores, devemos retornar às consequências da política dos trabalhadores do partido 
quando no poder.

Durante os primeiros mandatos do PT, houve um crescimento nas exportações de commodities, 
que são um dos pilares da economia brasileira. Nesse contexto, o PT tomou medidas que 
permitiram aos brasileiros emprestar mais facilmente para comprar uma casa ("Minha casa, 
minha vida"), para se matricularem na universidade ("pro uni"). ") Ou mais amplamente para 
ter acesso ao crédito ao consumidor. A lei foi alterada para que, mesmo sem um segundo 
salário, grandes empréstimos sejam possíveis. Quando a crise econômica se intensificou, a 
partir de 2007, muitas famílias foram incapazes de pagar seus empréstimos e os bancos 
retiraram diretamente da fonte os salários. Desde então, a crise só se intensificou, assim 
como seus corolários: miséria social e criminalidade.

No Brasil, a taxa de desemprego é de 25% e o salário mínimo é de 253 euros, e é isso que 
70% da população ganha. A violência e o crime aumentaram, com uma taxa de homicídios 30% 
maior que a da União Européia. Em 2017, houve 63.880 homicídios, dos quais 58% das vítimas 
são jovens. Nos últimos dez anos, houve 500.000 mortes violentas. Esses elementos ajudam a 
entender como o discurso de segurança de um candidato como Bolsonaro encontrou favor do 
público.

A presidência do PT e os muitos casos de corrupção também contribuíram para o tapete vermelho.

Corrupção não é nova. Isso remonta à colonização portuguesa. Era comum sob a ditadura. Mas 
durante a presidência do PT, explodiu, atingindo o partido de Lula e, mais genericamente, 
todos os partidos institucionais.

A organização da Copa do Mundo de futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 foram 
recheados de casos de corrupção na alocação de sites gigantescos. Infra-estrutura enorme, 
como metrôs, teve que ser construída. Um bom exemplo é o novo estádio em São Paulo, que 
custou três vezes mais que o esperado ! Empresas de construção civil como a Odebrecht, 
envolvidas nessa corrupção imobiliária, financiaram, aliás, a campanha dos dois grandes 
partidos, o PT e o PMDB (partido da direita neoliberal).

Não surpreendentemente, no início de sua presidência, Bolsonaro estava na ofensiva. Você 
pode dizer algumas palavras ?

Um de seus primeiros passos foi transferir a Fundação Nacional Indígena para o Ministério 
da Agricultura. Sendo esta última nas mãos dos latifundiários, uma grande ameaça agora 
pesa sobre as terras ameríndias, porque o interesse do setor do agronegócio, é claro, se 
opõe à proteção do meio ambiente e das populações locais. Atualmente, os grandes 
proprietários de terras estão usando mercenários para treinar milícias que invadem as 
terras dos povos indígenas. Um projeto rodoviário que passaria pela floresta amazônica 
está nos canos ! Outra medida proposta é a remoção de ministérios como o Esporte e o 
Trabalho. Eliminar o Ministério do Trabalho é essencialmente o fim das instalações 
municipais, permitindo que as pessoas façam valer seus direitos. Este é o fim, também, das 
inspeções de trabalho. Bolsonaro torna possível o sonho de todos os chefes !

Quais setores da população podem gerar resistência ao governo ?

O governo pretende privatizar os correios, os aeroportos, a eletricidade, a petrolífera 
nacional (PetroBras) e continuar a venda da empresa nacional de aviação (Ambraer) para a 
Boeing, já iniciada sob os governos PT. Todas essas medidas são um desafio para o 
movimento trabalhista e popular. Teremos que nos unir para combater o governo na rua, 
porque é neste terreno que devemos enfrentá-lo, e não no Parlamento. Meu sindicato 
assumirá suas responsabilidades em relação a essa unidade de ação.

Um primeiro passo já foi dado em 20 de fevereiro, com grandes manifestações diante da 
convocação de uma "Assembléia Nacional das classes trabalhadoras para a defesa dos fundos 
de pensão", que inclui todas as confederações sindicais do país. De fato, um projeto do 
governo quer quebrar o financiamento de aposentadorias em favor de um sistema de 
capitalização, excluindo o princípio de solidariedade entre os ativos e aqueles que 
deixaram de ser assim, e dando aos fundos de previdência e seguro privado um cobertor seignt.

O feminismo é outra fronteira de luta na vanguarda da mobilização: em resposta à eleição 
de Bolsonaro, nasceu no Brasil um movimento de mulheres sem precedentes e sem precedentes: 
#ELE NAO (Não ele) ! Este movimento popularizou o feminismo com, durante a campanha 
eleitoral, enormes manifestações com 4 milhões de mulheres nas ruas em mais de 114 cidades 
! Esse despertar feminista é muito importante, porque no Brasil os direitos das mulheres 
são corrompidos. Este é o 5 º país com a maior taxa de feminicídio ; o primeiro país em 
termos de mortalidade LGBT ; 45% das mulheres vivem abaixo da linha da pobreza. No 
Nordeste do Brasil, o aborto é um crime, assim como o uso da pílula anticoncepcional. 
Outro exemplo dessa violência baseada no gênero é a chamada "Bolsa do Nascimento", uma 
mesada para qualquer mulher que tenha sido estuprada e grávida para convencê-la a manter 
seu bebê.

A última palavra ?

Num contexto de ataque aos direitos da nossa classe a nível internacional, é importante 
poder ter contactos e ser solidário. A CSP Conlutas por exemplo fez uma passeata em frente 
à Embaixada da França em São Paulo, durante o dia de ação e greve de 5 de fevereiro na 
França. É importante desenvolver esta solidariedade internacional porque nos torna mais 
fortes. No Brasil, precisaremos do seu apoio nos próximos protestos contra o governo de 
Jair Bolsonaro. O principal fundamento para superar os planos ditatoriais e os ataques aos 
direitos do povo é a ação direta, baseada na independência de classe e na democracia dos 
trabalhadores. A luta está apenas começando. A hora da resistência e da luta chegou !

Entrevista por Jérémie Berthuin (AL Gard)

[1]Uma união de luta de classes brasileira, nascida em meados dos anos 2000 a partir de 
uma divisão da central elétrica da maioria, a CUT.

Reivindicando o autogerenciamento e o sindicalismo anticapitalista, o CSP é membro do 
Sindicato Internacional de Solidariedade e Luta (RSISL). Mais informações sobre 
Laboursolidarity.org

[2] União de luta de classes brasileira, nascida em meados dos anos 2000 a partir de uma 
divisão da central elétrica da maioria, a CUT.

Reivindicando o autogerenciamento e o sindicalismo anticapitalista, o CSP é membro do 
Sindicato Internacional de Solidariedade e Luta (RSISL). Mais informações sobre 
Laboursolidarity.org

http://www.alternativelibertaire.org/?Herbert-Claros-syndicaliste-bresilien-L-heure-de-la-resistance-a-sonne


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