(pt) anarkismo.net: Declaração do XIII ELAOPA - Encontro Latino Americano de Organizacoes Populares e Autonomas 2 e 3 de março de 2019 - Viamaõ-RS-Brasil

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Terça-Feira, 26 de Março de 2019 - 06:44:19 CET


Nos das organizacoes reunidas nos dias 02 e 03 de marco de 2019 no XIII Encontro Latino 
Americano de Organizacoes Populares e Autonomas, reafirmamos nosso compromisso com as 
lutas dos de baixo, com independencia e solidariedade de classe, democracia de base e acao 
direta popular. Frente a uma realidade cada vez mais dura para os e as oprimidas, de 
retirada de direitos, precarizacao de nossa vida, avanco conservador, criminalizacao e 
exterminio dos pobres, do povo negro e dos povos indigenas, do feminicidio e da 
lgbtttfobia, nos cabe o ENFRENTAMENTO e a RESISTENCIA. ---- DECLARACAO DO XIII ELAOPA ---- 
2 e 3 de marco de 2019 - Viamao-RS-Brasil ---- Nos das organizacoes reunidas nos dias 02 e 
03 de marco de 2019 no XIII Encontro Latino Americano de Organizacoes Populares e 
Autonomas, reafirmamos nosso compromisso com as lutas dos de baixo, com independencia e 
solidariedade de classe, democracia de base e acao direta popular. Frente a uma realidade 
cada vez mais dura para os e as oprimidas, de retirada de direitos, precarizacao de nossa 
vida, avanco conservador, criminalizacao e exterminio dos pobres, do povo negro e dos 
povos indigenas, do feminicidio e da lgbtttfobia, nos cabe o ENFRENTAMENTO e a RESISTENCIA.
A precarizacao e uma realidade que afeta nao so o mundo do trabalho, mas as condicoes de 
uma vida digna, nossos bairros e territorios, nossas escolas publicas e universidades e a 
saude do nosso povo. Por isso, e importante o fortalecimento do trabalho de base nas 
escolas, locais de trabalho e comunidades, focando na cultura, educacao e economia popular 
com iniciativas que rompam o corporativismo e construam comunidade organizada.

Dos muitos desafios colocados, buscamos trocar experiencias e debater sobres questoes que 
atravessam a realidade de luta e organizacao da diversidade que sao as classes oprimidas 
de nossa america latina.

Re-afirmamos que o sistema de opressao e patriarcal, colonialista, racista e capitalista. 
Ha 500 anos atras, foi a invasao europeia e o processo da diaspora africana. Hoje sao os 
estados e as empresas extrativistas que ameacam os nossos povos e nosso planeta. Os povos 
negros e indigenas, povos tradicionais, sofrem gritantes violencias institucionalizadas e 
naturalizadas.

Esse sistema de opressao e reconfigurado e legitimado pela figura do Estado atraves do 
feminicidio de mulheres negras e indigenas, exterminio dos povos tradicionais, 
encarceramento em massa do povo negro, industria do carcere, a intensificacao do 
agronegocio, mineradoras, monocultura e toda forma depredatoria da natureza que empobrece 
nossos territorios e obriga a migracao das nossas comunidades.

Nossas tarefas sao o fortalecimento e organizacao das nossas comunidades, fortalecimento 
das lutas etnico- raciais, recuperacao da cultura, espiritualidade e dos valores de 
solidariedade, unidade, respeito aos nossos ancestrais e a natureza, propor espacos de 
encontro e formacao politica constante rompendo com pensamento colonial/eurocentrista, 
criar redes de protecao de defesa dos direitos humanos, fazer denuncia da violencia 
policial e da criminalizacao da pobreza. Reconhecemos o direito de nossos povos de 
autodeterminacao, terra e a vida livre para desenvolver o bom viver. A luta pela 
emancipacao humana e uma luta antirracista.

O avanco do Neoliberalismo e do Conservadorismo reforca a heteronorma e os papeis de 
genero tradicionais e acirra a realidade de violencia do capitalismo, em especial contra o 
povo oprimido LGBTTTQI+, negro e periferico. Essa violencia assume formas diferentes 
conforme as diferentes identidades de genero e orientacoes sexuais dissidentes. Essas 
pessoas tambem sao sistematicamente prejudicadas em seu acesso ao mundo do trabalho, 
moradia e outros direitos. Frente a isso, boa parte dos movimentos que organizam o povo 
dissidente de genero e sexualidade foi cooptada ou esta acerca dos direitos individuais. 
Essa perspectiva individualista aliena a luta das outras identidades sob um ponto de vista 
interseccional. Outra questao e o desmantelamento e a perseguicao do debate de genero e 
sexualidade nas escolas. Assim se coloca a necessidade de organizar a luta em torno de uma 
perspectiva de classe e que considere a especificidade das opressoes sofridas.

Por parte das mulheres temos tomado as ruas, as bases comunitarias, os postos de trabalho, 
as escolas, como espacos de resistencia. As pautas de direito aos corpos e contra as 
violencias permanecem. Entretanto, deve-se chamar a atencao para a presenca massiva de 
mulheres nas lutas contra a reforma da previdencia e outras lutas que tocam todos os de 
baixo. Metodologias feministas e de educacao popular, assim como a garantia de espacos 
seguros, o cuidado coletivo das criancas, a superacao de praticas machistas nas 
organizacoes, educacao sexual integral, cooperativas de trabalho e luta por moradia sao 
exemplos do que se pode fazer e reivindicar entre organizacoes autonomas.

A burocratizacao dos movimentos sociais e um dos grandes problemas na construcao de um 
movimento participativo desde a base. Isso tem gerado uma cultura nao ativa e 
participativa nos sindicatos, associacoes e gremios estudantis, alem de criar a 
profissionalizacao de militantes, pessoas pagas para atuar como lideres de categoria e/ou 
que pretendem alcancar cargos politicos dentro do Estado. Entendemos que para a construcao 
de um movimento realmente combativo e participativo desde a base e preciso que superemos a 
burocracia, buscando ampliar o campo de atuacao dos movimentos sociais de maneira que 
esses possam travar lutas conjuntas e de significado para os seus locais de atuacao. E 
necessario tambem incentivar constantemente a participacao e a formacao militante para 
enraizar os principios de democracia direta, acao direta, autogestao e federalismo.

Vivemos tempos em que as relacoes humanas - tambem o confronto politico - sao mobilizadas 
por afetos. Mas os sentimentos que mobilizam sao cada vez mais pautados pela etica 
neoliberal e pelo capitalismo, e nesse sentido vemos ganhar forca uma forte ofensiva 
conservadora que toma governos e penetra a sociedade de maneira geral. A crise de 2008 
teve um papel importante nesse processo de ascensao da extrema direita. Alimentar esses 
sentimentos de xenofobia, sexismo, racismo, homofobia, preconceito com a pobreza, etc, 
contribui para mascarar o enorme crime financeiro que beneficiou os bancos em detrimento 
de gigantescos sacrificios sociais e economicos.

Frente a essas ameacas, o conjunto de lutadoras e lutadores das organizacoes que constroem 
o ELAOPA, que nunca tivemos ilusoes com governos e nem com saidas conciliadoras dentro do 
sistema assassino, temos diante de nos o desafio de endurecer nossas lutas, intensificando 
o combate ao conservadorismo, nos organizando em defesa das lutadoras e dos lutadores 
sociais e dos DDHH. Temos o desafio de construir uma etica para tempos melhores, construir 
antidotos para as indiferencas, reforcar os lacos de solidariedade para alem das 
fronteiras, desde baixo criar repertorios para uma luta social combativa com autonomia e 
independencia.

Para nos os e as de baixo, esse cenario de ofensiva dos de cima nao e novidade. Assim como 
nao e nova a nossa resistencia. Tudo o que temos foi arrancado com muita luta, suor e 
sangue. Nao nos iludimos e nao conciliamos com governos, ao contrario, organizamos a nossa 
resistencia e a nossa rebeldia, construindo um Povo Forte que nao se intimida e nao se 
acovarda. A lutar e criar Poder Popular!

NAO A INTERVENCAO GRINGA NA AMERICA LATINA!
FORA EUA DA VENEZUELA! PELA AUTODETERMINACAO DO POVO VENEZUELANO!
SE SENTE, SE ESCUTA, ARRIBA AS E OS QUE LUTAM!

https://www.anarkismo.net/article/31350


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