(pt) [Chile] Comunicado de mulheres anarquistas a propósito do dia Internacional da Mulher Trabalhadora By A.N.A. (en)

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Segunda-Feira, 11 de Março de 2019 - 07:17:46 CET


Hoje nossas vozes alcançam as ruas como o fizeram sempre desde o seio da classe 
trabalhadora. As anarquistas avançamos com a memória viva de todas as mulheres que 
proclamaram a anarquia e se rebelaram ante o jugo eclesiástico, estatal e matrimonial. 
---- Em nossos corações permanece vivo o fogo que impulsionou a mulheres como Emma 
Goldman, Louise Michel, Lucía Sánchez Saornil, Virginia Bolten, Luisa Capetillo, Petronila 
Infantes e tantas outras anarquistas a converter-se em oradoras em marchas obreiras, 
lutadoras internacionalistas, gestoras de imprensa escrita por mulheres e para mulheres, 
defensoras de seu povo e seu território contra qualquer sistema de opressão, amantes da 
igualdade como uma forma de relação social em liberdade e forjadoras incansáveis do 
desenvolvimento pleno do indivíduo.

As anarquistas soubemos reconhecer a dupla exploração a que temos sido submetidas as 
mulheres, temos lutado então pela abolição do Estado, do Capitalismo e do Patriarcado. É 
por isso que desde nosso dia a dia insistimos em transgredir as barreiras que nos 
impuseram, mediante a organização horizontal e assembleária, o apoio mútuo e a autogestão. 
Defenderemos pois nossa autonomia e trabalharemos para derrubar todo espaço onde se 
imponha a hierarquia e com ela, a desigualdade e a opressão.

O anterior explica por que insistimos em distanciar-nos de um feminismo que em nome da 
sororidade sustenta apoio às estruturas repressivas do Estado sob o argumento de que 
"nelas também há mulheres". Nosso feminismo não é para policiais nem burguesas mas contra 
as estruturas das quais elas fazem parte.

Abraçamos um feminismo antiautoritário, que renunciando a perspectivas biologicistas sobre 
o gênero, se nutre dos aportes de um feminismo radical mas também anticolonial, 
antirracista. Nosso abraço então é para a mulher mapuche, negra, imigrante que também 
somos e não para as policiais que nos perseguem, golpeiam e criminalizam.

O feminismo que abraçamos é o que advoga por desmontar uma visão antropocêntrica do mundo 
para poder forjar comunidade sem violentar a terra que nos sustenta nem as outras espécies 
que habitam nela.

O feminismo que abraçamos é o que renuncia as imposições reprodutivas que recaem sobre 
nossos corpos e advoga pela despenalização total do aborto.

O feminismo que abraçamos é o que rechaça todo binarismo de gênero e expressão violenta 
contra os corpos que não respondem ao mandato patriarcal e se propõe a livre expressão de 
nossa diversa e complexa sexualidade.

O feminismo que abraçamos é um anticapitalista, pois estamos seguras de que só construindo 
formas horizontais de organização social, deixaremos de ser escravas do sistema 
assalariado. E porque compreendemos o enorme risco de morte em que nos coloca hoje o 
capitalismo extrativista que nutre as corporações e saqueia nossos territórios.

O feminismo que abraçamos é o que luta por visibilizar o trabalho produtivo e reprodutivo 
das mulheres e seu caráter gerador de mais valia, porque só tomando plena consciência 
disso poderemos avançar até uma autêntica greve geral que ponha em xeque os poderosos.

O feminismo que abraçamos é o disposto a construir em autogestão, a lutar pela 
socialização de todos os meios de produção sem mediações nem dirigentes. Não espera nada 
do Estado mais que sua abolição e rechaça quotas de participação no banquete que os 
poderosos se servem às expensas de nossa pobreza.

Desde esse feminismo, nosso chamado é a rejeitar a lógica cidadanista e passiva das 
petições e abraçar a ação direta, quer dizer, a organização autônoma e assembleária para a 
satisfação de nossas necessidades e a transformação radical da sociedade. Transformação 
onde o jugo da hierarquia seja destruído para sempre, abrindo caminho a uma sociedade 
horizontal e verdadeiramente livre.

NEM AMAS NEM ESCRAVAS

ANARCO-FEMINISTAS SEMPRE

Santiago, março de 2019

Fonte: facebook.com/revistaarpillera/

Tradução > Sol de Abril

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