(pt) Para derrotar o governo neofascista a Greve Geral precisa ser também contra o terrorismo de Estado e o genocídio nas favelas By A.N.A.

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 9 de Junho de 2019 - 07:39:56 CEST


A ofensiva sobre os direitos sociais que assumiu sob o governo neofascista e ultraliberal 
Bolsonaro/Mourão sua face mais cruel, caminha em conjunto com a militarização e controle 
dos territórios através da brutalidade policial sobre as comunidades pobres e favelas. 
Estado e capital, partindo de uma lógica supremacista branca, atuam no sentido de ampliar 
os níveis de exploração e precarização ao mesmo tempo em que aterrorizam territórios de 
maioria negra e setores marginalizados do proletariado, com uma política de extermínio que 
se apresenta na forma de guerra racial contra o povo negro e favelado. O neoliberalismo 
combina a retirada de direitos da classe trabalhadora e ataques aos serviços públicos com 
a necropolítica, o genocídio e o terrorismo de Estado. Por isso o aprofundamento da crise 
econômica capitalista possui uma relação direta com a multiplicação dos massacres em 
favelas e comunidades de maioria negra e não-branca. Em qualquer grande ou média cidade do 
país cidade é possível observar a relação direta entre os índices de desemprego e 
precarização com a letalidade policial.

O Estado policial que foi ampliado pelas políticas de segurança pública dos governos do PT 
e PMDB, com o aumento sem precedentes do encarceramento e a até então inédita política de 
ocupação militar de territórios urbanos racializados com as famigeradas UPPs, foi 
institucionalizado pela farsa eleitoral legitimada pela esquerda institucional, através de 
uma descarada fraude que nos conduziu ao governo miliciano de Bolsonaro, sob a tutela 
militar dos generais que outrora comandavam as tropas da Minustah. A invasão do Haiti sob 
o comando das tropas brasileiras que completa 15 anos este mês de junho, com o governo 
petista cumprindo a função de serviçal do imperialismo e conduzindo uma politica de 
massacres, crimes e atrocidades contra o povo haitiano, serviu também como campo de 
treinamento para intervenções militares no Brasil. É simbólico que o Comando Militar do 
Leste treinado no Haiti tenha protagonizado, em abril deste ano no Rio de Janeiro, o 
episódio bárbaro do fuzilamento com 257 tiros do carro da família do músico Evaldo dos 
Santos Rosa, assassinando covardemente Evaldo e Luciano Almeida, catador de materiais 
recicláveis que tentava ajudar a família. A política desastrosa e genocida dos governos 
petistas em relação ao Haiti e a segurança pública talvez seja o exemplo mais objetivo de 
como a colaboração de classes serve de antessala do fascismo, e mesmo tentando provar ser 
capaz de gerir a barbárie neoliberal, o PT foi descartado pela lumpemburguesia brasileira 
com a naturalidade de quem coloca o lixo para fora de casa todas as noites.

O governo Bolsonaro tem uma agenda clara, para além do obscurantismo e do populismo de 
direita, representa o aprofundamento da agenda neoliberal e anti-povo, na sequência do fim 
do paraíso do crescimento econômico proporcionado pelo boom das commodities e início da 
ofensiva do capital a partir da crise capitalista de 2008. Bolsonaro, e sua família de 
patetas milicianos, representam um tipo de bode na sala em um governo instável e com 
frações de direita e extrema-direita em uma luta encarniçada pela gestão e pilhagem do 
Estado apodrecido, ao mesmo tempo em que tentam gerir o país através de um tipo de 
"equilíbrio catastrófico" e tentativas fracassadas de demonstração de força como os atos 
do bolsonarismo de 26 de maio. Por um lado, a agenda ultraliberal de Paulo Guedes, os 
ataques sistemáticos aos serviços públicos, os cortes na educação e a reforma para 
destruir a previdência e o direito a aposentadoria, de outro os ataques contra indígenas e 
camponeses pobres, a tentativa de legalizar as milícias e a pistolagem no campo e o 
"pacote anticrime" do fascista Sergio Moro, para tornar as matanças e massacres nas 
periferias oficialmente uma política de Estado.

A revolta contra esse governo vai tomando seu caminho natural, as ruas. Os grandiosos atos 
do 15M e 30M por todo o país tendo como pauta principal a luta contra os cortes na 
educação, mas expressando também todas as insatisfações populares e preparando a Greve 
Geral de 14 de junho contra a reforma da previdência, abriram o caminho para derrotar os 
ataques neoliberais e o governo Bolsonaro/Mourão. Mas é preciso construir a Greve Geral e 
as próximas lutas para além da domesticação e tutela da esquerda da ordem e das 
burocracias sindicais, ampliar a mobilização de base com assembleias nas categoriais, 
paralisações, greves e atividades de base nas escolas e nos bairros pobres, com uma 
política de agitação e propaganda que massifique e sintetize as pautas contra esse governo 
e amplie a politização para as grandes aglomerações do povo pobre nas periferias, nos 
terminais de ônibus, feiras livres, filas de desempregados, etc.

É fundamental também apostar em uma unidade real entre os setores combativos, que se 
materialize em blocos autônomos e independentes para se diferenciar das entidades 
carcomidas como UNE, CUT, CTB e afins; e principalmente imprimir um caráter combativo às 
ações de rua, para além das passeatas pacíficas com dirigentes, burocratas e políticos 
profissionais se revezando em discursos hipócritas e falas típicas do cinismo 
socialdemocrata, que até outro dia conduzia os ataques contra a classe trabalhadora como 
gerente de turno do capital. A Greve Geral precisa combinar as formas e métodos dos 
diversos setores da classe, a paralisação da produção, dos serviços e da circulação e ao 
mesmo tempo superar os métodos da burocracia sindical e partidária, incorporar as demandas 
e a radicalidade do proletariado marginal, as lutas e revoltas contra a brutalidade 
policial nas comunidades pobres e periferias. Atacar os bancos, os verdadeiros 
interessados em destruir a previdência, queimar os símbolos do capital, erguer barricadas 
e parar o país com métodos combativos. Além dos ataques contra a educação e aposentadoria, 
para derrotar o governo neofascista a Greve Geral precisa ser também contra o terrorismo 
de Estado e o genocídio do povo negro nas periferias. Incorporar a favela, sua 
resistência, duas dores e demandas. É preciso incendiar a casa grande e construir a 
rebelião, abrir caminho com a ação direta das massas e uma agenda popular e revolucionária 
para derrotar o capital, para repartir a riqueza e o poder, construir o socialismo e o 
autogoverno popular.

GREVE GERAL COMBATIVA E PELA BASE CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, OS CORTES DA EDUCAÇÃO E 
O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO!

ABAIXO O GOVERNO REACIONÁRIO BOLSONARO/MOURÃO! CONSTRUIR O CONGRESSO DO POVO! POR UM 
AUTOGOVERNO DAS ASSEMBLEIAS E CONSELHOS POPULARES!

Casa da Resistência, filiada à Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do 
Brasil (FOB). Bahia, junho de 2019.

Fonte: https://georgeamerico.wordpress.com/2019/06/02/greve-geral-contra-genocidio/

agência de notícias anarquistas-ana


Mais informações acerca da lista A-infos-pt