(pt) [França] Não votamos, lutamos! By A.N.A.

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Sábado, 1 de Junho de 2019 - 07:48:01 CEST


Na sexta 17 de maio, Emmanuel Macron, presidente da Repu-blica falou mais uma vez de nós. 
Como sempre, fala para nos calar. ---- Mas, desde 6 meses, existimos. ---- Saímos dos 
bosques, saímos da resignação. ---- Faz seis meses que o presidente quisesse que voltemos 
para nossas casas, que nos acalmássemos, que nos ponhamos em fila. ---- Mas, apesar das 
nossas divergências, apesar de nossa heterogeneidade (ou talvez graças a ela em certa 
medida?) ainda estamos aqui. ---- Declara ter "aportado as repostas às francesas e aos 
franceses no que tinha encaminhado esse movimento". ---- Duas possibilidades, uma só 
resposta: ---- A - Macron é um idiota ---- B - Macron nos confundem com idiotas
Resposta B, obviamente. Macron não é estupido, é simplesmente ávido de poder e como 
qualquer chefe, como qualquer burguês, busca antes de tudo a proteção dos seus 
privilégios, os da classe poderosa. Porém, nossa principal reivindicação é clara desde o 
início: MACRON DEMISSÃO.

Macron diz ainda que para "as e os que seguem hoje[a se manifestar], não há saída 
política". Chama ao "calmo", incita a cada um/a a "reencontrar o curso da sua vida" e a 
"expressar suas divergências de opinião (...) nos tempos previstos pela democracia, os do 
voto". Se não há "saídas políticas", para que iríamos a votar? Hmmm?

O dizemos desde o início do movimento: não queremos mudança de políticos, não queremos 
trocar Macron por Le Pen (extrema direita) ou Mélenchon (extrema esquerda) ou por qualquer 
outro. Queremos outra coisa. Não precisamos de chefe, de liderança, não queremos 
representante, um boneco oportunista para fundar um novo partido. O dizemos desde o 
início: nosso movimento se encontra fora da política institucional, fora dos partidos, dos 
sindicatos, não queremos nos tornar "parceiros sociais" do poder que somente servem a 
confortar a imagem democrática do sistema e preservar a ordem estabelecida.

As listas etiquetadas "Coletes Amarelos" para as eleições de representantes no parlamento 
europeu são pura recuperação política. São tentativas de nos fazer entrar na fila, como os 
pressuposto/as representantes dos Coletes Amarelos que anunciam as manifestações na 
prefeitura. Tudo isso aponta a um retorno à normalidade passando por outro meio que o 
método policial: o que se busca é manter a ordem mudando simplesmente algumas cabeças.

Mas não queremos algumas migalhas soltadas com relutância pelo poder político, nós 
queremos uma revolução social. Uma mudança profunda que nos desborda tanto quanto Macron 
(ele gostaria que nos contentássemos de dialogar com seus ajudantes, que criássemos listas 
eleitorais, que perpetuássemos o sistema contra o qual lutamos...).

Explorado-as e dominado-as aqui e ao outro lado do mundo pelos mesmos político-as, os 
mesmos capitalistas, nossas perspectivas da mudança social não são "simples" porque há que 
dar volta a tudo, aqui como em outros lugares. Nossas soluções não entram nas caixas 
legais do sistema e entendemos muito bem que se o poder nos coloca entraves em cada 
iniciativa autônoma, em cada momento que sai do controle. Mas, não soltaremos o assunto: 
assembleias, ocupações de rotatórias, construção de cabanas, manifestações, ações de todo 
tipo, vivemos doravante através da luta contra esse sistema baseado sobre as desigualdades 
sociais, mas, vivemos também o apoio mútuo, a auto-organização, a experimentação social.

Somos o presente e o futuro.

No dia 26 de maio, não iremos a votar.

Temos coisas muito melhores que fazer.

Maio de 2019, Paris.

Coletivo Coletes Amarelos Rungis Île-de-France

Tradução > Enkapuzado Edições

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