(pt) Coordenação Anarquista Brasileira - CAB: Pela autogestão dos Territórios Ka'apor! Contra a criminalização e as perseguições! Pela autodeterminação de seus territórios!

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Terça-Feira, 30 de Julho de 2019 - 08:43:39 CEST


O povo ka'apor, povo guerreiro, é oriundo do grande grupo Tupi. Desde tempos imemoriais se 
territorializaram entre o Médio Xingu e Baixo Tocantins. As frentes de expansão do Estado 
brasileiro, materializadas em um colonialismo interno, em conjunto com conflitos 
inter-étnicos resultaram em um longo processo de migração e deslocamentos forçados deste 
povo. Vítimas diretas da fronteira agrária brasileira se somam a milhares de pessoas 
refugiadas do desenvolvimento. ---- Atravessaram o Rio Tocantins, passaram pelo Rio 
Acará-Mirin, deslocaram-se pelo Rio Guamá e Rio Capim até chegarem no Rio Coaraci. 
Enfrentaram batalhas com não-indígenas e agentes do Estado até chegarem no seu território 
atual entre o Rio Turiaçu e Rio Gurupi, noroeste do  maranhense. Hoje contribuem para 
manter viva uma das últimas áreas de floresta primária na Amazônia Oriental. Sua população 
total é hoje de 1.900 indígenas distribuídos em 17 aldeias e numa série de áreas de 
proteção ambiental criadas em função da ação de madeireiras. Seu território é de 530.524 
hectares sobrepostos em 06 municípios. Fronteiras administrativas criadas pelos brancos em 
função de suas disputas político-econômicas que não levou em consideração as 
territorialidades precedentes do Povo Ka'apor.

Em 1977 inicia-se o processo de demarcação de seus territórios. Foi concluído 1979. E só 
homologado em 1989. Mas, por conta do processo de grilagem de terras e de políticas 
sistemáticas de violência que foram submetidos os Ka'apor grandes extensões de terra foram 
excluídas da demarcação beneficiando projetos agropecuários e madeireiros na região.

Desde o período de sua homologação o Estado Brasileiro levou seus agentes para dentro do 
território para iniciar a política do "amansar" para "integrar". Levando ações que ameaçam 
sistematicamente o povo e o seu território. Desde os chamados "projetos produtivos" que 
procuram inserir o Povo Ka'apor nos circuitos produtivos da economia capitalista 
procurando um "lugar na produção" para eles transformando-os consequentemente em "pobres". 
Até "planos de manejos" de roças grandes, inserção da cultura de pastos e o estímulo a 
venda ilegal de madeira.

Em meados de 2007 o Povo Ka'apor começou a se reunir, conversar sobre seus problemas em 
comum. E através de atividades de educação e valorização da sua cultura começam 
identificar situações adversas que têm ameaçado a voz do seu povo no seu território e a 
necessidade de resistência através da retomada dos rituais ou valorização de sua educação. 
Lideranças de seu povo realizam visitas às aldeias e paralelamente ações de vigilância no 
seu território. Este processo se intensifica em 2013. Em setembro deste ano na margem 
direita do Rio Gurupi, um grupo de indígenas Ka'apor se envolveu num grande conflito com 
madeireiros; fecharam o primeiro ramal destes sujeitos que contrabandeavam toras.

Desde então quando iniciaram uma longa jornada de vigilância no seu território. Em função 
disso em 2014, Aldeia Yparenda é invadida, com agressões e tiros. Foram baleados 8 
guardas-florestais Ka'apor. Em fevereiro de 2015 os Ka'apor criaram 7 áreas de proteção. 
Em abril desde mesmo ano, Euzébio Ka'apor é assassinado. Posteriormente, em dezembro de 
2015, quando os guardas-florestais trabalhavam para apagar incêndios criminosamente 
provocados por madeireiros são surpreendidos com ataques resultando em dois indígenas, 
seguido por uma nova invasão de aldeia. Em fevereiro de 2016, Iruna Ka'apor é sequestrado 
por madeireiros e nenhum órgão do Estado conseguiu até hoje encontrá-lo. Durante o ano de 
2016, através de órgãos do Estado, investem na divisão de lideranças para facilitar a 
invasão do território pelos madeireiros e projetos de "desenvolvimento" da região contando 
com a anuência e conivência de agentes públicos.

Em função desses ataques de madeireiros e fazendeiros com anuência do Estado brasileiro, o 
Povo Ka´apor decide radicalizar sua organização política e criam um Conselho Gestor de 
seus territórios com sete lideranças indígenas fazendo valer o princípio de sua 
autodeterminação.

Sua luta pela autodeterminação e autogestão de seus territórios vive constantemente 
ameaçada. Seja pelo Estado em nível estadual ou federal ou pelas frentes econômicas que se 
friccionam em seus espaços. No mês de junho de 2019, entre os dias 20 e 21, a guarda de 
autodefesa Ka'apor expulsou 10 madeireiros que retiravam madeira em um ramal da Terra 
Indígena; expropriaram seus pertences e máquinas., dentre as pessoas, inclusive, um irmão 
de vereador do munícipio.

A política "ambiental" irresponsável do governo de Flávio Dino, sem anuência e respeito ao 
Conselho e a Guarda Ka'apor, decidiram fazer uma "operação" em outro ramal do território. 
Foram recebidos à bala pelos madeireiros, e na troca de tiros um policial foi ferido e um 
morto do lado dos madeireiros. Neste sinistro, o Estado do Maranhão e os madeireiros 
começaram a acusar os guerreiros Ka'apor. Seu território foi sitiado por pistoleiros e 
policiais. O direito de ir e vir nas aldeias foi atacado.

Neste mês de julho a Sociedade Maranhense pelos Direitos Humanos acompanhou duas 
lideranças na justiça federal que trata de uma invasão em 2014/2015 em outro caso de 
agressão a um grupo da guarda. O juiz acatou o pedido da acusação e botou em acareação as 
duas lideranças e seus agressores. Resultado: os dois estão sendo perseguidos. Tiveram que 
retornar escondidos, de madrugada, para entrar clandestinamente em suas aldeias. Isso 
praticamente se converteu em uma sentença de morte as duas lideranças.

Por isso, nós da Coordenação Anarquista Brasileira, exigimos o fim da criminalização dos 
Povos Indígenas do Maranhão e defendemos o direito desses povos ao seu território autônomo 
e horizontal.

Fora o Governo Dino, Fazendeiros e Madereiros das Terras Indígenas dos Ka'apor!

https://anarquismo.noblogs.org/?p=1119


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