(pt) Coordenação Anarquista Brasileira - CAB: Em 17 de julho de 1936, o general Francisco Franco promove um golpe de Estado.

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Sexta-Feira, 26 de Julho de 2019 - 07:06:39 CEST


Em tempos de ascensão de Mussolini na Itália e de Hitler na Alemanha, o general Franco 
mobilizava o repertório fascista: militarismo, um fundamentalismo católico e um rastejante 
nacionalismo. A resposta não tardou e veio "de baixo". O 19 de julho marca a reação 
antifascista com a tomada de quartéis, tendo adesão de soldados, com o povo e suas 
organizações levantando-se em armas e tomando para si a gestão dos territórios. ---- A 
guerra civil espanhola (1936-39) será também uma revolução em suas realizações econômicas 
e sociais. Um significativo capítulo da capacidade política de trabalhadores e 
trabalhadores tomarem para si a gestão de suas vidas em suas mais amplas dimensões. Nas 
regiões controladas pelos trabalhadores, especialmente aquelas tendo a CNT como força 
organizadora, a exemplo das regiões de Aragão e da Catalunha, várias experiências foram 
exitosas no campo e na cidade orientadas por horizonte socialista e libertário. Mesmo em 
meio a uma guerra, com todos os obstáculos que a geopolítica mundial desenhava, as 
coletivizações agrárias elevam a produção e a condição de vida dos camponeses, assim como 
a produção industrial experimenta também bons resultados. O agrupamento Mulheres Livres 
ganha força e cobra o lugar das mulheres na luta armada, na retaguarda e nas decisões 
políticas. Em diversas outras áreas e serviços (distribuição e abastecimento, transporte 
público, saúde etc.) a gestão ocorre com significativa participação e controle dos 
trabalhadores e trabalhadoras. A produção cultural ganhou também em efervescência. As 
práticas federativas e autogestionárias, semeadas por décadas de lutas de destacada 
presença anarquista, dão seus frutos.

O grande dilema da Espanha em 1936 era como ganhar a guerra sem rifar a revolução. Para 
além do papel de socialistas reformistas, de burgueses republicanos e da própria URSS, é 
fato que a hesitação ou mesmo a capitulação de dirigentes anarquistas da CNT-FAI, 
resultaram no fim de uma das mais significativas experiências de luta dos trabalhadores. 
Que fiquem as lições.

No tempo presente, no Brasil e em várias partes do mundo, vivenciamos a ascensão de 
grupos, partidos e governos que tensionam para uma extrema-direita. Governos e grupos 
políticos que têm no fascismo parte de seus repertórios para a ação política. Um presente 
também em que a democracia liberal é, mais do que nunca, tragada pela gula dos mercados 
financeiros.

Estamos em guerra com os mercados financeiros, as oligarquias locais e as ilusões da 
democracia liberal. Trazer a memória da Espanha de 1936 é redobrar nossas energias para um 
projeto de poder que ultrapasse as formas burocráticas e liberais de se fazer política.

Viva a ação direta e a auto-organização do povo!
Viva a Revolução Espanhola!
Poder popular, antes, hoje, sempre!


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