(pt) [Grécia] Um Festival Anarquista em todas as cidades | Relato do 5° Festival do Livro Anarquista em Patras By A.N.A. (en)

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Segunda-Feira, 1 de Julho de 2019 - 07:05:31 CEST


Nos dias 30-31 de Maio e 1o de Junho aconteceu a 5° Festival do Livro Anarquista no centro 
da cidade de Patras (em Esperos, na praça King George). Durante esses três dias muitas 
pessoas passaram pelo local do Festival, estabelecendo contato com livros 
anarquistas/radicais e participando em eventos políticos e culturais, numa organização 
particularmente bem sucedida, tanto política quanto logisticamente, assim como no que diz 
respeito à aceitação do evento. Assim, uma área livre do Estado e do Mercado se formou, um 
espaço público que se transformou em local para encontros e debate, interações e 
criticismo. ---- Como havíamos mencionado também na chamada política do evento:
"O objetivo desse festival é o de destacar a riqueza dos conceitos anarquistas, 
libertários e anti-autoritários e difundir essas ideias na sociedade, em especial para os 
jovens ao redor da cidade. Isso é particularmente importante em um período em que 
prevalece a propaganda do Estado contra aqueles que optam pela autogestão e pelas 
iniciativas grassroots enquanto meios de luta, e o racismo, o canibalismo social e o 
retorno ao fascismo são apresentados como as únicas alternativas para superar a crise 
atual. Ao mesmo tempo, mesmo dentro de movimentos de resistência, o debate político e a 
troca de ideias para alcançar uma análise mais profunda são tratadas com desprezo; nós 
acreditamos, portanto, que a promoção da educação autônoma, da investigação política e 
teórica e a preservação da memória da classe trabalhadora contra o anarquismo de estilo de 
vida e o hooliganismo político são de importância primordial para a reconstrução ampla de 
um movimento radical e revolucionário".

Em tempos de retrocessos radicais, onde a individualização e fragmentação da resistência 
parecem predominar na sociedade, nós consideramos muito importante a construção de tais 
eventos, organizados horizontalmente já da sua base, através dos quais pessoas de qualquer 
idade têm a oportunidade de se aproximar da riqueza das ideias anarquistas de uma forma 
direta e não mediada, livre das distorções da classe dominante.

O primeiro dia teve inicio com a apresentação da segunda rodada dos eventos sobre "Ideias 
Libertárias na Literatura" (a primeira rodada se deu em Novembro de 2018, como parte dos 
eventos comemorativos dos 5 anos do Centro Social Autogerido "Epi ta Proso"). O evento 
começou com a contribuição de um companheiro do "Epi ta Proso", com o seguinte título: 
"Derrubando o mito do Super-Herói: O Cavaleiro das Trevas a serviço da Soberania do 
Estado", além da apresentação da HQ "Adeus, Batman", da editora Red'n'noir, de Tasos 
Theofilou. Depois desses eventos, seguiu-se a apresentação do livro "As aventuras de 
Nono", de Jean Grave e Modern School, pela editora Stasi Ekpiptondes. Ambos os eventos 
direcionaram criticas tanto ao papel dos super-heróis (na medida em que eles são 
construídos pela classe dominante) quanto aos contos de fadas e à educação libertária.

Foi durante o segundo dia que se deu uma apresentação muito interessante do livro "Quando 
o galo chorava no escuro...", uma antologia de textos anarquistas escritos entre 
1971-1978, editada por Michael Protopsaltis, da editora Vivliopelagos, assim como um vídeo 
chamado: "Os anarquistas nos anos 70. A luta da memória contra o esquecimento é uma luta 
contra o poder." Do vídeo seguiu-se uma discussão sobre os anarquistas desse período, seus 
textos e suas falas e terminamos com uma conclusão útil sobre o presente. O dia terminou 
com um "rebetiko" visando o suporte financeiro da Feira, que se deu nas "escadas de 
Patreo", onde muitas pessoas participaram.

O terceiro e último dia do Festival começou com a apresentação do livro "As últimas chamas 
da Resistência. Uma estória de um lutador da Volante Rossa", da editora Diadosi, 
apresentação que foi seguida de um testemunho em vídeo, de Paoli Finardi, cujo título era 
"Nós fizemos o que tivemos que fazer". O Festival terminou com uma apresentação de hip-hop 
que visava o apoio econômico para o Festival, com a presença dos grupos TNT 
(Rationalistas), Penthimos/Clown, Spira & KK, DJ Gzas e Hiphopathi. Esse show foi o melhor 
fechamento possível para o Festival, cheio de sons, poesia, slogans e estórias da estrada 
e da luta pela revolução.

Concomitantemente à feira de livros, que se deu durante os três dias do festival, houve 
uma exibição contendo pôsteres políticos, uma galeria fotográfica, livros 
políticos/radicais, textos e revistas do movimento anarquista/antiautoritário, assim como 
camisetas, cujas vendas se destinaram à reconstrução do okupa "Libertatia", em 
Tessalônica, que foi queimada por fascistas em Janeiro de 2018.

Enquanto membros do Centro Social Autogerido "Epi ta Proso"[1], nós gostaríamos de 
agradecer a todos aqueles que responderam positivamente ao nosso convite para participarem 
no 5o Festival do Livro Anarquista (coletivos editoriais, autores, grupos políticos, 
grupos musicais, camaradas que apoiaram os eventos com a sua presença e todos e todas que 
mostraram interesse pelo Festival). A ótima resposta que o Festival teve esse ano é também 
graças a aqueles camaradas que nos apoiam desde o primeiro ano em que o Festival ocorreu, 
assim como os novos adeptos que aprenderam sobre o Festival e reconheceram a importância 
de apoiá-lo ao longo dos anos. Sem todas essas pessoas e os projetos que elas formam, tal 
organização não seria possível.

No que diz respeito a nós, podemos afirmar que vamos continuar promovendo formas de 
comunicação e expressão autônomas e não mediadas assim como espaços igualitários, 
horizontais e coletivizados, com a crença de que a forma com que lutamos deve estar 
diretamente relacionada com o mundo que desejamos construir com a revolução. Vamos 
continuar intervindo em busca da emancipação, em uma variedade de temas e problemas que 
tem relação direta com as nossas vidas e com o impacto que os planos e decisões das 
classes dominantes - políticas e econômicas - têm sobre as nossas vidas.

Contra a crença da representação, contra toda ilusão eleitoral que cultiva submissão e 
abdicação, nós reconhecemos que esse Festival foi apenas mais um momento, mais uma peça na 
luta que nós, enquanto anarquistas, assumimos, por uma sociedade liberada dos grilhões do 
Estado e do Capitalismo, por um mundo de equidade, solidariedade e liberdade.

Essa luta vai continuar...

Centro Social Autogestionado "Epi ta Proso" | Rua Patreo, 87 - Patras, Grécia

epitaprosw  gmail.com/epitaprosw.espivblogs.net/anarchistbookfairpatras.wordpress.com/en/

[1]Esse era o nome de um jornal anarquista, publicado entre 1896 e o começo do século XX 
na cidade de Patras. O grupo de anarquistas que publicava o jornal tinha o mesmo nome; 
alegadamente, eles foram os primeiros grupos anarquistas-comunistas do país. Epi ta Proso 
pode ser traduzido livremente como "Seguindo adiante".

>> Mais fotos:

https://anarchistbookfairpatras.wordpress.com/2019/06/16/an-anarchist-festival-in-every-city-correspondence-from-the-5th-anarchist-book-festival-in-patras-greece/

Tradução > Ruídos da Natureza

agência de notícias anarquistas-ana


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