(pt) [Peru] Pronunciamento anarcofeminista contra a xenofobia e o patriarcado. Nem fronteiras, nem bandeiras! By A.N.A. (ca, en)

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Terça-Feira, 1 de Janeiro de 2019 - 07:51:28 CET


A chegada de migrantes venezuelanos produziu um arcaico sentimento patrioteiro e 
nacionalista em diversos setores da sociedade peruana, que se vê traduzido em xenofobia, 
intolerância e racismo contra as pessoas recém chegadas. Um discurso inaceitável entre 
ativistas e coletivos que aspirem a construir uma sociedade menos violenta contra as 
pessoas mais vulneráveis. Por isto, as anarcofeministas nos pronunciamos[no Dia 
Internacional do Imigrante, comemorado na sexta-feira, 15 de dezembro]: ---- A migração é 
um fenômeno completamente normal ao longo da história humana. Assim como nossas mães e 
avós chegaram a Lima décadas atrás fugindo da violência e da miséria do interior do país, 
encontrando-se com racismo e discriminação por parte dos limenhos, agora os venezuelanos 
vem buscando um melhor porvir para suas famílias. Também como muitos peruanos que saíram 
do país. Não devem ser objeto de violência por parte dos governos, das forças policiais e 
muito menos de alguns setores intolerantes da sociedade.

Se esgrime o argumento de que uma maior quantidade de pessoas em Lima, ávidas de conseguir 
um trabalho decente, incrementará o desemprego, ao ter que competir mais pessoas entre si. 
Este argumento banal contradiz totalmente a lógica de qualquer movimento anticapitalista, 
no qual se tem bem claro que OS VERDADEIROS CULPADOS DO DESEMPREGO E A EXPLORAÇÃO SÃO 
EMPRESÁRIOS E POLÍTICOS. Os primeiros por aproveitar-se da miséria de peruanos e migrantes 
para optar por pagar salários cada vez mais desumanos e os segundos por debilitar cada vez 
mais os direitos laborais, dando mais ferramentas aos exploradores. Não é necessário 
recordar que a exploração capitalista é um fenômeno mundial, pelo que AS E OS 
TRABALHADORES DE TODAS AS NACIONALIDADES DEVEM UNIR-SE CONTRA OS EXPLORADORES.

Ante o discurso patrioteiro de suposta defesa do território contra a "invasão" migrante, 
cabe recordar que AS FRONTEIRAS SÃO UMA INVENÇÃO DA BURGUESIA PARA DIVIDIR AS E OS 
TRABALHADORES. O DISCURSO XENÓFOBO É FUNCIONAL AO CAPITALISMO, porque nada deixa mais 
alegre o empresário explorador que ver os pobres lutando entre si em vez de unidos lutando 
contra ele.

Também resulta irônico que este discurso trumpista[Donald Trump]tenha calado entre 
ativistas e movimentos supostamente "antissistema" e "anticapitalistas" que parecem ter 
esquecido o internacionalismo e a solidariedade de classe. No cúmulo da incoerência, 
muitos põem como exemplo as políticas migratórias de governos capitalistas e racistas que 
reprimem a seu próprio povo, como o Chile de Piñera, os Estados Unidos de Trump e o futuro 
Brasil de Bolsonaro.

A respeito das migrantes em particular, por sua condição de mulheres que são estrangeiras 
em uma sociedade machista e misógina como a daqui, se encontram em uma SITUAÇÃO DE DUPLA 
VULNERABILIDADE. Mostra disso é que duas mulheres venezuelanas foram violadas por 
policiais, casos que continuam impunes. Do mesmo modo, desde sua chegada, as venezuelanas 
foram objeto de assédio e estereótipos racistas e machistas, a respeito de suas 
aparências, para assim minimizar os casos de violência de gênero perpetrados contra elas. 
As venezuelanas foram coisificadas sexualmente por parte dos meios de comunicação e as 
redes sociais, reproduzindo-se nelas em maior grau os mesmos preconceitos que com as 
peruanas. Da mesma forma, lamentavelmente, muitas migrantes são exploradas sexualmente por 
máfias que as despojam de seus documentos, sabendo que qualquer crime contra elas cairá na 
impunidade. Algumas são separadas de seus familiares, de suas filhas. A maioria destas 
mulheres não tem o respaldo estatal. As feministas devemos estar alertas contra as ameaças 
do patriarcado para com as migrantes porque A SORORIDADE E O FEMINISMO VÃO DE MÃOS DADAS 
COM O INTERNACIONALISMO.

Enquanto os setores que dizem preocupar-se pelo incremento da população que poderia 
acarretar desemprego e pobreza, resulta curioso que chamem à violência contra as pessoas 
migrantes, quando estes mesmos coletivos têm sustentado um discurso antidireitos contra a 
DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO e do ENFOQUE DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO, medidas que realmente sim 
serviriam para controlar a população sem necessidade de exercer violência contra ninguém.

Para terminar, se bem como anarquistas nos opomos às instituições e os governos 
opressores, sim vemos como um avanço social o reconhecimento dos direitos dos setores 
vulneráveis da sociedade, como as mulheres, as pessoas LGTBI, as obreiras, as indígenas, 
camponesas e também as migrantes. Portanto, repudiamos qualquer evento de suposto protesto 
contra qualquer política que proíba ao Estado, à Polícia repressora e as instituições, a 
exercer violência e discriminação contra as e os migrantes.

Estaremos alertas contra qualquer discurso de ódio que surja para desmascará-lo.

SORORIDADE COM AS MIGRANTES

NENHUM SER HUMANO É ILEGAL

ABAIXO AS FRONTEIRAS

Coletivo AnarcoFeminista - Lima

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana


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