(pt) federacao autonoma FAT: MASSACRE NA FAVELA DE PARAISÓPOLIS

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Terça-Feira, 10 de Dezembro de 2019 - 07:32:51 CET


Na madrugada de 01/12/19, aconteceu durante um baile funk em Paraisópolis, um grande massacre deliberado pelo Estado. Policiais à pretexto 
de estarem em uma perseguição a dois suspeitos em fuga que se misturaram ao fluxo de 5 mil pessoas naquele baile, e de terem recebido 
garrafas e balas em sua direção, emboscaram em ofensiva, todas as pessoas que estavam em suas casas, comércios ou nas ruas do bairro onde 
acontecia o baile funk, levando bombas, tiros, pancadas, tendo as casas invadidas, e um saldo final de 9 pessoas mortas,( pisoteadas pela 
multidão) segundo as primeiras reportagens sobre o fato. Versão desmentida pelos moradores de Paraisópolis como podemos ver em reportagem do 
site Viomundo: ---- Falando para o Viomundo na condição de anonimato, por temerem represálias dos policiais, moradores contam que as vítimas 
não morreram pisoteadas como a mídia chegou a informar inicialmente.

De acordo com relato das testemunhas, os jovens foram muito espancados e teriam sido asfixiados pelo gás lacrimogêneo e spray de pimenta ao 
serem encurralados em uma das vielas da favela.

A maioria dos mortos não morava em Paraisópolis, segundo os moradores.
Por não conhecerem as ruas da favela, correram justamente para uma viela que não tinha rota de fuga.

Uma senhora conta que os corpos ficaram espalhados pelo chão, vários deles na escada que dá acesso ao beco.

"Não consegui dormir depois das cenas que vi. Foi desesperador ver o que esses meninos passaram. Os PMs bateram sem dó. Mataram na porrada e 
com spray de pimenta e bombas de gás. Não foram pisoteados", revela.

"Os meninos pediam socorro, estavam passando mal. Tinha muito gás lacrimogêneo, não dava para respirar. Sete já saíram daqui mortos. Alguns 
estavam com os lábios roxos."

A moradora também desmente a versão policial de que os PMs perseguiam uma moto quando deram de cara com o baile funk.

"A história da moto é mentira, balela. Não tinha moto nenhuma."
Outro morador que concordou contar o que viu, sem revelar o nome por temer pela vida, também contesta a versão policial.

"O que o delegado está falando é mentira. Eles já vieram determinados a matar a meninada na maldade. Encurralaram e bateram com cacetete de 
madeira na nuca, nas costas. Foi um massacre."

Ele explica que viaturas da Força Tática teriam chegado primeiro ao local e só posteriormente é que chegou o reforço da Rocam, a ronda 
motorizada.
O morador também afirma que ninguém que estava no baile atirou contra os policiais. "Eles dizem que foram recebidos à bala, mas não foram."

As únicas 3 saídas possíveis do baile de rua foram fechadas, e afunilaram o cerco mais e mais sem deixar ninguém passar, violenta e 
progressivamente, quem tentava romper o cerco se deparava com policiais vindo de encontro, cacetadas gratuitas, e tiros até mesmo de munição 
letal, além de xingamentos e ofensas, nos vídeos é possível ver multidões se espremendo encantoadas nos becos e a polícia batendo com os 
cassetetes sem escolher à quem, em um dos vídeos, filmado por moradores da favela através das frestas de uma janela, mostra-se um grupo de 
policiais cobrindo de chutes um jovem caído no chão, no vídeo se misturam o som dos gritos do jovem covardemente agredido por mais de um PM 
sem nenhuma chance de defesa, e a respiração ofegante de quem filma impotente e desesperado 
(https://player.r7.com/video/i/5de3f200416eb9a05b000437). Não houve confronto, Houve massacre!

A Barbárie foi tanta, que mesmo nas abordagens mais moderadas da grande mídia o objeto está sendo a violência policial gratuita e 
generalizada, todos os relatos e vídeos só dão conta disso, invadiram as casas e comércios, agrediram sem escolher alvo, e surgem também 
agora os relatos de que as ameaças aconteciam já durante as rondas na comunidade, como contou o Músico Marcos Forlan, o MC Sacana, ao ser 
abordado por dois policiais, há duas semanas, quando entrava num supermercado: "Eles perguntaram o que eu fazia e eu fui falando... Quando 
falei que era ator e MC, eles já me ameaçaram naquele tom: _ MC também morre de vez em quando!".

Um morador ouvido pelo site Viomundo afirma que dias antes do massacre, áudios recebidos no whatsapp por ele e outros moradores alertavam 
para a chacina que estava prestes a ocorrer.

"Recebemos áudios dizendo que a polícia ia fazer uma tragédia na comunidade Paraisópolis de vingança. Mas ninguém acreditou."

Ele não aceita a postura do governador João Doria (PSDB) frente ao massacre.

"O Doria mora aqui do lado, no Palácio (dos Bandeirantes). Não adianta dizer que lamenta. Ele está dando apoio para que isso aconteça. A 
Polícia Militar tem uma facção miliciana."

Conforme relatos de moradores, o episódio de domingo ocorre após um mês inteiro em que policiais militares vem fazendo ameaças diárias aos 
habitantes da favela segundo reportagem da Folha de São Paulo. Ainda segundo a reportagem, O motivo seria represália à morte do Sargento da 
PM Ronald Ruas, ocorrida 1º de novembro de 2019 como é relatado no trecho a seguir:

Folha de São Paulo: "Ruas, de 52 anos, morreu após ser baleado na barriga durante uma troca de tiros, na avenida Professor Alcebíades 
Delamare, nas imediações de Paraisópolis. No dia seguinte, sem mencionar a morte do sargento, o comandante geral da PM, Coronel Marcelo 
Vieira Salles, postou nas redes sociais que a comunidade seria alvo de uma "Operação Saturação", como são chamadas ações com a presença 
massiva de policiais. No comunicado, Salles dizia que "centenas de policiais militares" de diferentes unidades intensificariam o 
policiamento no bairro, "sem previsão de término"".

https://federacaoautonoma.wordpress.com/2019/12/03/massacre-na-favela-de-paraisopolis/


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