(pt) [Espanha] Ante a cúpula climática de Madrid 2019 By A.N.A.

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Domingo, 8 de Dezembro de 2019 - 06:55:59 CET


[Superar o capitalismo para salvar o planeta] ---- No passado 1º de novembro, a Mesa de Governo da Conferência das Partes da 
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática decidiu que a próxima cúpula do clima de 2019 (COP25) se celebrasse na cidade 
de Madrid, sob a presidência do Chile e o apoio do governo espanhol. ---- Nenhuma destas cúpulas serviu para frear a crise climática. Os 
compromissos aos quais chegam os países não se cumprem e outros tantos continuam desenvolvendo políticas que atentam contra o planeta. Mas 
não se trata só de analisar que políticas praticam que países com mais ou menos hegemonia na geopolítica internacional. Há um problema 
central que é a raiz que causa a crise climática, e que os estados não vão colocar: o sistema econômico capitalista.

Um terço das emissões de carbono são emitidas pelas grandes empresas de combustíveis  fósseis como o petróleo, o gás natural ou o carvão. 
Empresas como Saudi Aramco, Chevron, Gazprom, Exxon Mobil, National Iranian Oil Co, BP etc.[1]A contaminação através deste tipo de energia 
está intrinsecamente relacionada tanto com a extração e o processamento do produto como com seu uso na indústria e no transporte e na 
emissão final dos diversos tipos de gases contaminantes na atmosfera. Estas empresas estão distribuídas por todo o globo, pelo que não é um 
problema local de uma zona concreta do planeta. É um problema a nível internacional nos cinco continentes. E muitas destas empresas estão 
radicadas precisamente em países que não acatam as decisões que se tomam nas cúpulas. Ademais, estes tipos de empresas formam lobbies e 
grupos de pressão para forçar os governos a que desenvolvam políticas que as beneficiem economicamente.

E não são só as clássicas empresas de hidrocarbonetos e combustíveis fósseis as que contaminam. O uso das novas tecnologias e a adaptação do 
trabalho, a produção e o consumo da nova era digital trarão consigo a necessidade da exploração, processamento e comercialização de minerais 
como o lítio, vanádio, berilio, germânio, nióbio e outros minerais raros[2]. As novas tecnologias são um setor estratégico na geopolítica 
internacional, dado que as economias das sociedades desenvolvidas vão depender dos produtos derivados destes minerais. E mais, muitas das 
energias limpas que podem se desenvolver em um futuro vão depender integralmente destes minerais. Para extrair e explorar este tipo de 
minerais, se devastam centenas de milhares de quilômetros de terreno, arrasando ecossistemas inteiros e deslocando sociedades, destruindo 
suas formas de vida. A consequente dependência econômica dos países desenvolvidos deste tipo de minerais vai requerer acelerar a devastação 
que já se dá em continentes como África, América ou Ásia.

O processo de degradação climática não se deve a causas naturais, está ligado intrinsecamente com o sistema econômico capitalista. O 
processo de industrialização do século XIX, a exploração do combustível fóssil, a exploração da mineração em grande escala, assim como as 
grandes empresas e governos que se beneficiaram explorando o planeta até superar sua capacidade de regeneração, são os culpados diretos da 
degradação ambiental atual.

E na península ibérica já se notam consequências[3]como:

* Diminuição das chuvas de forma consecutiva.

* Aumento da temperatura: mais frequência de dias com temperaturas máximas e extremas.

* Diminuição da bacia hidrográfica, que tem como consequência direta a diminuição de recursos hídricos.

* Mais facilidade de adaptação de espécies invasoras tropicais.

* Desertificação da península com a consequência da perda de solo fértil.

* Aumento dos incêndios.

* Aumento da temperatura do oceano com a consequência direta da acidificação e a modificação da distribuição das espécies marinhas.

O planeta tem um problema grave, e este é o capitalismo. Os compromissos e certas políticas que se possam adotar nesta e posteriores cúpulas 
climáticas não vão acabar com o problema. Os estados seguirão beneficiando as grandes companhias antes citadas e as grandes indústrias 
elétricas, como aconteceu na Espanha com o polêmico "imposto do sol". A COP25 dá por fato que a mudança do clima é inevitável, pelo que é só 
uma engrenagem do sistema capitalista para garantir que este continue se desenvolvendo e se adaptando a novas exigências pela mudança das 
condições climáticas.

O planeta só pode salvar-se mudando o modelo produtivo e de consumo por um modelo socialista que esteja focado nas pessoas e no planeta, e 
não nos interesses geopolíticos dos estados ou das grandes corporações empresariais. Um modelo econômico que:

* Respeite a natureza e a biodiversidade.

* Que socialize os meios de produção com o fim de superar o sistema capitalista.

* Que o gestionem os trabalhadores por si mesmos através de federações de produção e consumo.

* Baseado na cooperação entre pessoas e sociedades, nunca na competição.

* Com um modelo científico a serviço das pessoas e da biodiversidade do planeta.

Pela anarquia.

[1]https://www.theguardian.com/environment/2019/oct/09/revealed-20-firms-third-carbon-emissions

[2]https://www.elmundo.es/papel/historias/2019/09/26/5d8b7ca121efa0c7778b4614.html

[3]https://www.nationalgeographic.es/medio-ambiente/2017/10/el-cambio-climatico-en-espana-impacto-y-consecuencias

Grupo Anarquista Tierra

Federación Anarquista Ibérica (FAI)

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana


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