(pt) Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT): SÃO OS TRABALHADORES QUE PAGAM A CONTA: A POLÍTICA DE PRIVATIZAÇÃO DE BOLSONARO E PAULO GUEDES

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Sexta-Feira, 30 de Agosto de 2019 - 07:25:56 CEST


Nesta quarta-feira, 21, o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, anunciou que o Governo 
Federal abriu estudos para privatizar nove empresas estatais, entre elas Correios e 
Telebrás. A medida é uma das mais ousadas do mundo no âmbito da desestatização e causou a 
euforia de investidores internacionais, apesar de boa parte das propostas ainda depender 
da aprovação do Congresso Nacional. ---- Parte desse processo de privatização é herança do 
governo Dilma/Temer, sendo agora acelerado pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes. 
Desde que assumiu o cargo, ele prometeu privatizar a maioria das 134 estatais. ---- Apesar 
da ressalva de Bolsonaro sobre não estarem inclusas nessa relação a Petrobrás e 
instituições financeiras como Caixa e Banco do Brasil, desde janeiro deste ano o governo 
já privatizou quatro subsidiárias da petroleira e vendeu participações acionárias em 
outras quatro áreas, de seguros, de energia e de educação.

O cientista político Antônio Lassance destaca que tais "setores são estratégicos para o 
país, o que significa dizer também que são altamente lucrativos". Por conta das 
contingências fiscais - e, no Brasil, problemas de ordem fiscal são estruturais, pois os 
governos, salvo raras exceções, são máquinas de produzir déficit - a privatização de 
estatais se torna um alvo privilegiado. "Para que as privatizações se tornem mais fáceis 
de serem feitas, o governo produz déficits nessas estatais e as torna sucateadas para que 
sejam vendidas a preço de banana, se tornando facilmente arrematadas por grupos 
empresariais nacionais ou estrangeiros", alerta o pesquisador.

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Muitas estatais brasileiras foram vendidas com financiamento do BNDES (Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico e Social) a juros subsidiados e preços abaixo do mercado. Todas 
as empresas de grande expressão do Brasil foram financiadas com tais recursos e o processo 
de privatização foi igualmente bancado pelos mesmos. Basicamente, é como se você vendesse 
sua casa e emprestasse o dinheiro para o comprador.

Além disso, essas empresas foram forçadas a dar prejuízo por conta de preços praticados 
abaixo dos de mercado. Os preços, porém, foram elevados pouco antes da venda, dando 
enormes lucros aos compradores já no primeiro ano da aquisição. Um exemplo dessa 
estratégia que aparece se recuarmos um pouco na história do nosso país é a venda da Vale 
do Rio Doce (principal empresa brasileira no ramo da mineração e infraestrutura) pelo 
governo de Fernando Henrique Cardoso. Entregue por 3 bilhões em 1997, teve uma receita de 
R$ 104,25 bilhões em 2013 (alta de 11,5% em relação a 2012).

Um outro exemplo mais próximo da realidade goiana é a privatização da Celg-D, 
distribuidora de energia que atua no Estado de Goiás e que pertencia à Eletrobrás e ao 
governo goiano, até ser comprada pela Enel no fim de 2016. Com a privatização, os 
empregados deixaram de trabalhar para o setor público e passaram a ser chefiados por uma 
empresa privada. A experiência mostrou que isso significa uma série de planos de 
desligamento voluntário (PDVs), demissões e aumento nas terceirizações. Desde a venda, o 
número de trabalhadores caiu quase que pela metade em 2018 - de 1.972 para 1.068. Muitos 
ex-funcionários retornaram à empresa como terceirizados após um desligamento voluntário ou 
demissão, com salários e benefícios menores de quando eram empregados diretos da empresa 
como estatal.

O mercado quer inventar motivos para ganhar dinheiro em cima do que ele puder. Enquanto 
grandes empresários lucram com as falcatruas em parceria com o governo, somos nós 
trabalhadores que não ganhamos nada com isso, sendo forçados a aceitar condições de 
trabalho desumanas e injustas para conseguir colocar comida na mesa. É a velha política 
implementada de ir fechando serviços, privatizando, terceirizando e todo um conjunto de 
variantes cujo objetivo é aumentar o papel do capital privado nas áreas públicas, 
financiando com dinheiro público diversas empresas privadas. Isso nada mais é que 
transferir o nosso dinheiro para o empresariado.

O povo está refém de partidos e políticos que só defendem seus próprios interesses e de 
seus financiadores. Esse é o caminho da política institucional e parlamentar, palco de 
propinas, barganhas, pilantragens e roubalheiras sistemáticas, praticadas hoje por PSL, 
PT, MDB, PSDB e toda essa corja de parasitas do Congresso, Senado e Judiciário.

Independente do partido que está no governo, as reais demandas do nosso povo nunca foram, 
nem serão, prioridades.

https://federacaoautonoma.wordpress.com/2019/08/22/sao-os-trabalhadores-que-pagam-a-conta-a-politica-de-privatizacao-de-bolsonaro-e-paulo-guedes/


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