(pt) 23 anos do Massacre de Eldorado do Carajás - Nenhum silêncio! Uma vida de lutas contra o latifúndio e as injustiças no campo brasileiro by Coordenação Anarquista Brasileira CAB

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Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019 - 08:50:37 CEST


No dia 17 de abril de 1996, os camponeses organizados sob a fileira do MST/PA organizaram 
uma grande assembleia e decidiram marchar para capital do Pará, Belém, para apresentar sua 
pauta de reivindicações junto ao Governo do Estado e discutir com o conjunto da sociedade 
a necessidade de uma ampla reforma agrária. Dentre os pontos, a desapropriação do complexo 
conhecido como Macaxeira. Um mosaico de fazendas que totalizavam 42 mil hectares situados 
no Município de Eldorado do Carajás. No trajeto, na altura da Curva do "S" na PA-150, com 
fome e sede, decidiram bloquear a rodovia para reivindicar do INCRA mantimentos e água 
para continuar sua jornada. Tal ato parou a circulação de mercadorias e pessoas que vinham 
tanto de Marabá quanto de Parauapebas no Pará. Isso deixou Fazendeiros e Vale do Rio Doce 
furiosos na medida em que não podiam deslocar suas mercadorias e nem muito menos os carros 
de valores oriundos da sede da CVRD em Carajás.

Pronto. Estava completa a equação para repressão. Ocupações sistemáticas de terra e agora 
o impedimento da drenagem de suas mercadorias impossibilitando os seus lucros. Foi quando 
se percebeu a perfeita sintonia entre Capital e Estado contra os trabalhadores. Uma 
ligação da Vale para o então Governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), determinou a 
retirada dos lavradores "de qualquer maneira da estrada" (depoimento do Coronel da PM 
Pantoja, um dos coordenadores da Operação). Foi quando dois batalhões da Polícia Militar 
do Pará se deslocaram para a Curva do "S" e promoveram o massacre - 21 camponeses 
assassinados e 69 mutilados. Dentre os depoimentos dos sobreviventes, além da polícia não 
usar identificação, foram reconhecidos famosos pistoleiros da região vestindo a farda da 
corporação. O mais famoso é um indivíduo de alcunha "Papagaio" que estava muito bem 
"ambientado" no interior dos coturnos e gandólas de propriedade da PM. A essa altura, os 
corpos das vítimas do Massacre de Eldorado tinham sido levados para o IML de Marabá e o 
legista Nelson Massini, responsável pela identificação da ossada do carrasco nazista Josef 
Mengele. Ele ficou responsável pela necrópsia dos corpos retirados da curva do "S". 
Constatou que sete dos sem-terra foram torturados a golpes de foice e facão e depois 
executados, dois receberam tiros na nuca.

Passados 23 anos quais são lições que os trabalhadores podem tirar de mais esse massacre 
promovido pelo Estado? Depois de tantos tombados na luta em solo amazônico como Paulo 
Fontelles, Padre Josimo, os irmãos Canuto, Quintino Lira, Dezinho, Fusquinha, Dilma e os 
massacres de Corumbiara, Haximu, Fazenda Ubá. Bom lembrar também dos mais de 700 mortos em 
conflitos agrários durante os anos da ditadura militar no Pará. O que podemos aprender com 
tudo isso? Primeiro a necessidade de nossa auto-defesa em nome da vida de tantos 
companheiros e companheiras preciosos. Segundo, que a morte de cada lutador não será em 
vão. Servirá de combustível para alimentar nossa força militante na luta contra o 
latifúndio, as injustiças, a defesa da natureza e pela autonomia de nossos territórios. 
Seja nos assentamentos, nos quilombos e nas aldeias.

CONTRA O LATIFÚNDIO E AS INJUSTIÇAS!
VIVA A LUTA DAS TRABALHADORAS E TRABALHADORES DO CAMPO!

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