(pt) Coordenação Anarquista Brasileira (CAB): 55 anos do Golpe Militar - NÃO ESQUECER, NÃO PERDOAR!! (en)

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019 - 09:23:30 CEST


Neste 31 de março, não temos nada a comemorar. Há 55 anos atrás, foi instaurado no Brasil 
uma Ditadura Militar, que assassinou centenas de pessoas! Apoiados pelo empresariado e 
pela grande mídia nacional; controlando os setores da justiça burguesa, os militares 
construíram o mito de que são melhores árbitros para as questões políticas e que, durante 
o tempo que estiveram no poder, não houve corrupção e, muito menos, presos políticos. 
Contudo, a realidade é que o período militar foi sangrento e buscou calar a voz do povo e 
de qualquer um que se posicionasse de modo minimamente progressista. O regime militar 
instaurou a violência e institucionalizou a tortura. A ditadura foi um projeto arquitetado 
e colocado em prática para atingir interesses de determinados grupos - de direita, 
conservadores, empresariado - e contou com o apoio dos Estados Unidos da América - que 
também tinha, e continua tendo, seus interesses.

Prova da institucionalização da tortura é o fato de que a Polícia do Exército teorizou e 
experimentou diversos métodos de tortura nas chamadas "aulas de tortura" com "presos 
cobaias" - o público era constituído de militares e as aulas ministradas por oficiais que 
projetavam material sobre tortura e o aplicavam na prática como forma de exposição. 
Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade, foram aplicados mais de 30 tipos de 
torturas; mais de 20 mil pessoas foram torturadas, 191 mortas, 210 desaparecidas; e esses 
números ainda não definitivos. No que se refere às mulheres, os militares extravasaram 
todo o seu machismo e ódio por elas. A ditadura militar constituiu, também, uma espécie de 
institucionalização da violência contra as mulheres, uma vez que os militares torturadores 
se utilizavam da condição de mulheres das torturadas para intensificar as torturas físicas 
e psicológicas. Além de estupradas, terem animais inseridos em suas vaginas, essas 
mulheres sofriam com as ameaças a filhas e filhos, com acusações de serem mães e mulheres 
ruins, abortos causados pela tortura etc. As marcas de tais brutalidades jamais serão 
apagadas da memória daquelas que conseguiram sobreviver, o que significa uma tortura 
diária por toda as suas vidas!

Os militares perseguiram, torturam, estupraram e mataram! Temos razões para nos preocupar 
com o atual cenário que se desenha no país, pois observamos a união dos mesmos 
ingredientes que fomentaram o golpe de 1964. Apesar dos fatos, a narrativa de que não 
ocorreu um golpe em 1964 e sim uma "revolução" continua a ser propagada nos últimos tempos 
com força ainda maior - com certa tentativa de respaldo teórico através de personagens 
acadêmicos. No Brasil, isso só é possível porque, diferente dos nossos vizinhos latinos, 
as contas com esse nefasto período não foram acertadas. A Lei de Anistia, 1979, 
possibilitou um dos maiores silêncios na nossa história, visto que, "ampla, geral e 
irrestrita" tal como os militares propuseram, deixou a possibilidade para que o 
revisionismo sobre a ditadura militar voltasse à tona. Agora, disputa-se não só a opinião 
dos "convertidos" da direita fascista, mas sim muda-se a realidade ao instalar no 
imaginário popular um cenário de que "nunca existiu".

A esquerda institucional, quando no poder, não enfrentou esses problemas com o devido peso 
e atenção. Durante os governos do PT, preferiram fazer acordos com as elites do Brasil e, 
ainda, deixaram que os militares continuassem a fortalecer suas doutrinas, iniciadas no 
Regime Ditatorial Militar e que configuram o carro chefe desse atual governo; ou seja: 
pintar como comunista e de esquerda qualquer discurso progressista. Cega, essa esquerda 
combalida não se ateve ao fato que a oligarquia do Brasil e os militares nunca deixaram de 
se articular. Sem um projeto estratégico, continuam a chamar como principal pauta o "Lula 
Livre", defendendo um posicionamento que não muda nada estruturalmente.

No 31 de março, não comemoramos nada! Nem mesmo temos essa data como mera lembrança. Nessa 
data, temos que reagir contra os ataques feitos pelo fascismo, nos organizando e 
fortalecendo a luta popular, fortalecendo a construção de um Povo Forte e do Poder 
Popular. Nossa resposta aos que defendem a memória da Ditadura Militar como algo positivo 
será organizando as greves, nas lutas dos povos originários, nos bairros lutando lado a 
lado com o povo.

Lutaremos para que outro golpe não seja gestionado e, para isso, acreditamos que as nossas 
conquistas não serão defendidas no parlamento e, muito menos, reivindicando a democracia 
burguesa.

Não Esquecer! Não Perdoar!

anarquismo.noblogs.org/?p=1069


Mais informações acerca da lista A-infos-pt