(pt) [Reino Unido] Manifesto da Green Anti-Capitalist Front e Carta Aberta à Extinction Rebellion By A.N.A.

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Quarta-Feira, 10 de Abril de 2019 - 09:42:05 CEST


A Green Anti-Capitalist Front (Frente Verde Anticapitalista) é uma aliança de grupos e 
indivíduos unidos pela crença de que o capitalismo é uma das principais causas da crise 
ambiental que ameaça todos nós, e que, se não agirmos logo, os custos dessa crise cairão 
sobre os pobres e sem poder. ---- No fato desta crise, os governos do mundo parecem mais 
interessados em sustentar os lucros capitalistas do que em evitar o desastre, por isso 
também acreditamos que uma campanha disruptiva de ação direta será necessária para evitar 
a destruição ambiental em andamento e impedir que aqueles que lucram com essa destruição 
transfiram os custos para a classe trabalhadora. ---- Nosso Manifesto ---- Nós somos 
encorajados pela capacidade da Extinction Rebellion (Rebelião de Extinção) de chamar as 
pessoas para as ruas e impulsionar suas demandas por emissões zero. No entanto, 
acreditamos que atender a essas demandas não será possível sem abolir o capitalismo, um 
sistema que depende da exploração total da natureza; seja isso sacrificando nossa água 
limpa para frear os hidrocarbonetos ou sacrificando nossos filhos à linha de produção. 
Precisamos desenvolver nossas ideias de como um futuro diferente pode parecer fora das 
restrições do capital e de combustíveis fósseis. Devemos também criticar as falsas 
soluções oferecidas pelo “capitalismo verde” e o aumento do controle estatal. É nossa 
opinião que o mundo daqui a cinquenta anos será radicalmente diferente do que vemos agora. 
A questão é se estamos caminhando para um futuro sustentável para a humanidade ou uma 
catástrofe. Estamos pedindo por um amplo movimento ambiental anticapitalista baseado nos 
seguintes pontos de unidade.

1. Uma ameaça existencial – A mudança climática induzida pelo ser humano e a destruição 
ambiental de forma mais ampla são uma ameaça aos ecossistemas globais. A ação deve ser 
tomada agora para garantir não apenas que sobrevivamos, mas prosperemos no futuro.

2. O capitalismo é a crise – O capitalismo é parte do problema. Um sistema econômico 
global baseado em capitalistas concorrentes não pode ser confiável para combater a mudança 
climática quando isso ameaça seus lucros. Devemos fazer a ligação entre o capitalismo e a 
degradação ambiental explícita em nossa política e criticar o papel do Estado em facilitar 
isso.

3. Solidariedade de classe internacional – Devemos ser internacionalistas em nosso escopo 
e garantir que as vitórias para os trabalhadores em MEDCs não significa apenas empurrar 
problemas ambientais para os trabalhadores em LEDCs que fizeram o mínimo para contribuir 
para a mudança climática. Devemos incitar nossos sindicatos a adotar uma postura 
ambientalista e anticapitalista que defenda uma transição justa, mas rápida, para os 
trabalhadores das indústrias extrativas. Devemos assumir uma posição dura contra o 
nacionalismo e procurar, em vez disso, a unidade global.

4. Construindo o poder coletivo – Devemos assegurar que as ações que tomamos, e as lutas 
pelas quais nos unimos, nos deixem e aos que participam mais fortes e não mais fracos. 
Devemos evitar qualquer pretensa vitória que se baseie na “boa vontade” de um político ou 
na “perícia” de uma ONG. Ganhar ou perder, cada ação e campanha deve nos deixar mais 
conscientes do mundo ao nosso redor, mais confiantes de nosso poder coletivo e mais 
experientes em nossa capacidade de nos auto-organizar.

5. Diversidade de táticas – Devemos desenvolver uma diversidade de táticas que não depende 
das ações de políticos ou corporações que desenvolvam uma consciência para atingir seus 
objetivos. Nós planejamos trabalhar juntos com a Extinction Rebellion enquanto mantemos 
certas críticas deles

6. Estruturas horizontais de baixo para cima – Não podemos recriar as estruturas que 
sabemos que não funcionam dentro do nosso próprio movimento. Nosso movimento deve ser 
horizontal e autônomo para que represente verdadeiramente os interesses daqueles que 
nossos atuais governantes consideram dispensáveis. Devemos também adotar uma abordagem 
intersetorial para nossa solidariedade e nos preocuparmos uns com os outros em todos os 
momentos.

7. Precisamos de um novo sistema – Em última análise, enquanto a ameaça iminente da 
mudança climática pode nos limitar a pressionar o Estado e o capital no curto prazo, a 
longo prazo precisamos substituir essas instituições para resolver os problemas 
sistemáticos que criaram essa crise.

Estamos entrando em território inexplorado, em termos de como os ecossistemas da Terra 
podem responder às pressões sempre crescentes que o capitalismo coloca sobre eles. Se não 
for controlada, a atual economia de combustível fóssil continuará a destruir o clima, com 
a carga dos impactos caindo sobre a classe trabalhadora e os LEDCs. Nós não temos fé que 
os capitalistas – ou seus representantes parlamentares – agirão a tempo de limitar as 
mudanças climáticas de forma significativa. A crise que eles perpetuam só pode levar a um 
aumento do controle estatal da economia, das nossas vidas, das fronteiras, já que a classe 
dominante procura conter a inquietação social e afastar os refugiados do clima. Devemos 
retomar o controle de nossos sistemas de energia e produção para criar um novo modela de 
igualdade entre os povos e harmonia com a natureza.

Carta Aberta à Extinction Rebellion

À medida que a catástrofe climática se aproxima, ficamos impressionados e encorajados pelo 
movimento que a Extinction Rebellion (XR) está construindo. Essa mobilização revigorou o 
ativismo ambiental no momento em que mais precisamos. A XR tem sido ousada em seus 
objetivos quando grande parte do movimento estabelecido tem sido cínico e conseguiu ter um 
senso mais amplo de alarme sobre a degradação ambiental e mobilizou muitas pessoas que não 
estavam envolvidas anteriormente. XR cresceu a uma velocidade que muitas pessoas teriam 
pensado impossível antes de vermos acontecer. A XR também tem sido muito mais radical 
nesse amplo apelo do que muitos pensariam, seguindo uma estratégia construída em torno da 
ação direta local, mantendo uma orientação internacional. Não podemos exagerar o efeito 
esmagadoramente positivo que a XR está tendo sobre a política ambiental.

Aqueles de nós já envolvidos em vários movimentos radicais e ecológicos participaram de 
reuniões e ações da XR e as acharam profundamente inspiradoras. No entanto, ao mesmo 
tempo, também temos dúvidas sobre algumas das táticas que a XR adotou em sua busca por um 
futuro verde, e discutimos como devemos superar as diferenças entre nossas visões e as da 
XR. Não queremos prejudicar o importante trabalho que a XR está realizando, mas também 
sentimos que há uma conversa que precisa ser feita sobre algumas das táticas da XR.

Enquanto esperamos que essas táticas funcionem, duvidamos que elas sejam suficientes. Nós 
tememos que o governo estará menos disposto a negociar de boa fé e mais disposto a usar a 
repressão violenta contra uma campanha verdadeiramente disruptiva do que se supõe. O 
capitalismo sistematicamente incentiva a destruição ambiental, e nos preocupamos que os 
custos de qualquer iniciativa do governo para combater a mudança climática caiam nos 
pobres e sem poder, a menos que uma clara postura anticapitalista seja articulada. Nós 
nunca seremos livres do espectro da crise ambiental enquanto o lucro de poucos é colocado 
acima das vidas de todos os outros.

Contra a ameaça existencial da extinção humana que paira sobre todos nós, a cooperação é 
nossa maior força. Acreditamos que uma organização separada que trabalhe ao lado da XR, 
permitindo uma maior diversidade de táticas, é a maneira mais honesta de fazer isso. 
Queremos apoiar a XR com uma mobilização paralela que tenha um foco maior nas raízes 
capitalistas da catástrofe climática.

Acreditamos que essas ações podem se apoiar mutuamente e trazer um mundo de emissões zero 
para mais perto da realidade. Vejo vocês nas ruas.

Fonte: 
https://earthfirstjournal.org/newswire/2019/03/06/green-anti-capitalist-front-manifesto/

Tradução > sapat@

agência de notícias anarquistas-ana


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