(pt) [Espanha] A derrota do Estado Islâmico By A.N.A. (ca, en, it)

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Terça-Feira, 9 de Abril de 2019 - 08:46:03 CEST


No sábado, 23 de março, veio a notícia que se esperava há muito tempo. O Estado Islâmico 
(EI) foi, finalmente, oficialmente derrotado pelas Forças Democráticas da Síria (SDF) - 
entre as quais estão as YPJ[Unidades de Defesa das Mulheres]e as YPG[Unidades de Proteção 
Popular]. ---- A importância desta vitória não pode ser exagerada. Em 2014-2015, o Estado 
Islâmico parecia ser imparável. Com tanques, veículos blindados e artilharia pesada, eles 
esmagavam aldeia após aldeia, atingindo controle de grandes áreas da Síria e do Iraque, 
onde cometeram horrores inimagináveis. Eles submeteram as pessoas ao seu dogma fascista, 
punidos aqueles que não obedeciam, venderam mulheres curdas e yazidis como escravas 
sexuais, lançaram homossexuais para a morte dos telhados, queimaram soldados opositores 
vivos, cometeram genocídio contra os civis, especialmente contra as minorias étnicas, 
entre muitos mais atos bárbaros.

No final de 2014, quando chegaram a Kobanî (povoado de Rojava) encontraram as milícias de 
defesa (as YPG e as YPJ) bem preparadas e organizadas. Uma feroz batalha de seis meses 
terminou com a defesa bem-sucedida da cidade. Essa vitória mudou o curso da campanha do 
EI. A partir de então, eles perderam sucessivamente batalha após batalha enquanto as 
milícias se fortaleciam. Elas começaram a ganhar a confiança dos povos árabes e das muitas 
minorias na área, muitos dos quais se juntaram às milícias para combater os fascistas que 
arrasaram suas terras. Feminismo, pluralidade, democracia e ambientalismo radical se 
estendiam por Rojava em seu conjunto com as vitórias das milícias, enquanto o fascismo e a 
intolerância do EI desaparecia com as suas perdas.

Foram anos sangrentos e terríveis. Cerca de 10 mil militantes perderam a vida na luta 
contra o fascismo. Seus sacrifícios pela liberdade não podem ser esquecidos.

Turquia e Rojava

Embora tenhamos que reconhecer a importância dessa vitória e também celebrá-la, não 
podemos baixar nossa guarda. O que pode acontecer agora é ainda mais terrível e muito mais 
poderoso que o Estado Islâmico.

Agora que os jihadistas foram derrotados, mais cedo ou mais tarde, os militares americanos 
se retirarão da Síria. Sua aliança temporária e puramente estratégica com os curdos 
manteve a Turquia sob controle. Quando Trump anunciou a sua retirada imediata em dezembro 
(que foi adiada após os protestos de seus assessores), o Presidente turco Recep Tayyip 
Erdogan enviou imediatamente tropas e unidades blindadas, apoiados por militantes 
islâmicos, para a fronteira turco-síria com a intenção clara de destruir Rojava.

Erdogan já se gabava de sua intenção de esmagar os "terroristas" (referindo-se as YPJ e as 
YPG), retornando Rojava "aos seus legítimos donos" (que são exclusivamente árabes e não os 
curdos, segundo ele), e de "restabelecer a paz e a segurança". As ações dos militantes 
pró-turcos no cantão oriental de Rojava, Afrin, após sua sangrenta invasão em janeiro de 
2017, contradizem totalmente este último ponto. Relatos de casos de assassinatos 
sectários, saques, intimidação de minorias e confisco e destruição de terras e casas são 
constantes. E eles nos lembram de como o Estado Islâmico agia em seus territórios.

Não podemos esquecer que a Turquia é membro da OTAN. Isso significa que eles obtêm as 
melhores armas, tanques e aviões dos outros membros, como a Alemanha, o Reino Unido e os 
Estados Unidos - que olham para o outro lado quando a Turquia ataca. As milícias curdas 
são veteranas de guerra e podem defender-se contra as tropas de infantaria turcas. Mas a 
tecnologia aérea possuída pelo segundo maior exército da OTAN lhes dá uma vantagem enorme 
e injusta. Sem armas antiaéreas, os curdos estarão vulneráveis a ataques implacáveis e 
contínuos.

Erdogan nunca escondeu seu ódio pelo povo curdo, nem seu desejo de ter poder absoluto ou 
de recriar um império neo-otomano. Uma invasão turca significaria um massacre, 
perseguição, uma crise de refugiados e um enorme esforço para desmantelar tudo o que a 
revolução alcançou.

Agora, mais do que nunca, temos que dar todo o nosso apoio à revolução de Rojava. 
Infelizmente, as vozes do Oriente são mais ouvidas do que as do Sul Global, e é um 
privilégio que temos de aproveitar. Não podemos permitir que uma sociedade baseada no 
feminismo, na democracia radical, no antirracismo e no ambientalismo caia, e que seu povo 
seja novamente submetido à violência, à discriminação e, muito possivelmente, ao genocídio.

O que podemos fazer?

Aqui estão alguns exemplos do que podemos fazer localmente.

* Militar em conjunto com grupos de solidariedade local (como Rojava Azadi Madrid ou Azadi 
Plataforma Catalunya, por exemplo).

* Organizar eventos de informação e solidariedade em nossos locais.

* Publicar e compartilhar atualizações sobre a situação e garantir que não haja silêncio 
da mídia em relação às ações da Turquia em Rojava.

* Preparar ações locais para realizar no dia da invasão turca.

* Organize campanhas ou ações contra as empresas de armas que vendem armamentos para a 
Turquia.

* Doar para a campanha internacionalista e ambientalista "Make Rojava Green Again".

A revolução de Rojava resistirá!

Jin, jiyan, azadi!

#CNTconRojava #DefendRojava #MakeRojavaGreenAgain

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-derrota-del-estado-islamico-y-lo-que-viene-ahora/

Tradução > Liberto

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