(pt) Anarquista Luta de Classe CALC: NO BATENTE #8 - DA RESISTÊNCIA À ESPERANÇA: A REVOLUÇÃO SOCIAL NO CURDISTÃO

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 5 de Abril de 2019 - 08:56:32 CEST


Eu escutei o coração da terra, Falou-me do amor dele pela chuva. ---- Eu escutei o coração 
da água, Falou-me do amor dele pela fonte. ---- Eu escutei o coração da árvore, Falou-me 
do amor dele pelas folhas. ---- Depois eu escutei o coração do amor, Falou-me da 
liberdade. ---- (Sêrko Bêkes, poeta curda) ---- Foram décadas de luta desde a organização 
do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em 1976, rumo à autogestão, autonomia dos 
territórios curdos e liberdade cultural. A Revolução Curda é um exemplo de que a luta 
auto-organizada demora a criar raízes, mas seu caminho, contra as opressões estruturais da 
sociedade, certamente é a trilha para a emancipação. No Ocidente não se imaginava que a 
Primavera Árabe de 2010 traria condições para germinar o processo revolucionário do povo 
curdo no Oriente Médio. Este, por sua vez, já estava sendo semeado há anos, na luta dos 
curdos contra o Fascismo e o regime do Estado Turco. O povo curdo é a maior população sem 
Estado do mundo e estão espalhado sem regiões da Síria, Irã, Turquia e Iraque. Estas 
regiões são subdivididas em quatro partes: Rojava (Curdistão Sírio, no Oeste), Rojhilat 
(Curdistão Iraniano, no Leste), Bakur (Curdistão Turco, no Norte) e Basur (Curdistão 
Iraquiano, no Sul). A forte relação cultural e sua história de séculos de resistência une 
a população destes territórios, apesar das distintas religiões praticadas e línguas faladas

Rojava: Governo Sem Estado
Rojava, é a região onde a revolução social teve início e consolidação. São cerca de 2,5 
milhões de pessoas lá vivendo e fazendo parte deste processo histórico. Região autônoma 
desde 2012 tem sua organização social baseada no Confederalismo Demo-crático: um sistema 
democrático do povo sem o Estado.

Organização Política
Em Rojava, assim como em outras regiões do Curdistão, o processo de organização política 
se dá por meio das seculares assembleias familiares e tribais. Atualmente, são feitos os 
Conselhos de Bairro, com participação de 30 a 150 famílias, em que todos os moradores têm 
direito a fala e voto. Posteriormente são feitos os Conselhos de Distrito/Vilarejo, que 
reúnem de 5 a 17 Conselhos de Bairro. Assim que as instâncias começam a reunir tantas 
pessoas que inviabilizam sua organização logística, são escolhidos um homem e uma mulher 
para transmitir suas posições em instâncias superiores. Nestes conselhos superiores 
respeita-se a equidade de etnias e religiões e, como o poder é descentralizado, cada local 
tem autonomia para definir uma série de coisas de seu cotidiano. É assim que milhares de 
pessoas estão construindo um novo mundo no meio do Oriente Médio.

  Economia
O planejamento econômico na Revolução de Rojava é nomeado Economia Popular. Ele se baseia 
em três conceitos: bens comuns, propriedade por uso e empresas administradas pelos 
trabalhadores. A propriedade privada tradicional foi abolida em 2012 e desde então o que 
existe é a propriedade por uso, ou seja, é garantida enquanto se usa, mas não pode ser 
vendida. Os bens comuns são as terras, águas, parques, infraestrutura, etc. e são geridos 
pelos Conselhos. As empresas e meios de produção também são controlados pelos 
trabalhadores, através dos Conselhos de Trabalhadores. A produção, por sua vez, é 
articulada em conjunto com a estrutura política. Sua organização é autônoma e federalista, 
de modo que não há uma estrutura centralizadora como o Estado; o povo se estrutura por 
meio da autogestão - comunas e unidades populares articuladas de baixo para cima.

   Luta das Mulheres
   A história do movimento das mulheres curdas não nasceu na guerra da Síria e não se 
reduz à atuação em Rojava. São décadas de organização e luta de autodefesa das mulheres 
contra as violências do patriarcado. Em Rojava, as mulheres se destacam no processo 
revolucionário, não só por sua eficiência nas táticas de guerra, mas por um planejamento 
estratégico que mira o estabelecimento do Confederalismo Democrático. Apenas as mulheres 
poderão conduzir a construção de uma sociedade que vá contra a masculinidade hegemônica. A 
libertação das mulheres é a principal bandeira ideológica do PKK. É por isso que os 
espaços de decisão são compostos por metade de mulheres e existe um grupo específico de 
autodefesa feminina na guerra (YPJ), por exemlo. "Um povo não pode ser livre se as 
mulheres não forem livres".

Liberdade para Abdullah Öcalan!
O povo curdo tem hoje uma de suas principais referências mantido em cárcere na Turquia: o 
militante Abdullah Öcalan está em isolamento total há anos. Öcalan contribuiu para tornar 
o Confederalismo Democrático o método de transformação social exercido pelo PKK, tendo a 
ecologia e o feminismo como pilares de sustentação. Sua prisão é perseguição política do 
aparelho repressor do Estado.

   Liberdade a Öcalan!
   Liberdade aos presos políticos do Curdistão!
   Terra e liberdade ao povo curdo!


Mais informações acerca da lista A-infos-pt