(pt) luta fob: SNCC: Abaixo a militarização, por uma educação a serviço do povo!

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Terça-Feira, 2 de Abril de 2019 - 07:32:44 CEST


A Semana Nacional Classista e Combativa (SNCC) é uma homenagem que a RECC faz todos os 
anos, para lembrar os estudantes que morreram durante a Ditadura Empresarial-militar 
brasileira. Dia 28 de Março foi o dia da morte do estudante Edson Luís, assassinado pela 
ditadura no Calabouço, um restaurante popular no Rio de Janeiro, no ano de 1968. O dia 11 
de agosto, dia da criação da UNE pelega e da comemoração dos cem anos de fundação dos 
primeiros cursos de ciências jurídicas do país, data oficial do "dia do estudante", não 
representa de fato a luta do movimento estudantil. Edson Luís foi o primeiro estudante que 
tombou morto diante da ditadura. A PM adentrou o restaurante metralhando 
indiscriminadamente, deixando vários feridos e outros mortos, como o estudante Benedito 
Frazão Dutra, que faleceu dias depois. A morte de Edson Luís gerou comoção e revolta 
nacional. Organizaram-se nos meses seguintes combativas passeatas e greves gerais com 
milhares de pessoas em mais de 20 cidades em todo Brasil - como a Passeata dos Cem Mil no 
Rio de Janeiro -, nas quais tiveram mais presos, feridos e outros mortos pela ditadura.

A criminalização do movimento estudantil no Brasil durante a Ditadura Empresarial-militar 
foi marcada por delações, torturas e mortes. Baseada na Lei de Segurança Nacional, assim 
como outras leis que limitavam os direitos populares, estudantes foram retirados de suas 
famílias, e alguns deles até hoje não foram encontrados.

Atualmente, o Brasil passa por uma escalada militarista. Aumento da repressão militar 
sobre os movimentos sociais, militarização das escolas, forte presença de militares no 
legislativo e no executivo, intervenções militares em diversos estados e por aí vai. A 
saída autoritária como solução para os problemas do país vem sendo defendida por vários 
setores da sociedade, inclusive por alguns setores populares. Mas nós sabemos que isso não 
passa de demagogia, de defesa dos interesses das classes dominantes.

Vamos focar em um aspecto desta escalada militarista, o que mais atinge o cotidiano dos 
estudantes, a militarização das escolas. Em primeiro lugar a farda, alguns livros 
didáticos, a matrícula e as mensalidades tornam este tipo de colégio um fardo pesado para 
muitas famílias pobres, além destas matrículas terem um percentual grande reservado para 
familiares de militares. Em segundo lugar, a padronização tende a eliminar as diferenças 
culturais, linguísticas, estéticas e políticas entre os estudantes. Em terceiro lugar, há 
uma forte tentativa de suprimir ou controlar totalmente qualquer tipo de organização 
política dos estudantes, como os Grêmios estudantis, de forma ainda mais repressiva do que 
nas escolas estaduais "comuns". Em quarto lugar, as escolas militares recebem mais verbas 
do que as escolas "comuns". Por quê? Simplesmente para tentar demonstrar para a população 
que o modelo "funciona". Sendo que as melhores escolas são os Institutos Federais de 
Educação e os Centros de Aplicação ligados às Universidades, onde os estudantes possuem 
mais liberdade de expressão e de associação política. Projetos como o Escola Sem Partido 
também vêm para atuar neste sentido, ao contrário do que o nome diz, defende a Escola do 
Partido Único, o partido da defesa das classes dominantes.

Não acreditamos que com mais repressão e hierarquização se resolva o problema da 
violências nas escolas. Temos outro projeto e experiências satisfatórias, por exemplo, 
onde a organização de Grêmios ou organizações estudantis independentes ajudem na 
construção de um relacionamento pautado no respeito e fraternidade entre os estudantes; 
onde a parceria das escolas com associações culturais dos seus bairros ocupem o tempo vago 
dos jovens com atividades educativas e de sociabilidade saudáveis. Para isso, só a luta 
pela ação direta dos estudantes (como as ocupações e os protestos de 2013) vai conseguir 
trilhar uma nova perspectiva de educação popular comunitária e que sirva aos interesses do 
povo!

Desta forma, convocamos as/os estudantes do Brasil para celebrarem a data, realizando em 
suas escolas e cidades atividades na semana de 24 a 30 de Março. Não podemos permitir que 
apaguem nossa história e nossa luta, tal como tentaram quando assassinaram nossos 
camaradas. O esquecimento é a morte, a luta é a vida!

https://lutafob.wordpress.com/2019/03/27/sncc-abaixo-a-militarizacao-por-uma-educacao-a-servico-do-povo/


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