(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo n° 78: O último trimestre para o trabalho: desemprego, subemprego e informalidade

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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018 - 07:20:17 CEST


Dados do IBGE do trimestre móvel de março a maio de 2018 confirmam a tendência geral de 
desemprego e precariedade nos postos de trabalho no Brasil. Apesar de indicar que a taxa 
de desocupação tenha sofrido queda de 0,6% em comparação com o mesmo trimestre do ano 
passado, isso se deveu a um crescimento nos postos de trabalho informais e sem carteira. 
---- A aparente retomada na taxa de ocupação esconde uma situação alarmante. É possível 
confirmar no estudo que as vagas de trabalho sem carteira criadas desde 2017 são quase 
correspondentes ao número de vagas com carteira assinada perdidas. Além disso a soma desse 
número com a quantidade de trabalhadores que entraram na informalidade mais que compensa o 
número de pessoas que deixaram os serviços com maior estabilidade.

Segundo o IBGE, a taxa de empregos sem carteira do trimestre março/maio de 2018 cresceu 
5,7% se comparada com o anterior (cerca de 597 mil pessoas). Por outro lado, o número de 
empregos com carteira caiu 1,5% (cerca de 483 mil pessoas). O número de trabalhadores por 
conta própria, por sua vez, subiu 2,5% (568 mil pessoas).

Isto significa que o mercado empregador brasileiro, com as políticas de desregulamentação, 
escolhe mandar embora os trabalhadores em situação mais segura e recontratá-los como 
trabalhadores com pouca ou nenhuma estabilidade. Além disso, os trabalhadores sem emprego 
estão entrando de cabeça na informalidade como forma de fugir a sua sorte.

O desemprego segue alto, e a condição do trabalho para o brasileiro comum são empregos 
piores e com risco maior de dispensa sem garantia. A experiência confirma essa situação.

O ataque dos poderosos e a resposta do povo: organizar os desorganizados

Como apontado em nossa matéria de capa da edição 75, os gestores do Estado brasileiro de 
todas as cores pretendem sacrificar os gastos sociais e os direitos dos trabalhadores em 
socorro da taxa de lucro dos empresários. Ao mesmo tempo, vivemos em uma conjuntura de 
desgaste da velha política eleitoreira e de baixas taxas de sindicalização não só no 
Brasil como em todo o mundo.

Instrumentos que os trabalhadores brasileiros forjaram na sua história acabaram sendo 
cooptados para dentro da esfera do Estado com o fenômeno do lulopetismo. Com os sindicatos 
oficiais servindo a agenda do governo e não a dos trabalhadores, se criou uma cultura de 
desencanto por esse formato. Desencanto que não pode ser ignorado.

Com o fim do pacto de classes e o impeachment, as burocracias sindicais clamam ao povo por 
socorro. Porém, o instinto popular criado através da experiência histórica diz que o 
sindicalismo oficial não pode servir além do oportunismo eleitoral. Devemos nos organizar 
levando em consideração esses aprendizados.

O crescimento do trabalho informal e do subemprego veem a reforçar essa mesma situação, e 
negritar a necessidade de construir novas formas de associação operária e de luta. A vida 
exige novas referências de luta. E na ausência elas devem ser criadas.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/09/12/o-ultimo-trimestre-para-o-trabalho-desemprego-subemprego-e-informalidade/


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