(pt) [Portugal] Contra o capitalismo! Pela Terra! By A.N.A.

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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018 - 07:18:30 CEST


A seguir, comunicado do Grupo Erva Rebelde (GERA) distribuído durante a "Marcha Mundial 
Pelo Clima" na cidade do Porto, em 09 de setembro. ---- Por uma comunidade de partilha. 
---- O capitalismo subiu mais um degrau da escada da loucura, aproxima-se agora do ponto 
de não-retorno, e ameaça não apenas o seu fim, mas o fim de toda a humanidade. ---- A 
passagem do norte aberta para sempre não é uma nova oportunidade de negócio. ---- O mundo 
em chamas, o avanço dos desertos, a terra ressequida e estéril, a fome e as migrações 
forçadas, cada vez mais ilhas a ficar submersas, este é o retrato atual de um planeta 
sobre o qual paira cada vez mais palpável a ameaça de catástrofe global para a espécie 
humana e muitas outras espécies cujo habitat se vê a degradar-se a um ritmo galopante.

O desmatamento das florestas (com a Amazônia em particular) para os negócios da madeira, a 
criação de gado ou da soja para alimento deste ou para a produção de combustíveis ditos 
alternativos, a insistência em manter um estilo de vida predador e que leva à exaustão de 
todos os recursos, força-nos a refletir sobre o que verdadeiramente está em causa.

Por mais loas que se cantem ao progresso e desenvolvimento, o que vemos, por todo o lado, 
não é a preocupação com o bem-estar e a vida livre das pessoas e de todos os animais, não 
é o cuidado para preservar a natureza em todas as suas manifestações, mas apenas a 
artimanha grosseira para através de todos os embustes - a publicidade, o amestramento 
embrutecedor e uniformizante, a insensibilização face ao desastre global -, continuar a 
encher os bolsos das grandes companhias e apontar esse caminho como modelo único de 
relacionamento entre as pessoas, sem lugar para a cooperação, a autonomia, a igualdade e 
uma frugalidade natural e feliz, imposta pelo gosto e a racionalidade.

Pelo contrário, o modelo vigente transforma a vida no planeta numa batalha em que os mais 
fortes cada vez impõem mais a desigualdade e a coação, semeando a fome e a desesperança, 
quando não usando os pobres como forças de choque que se lançam umas contra as outras 
deixando sempre incólumes os senhores do dinheiro e do poder.

Todas as medidas são bem-vindas para preservar a vida na Terra e para se opor ao 
aquecimento global, mas a solução não está num novo ambientalismo capitalista, que 
reproduza de forma mais macia todas as taras da sociedade atual, mas sim e sobretudo em 
todas as medidas tomadas pelas populações espoliadas para se oporem aos poderes que 
determinam o rumo da Terra, construindo em vez das dominantes sociedades suicidárias 
atuais, comunidades horizontais de partilha, natural e visceralmente amigas do ambiente. 
Só assim não correrão velozes e sem retorno os dias que nos faltam até à morte global do 
mundo como o conhecemos.

Porto, 8 de setembro de 2018

E-mail: ervarebelde  riseup.net

ervarebelde.noblogs.org

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