(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo n° 78: Lulismo e a crise do capitalismo brasileiro: somente a ação direta pode derrotar a ofensiva reacionária e as ilusões do reformismo

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Domingo, 23 de Setembro de 2018 - 07:51:44 CEST


A "condenação" de Lula: entre a crise da democracia liberal e a retomada da ilusão 
desenvolvimentista ---- A condenação de Lula é mais uma etapa de evolução do Estado de 
Exceção, que foi estruturado e inaugurado pelos próprios governos do PT (2003-2016). Se 
antes o aparato de repressão e judicialização eram voltados somente para a fração 
marginalizada da classe trabalhadora, como negros e pobres, agora a burguesia as utiliza 
para retirar do cenário político aqueles antigos aliados que não interessam mais. ---- 
Toda narrativa petista que tenta colocar Lula como vítima de um Estado autoritário e 
perseguidor é contraditória, pois Lula e o PT foram responsáveis para o avanço do Estado 
Autoritário e seu arcabouço legislativo reacionário.

Só no campo jurídico, os governos petistas foram responsáveis pela elaboração da Lei de 
Drogas, que aumentou a população carcerária, a criação da Força Nacional, para atacar 
populações indígenas e camponesas e dar garantias ao agronegócio, a instituição da Lei de 
Organizações Criminosas e da Lei Antiterrorismo, que permite enquadrar qualquer atividade 
coletiva de piquete ou greve como terrorismo organizado.

A nova fase do Estado de Exceção visa permitir um aprofundamento da exploração, 
modificando as relações de classe; visa retomar o controle dos cargos e dos recursos do 
Estado pela grande burguesia e pela pequena-burguesia de mercado, expulsando assim a 
pequena-burguesia de esquerda, uma parte da tecnocracia e a aristocracia operária, visando 
assim concentrar renda e riqueza, nivelando as condições de vida da classe trabalhadora 
por baixo.

Os cenários: do Estado de Exceção neodesenvolvimentista à repressão ultraneoliberal

A partir do momento que se deu a condenação de Lula, criou-se uma conjuntura em que é 
exigida, para a burguesia, um acirramento da repressão. Não basta condenar Lula; é preciso 
atacar as bases sociais do lulismo e impedir uma candidatura de esquerda alternativa, 
apoiada por Lula; ao lulismo, dentro da sua estratégia reformista e pactuadora, coube 
forçar uma candidatura de Lula e agora, a partir de decisão de inelegibilidade tomada pelo 
TSE, tentar a transferência de votos a outro nome.

Desse modo, hoje existem alguns cenários possíveis:

Cenário 1) Lula reverte a decisão e se candidata;
Cenário 2) Lula fora das eleições, mas o PT lançando candidato alternativo;
Cenário 3) Lula fora das eleições com o PT colocado na ilegalidade como uma organização 
criminosa;
Cenário 4) Lula fora das eleições, com todos os Partido de Esquerda com suas candidaturas 
inviabilizadas por uma estratégia de judicialização e criminalização.

O primeiro e segundo cenários tendem a fortalecer o lulismo. Atacar Lula, mas sem atacar 
as estruturas organizativas do lulismo, apenas criaria as condições para um desgaste do 
sistema representativo. O terceiro e quarto cenários seriam a evolução lógica de uma 
tentativa de desarticular o lulismo e todas as formas de oposição dentro do sistema.

Mas aprofundando o autoritarismo e bloqueando os canais de luta política legal, se 
tenderia a produzir uma "implosão" da esquerda hoje existente e uma reorganização geral do 
movimento de massas, podendo inclusive escapar ao controle do sistema.

Esses cenários apresentam dificuldades, pois o sistema político brasileiro já sofre 
desgastes profundos e falta de legitimidade. Os cenários 3 e 4 representariam um 
aprofundamento da repressão sistemática, o que exigiria, para se viabilizar, de uma 
arquitetura institucional e social complexa.

Porém, no médio prazo, a destruição do lulismo representa a desarticulação de uma das 
principais forças de controle do desenvolvimento autônomo da classe trabalhadora. 
Centralizar o poder estatal ainda mais, tornando a democracia burguesa mais restrita e 
limitada, tende a produzir diversos efeitos, de desorganização e reorganização dos 
movimentos sociais. A solução seria aprofundar ainda mais a repressão.

No curto prazo a destruição do lulismo favorece a burguesia, ao desarticular os principais 
movimentos sociais. No longo prazo, ela tende a criar as condições para a emergência de 
novas formas de consciência de classe.

Os ativistas anarquistas e autônomos irão ficar, em qualquer cenário, sob a pressão de 
duas forças: a da reação burguesa e repressão, e do lulismo. Caso não ocorram grandes 
mobilizações de massa, tipo Junho de 2013, os cenários serão cada vez mais difíceis para 
as alternativas revolucionárias e combativas no curtíssimo prazo.

Por isso será necessária uma luta de palmo a palmo, casa à casa, rua à rua, combatendo em 
duas frentes: a reação clerical-militar-burguesa e o lulismo-reformismo. Nessa tarefa os 
anarquistas revolucionários e a jovem classe trabalhadora em gestação estarão praticamente 
sozinhos.

A estratégia revolucionária: resistir localmente, pensando e construindo globalmente

Desse modo, é preciso uma estratégia prática para atuar frente e esses possíveis cenários 
que estão em gestação. A estratégia revolucionária hoje exige as seguintes táticas principais:

1ª a ação direta e resistência local, por meio da promoção de lutas e greves parciais 
reivindicativas, de resistência à intensificação da exploração e retirada de direitos, 
combinada com a criação de organizações sindicais e cooperativas de tipo sindicalista 
revolucionária. Não basta a mera denúncia do lulismo e da reação burguesa, esta precisa 
ser combatida por meio da criação de organizações autônomas.
2ª organizar uma grande campanha de boicote eleitoral (a campanha Não Vote! Lute!), 
mostrando como o atual autoritarismo foi gestado pelo Estado de Exceção 
neodesenvolvimentista do PT. O boicote eleitoral não deve ser a única ferramenta, mas com 
ela devem ser defendidas a ferramenta de luta da Greve Geral e a construção de organismos 
de contra-poder, as Assembleias Populares locais e o Congresso do Povo.
A primeira tática é uma prática local e imediata, uma forma de atividade concreta; ela 
deve ser orientada pela segunda, uma tática de propaganda de formas alternativas de 
organização. A resistência e a ação local se combinam assim com formas globais, a da 
propaganda da construção de assembleias populares, que mesmo que não sejam imediatamente 
realizáveis, educam e forjam a consciência de massa para as lutas futuras.

Essas táticas materializam a estratégia da ação direta em seu todo. A ação direta é o 
germe do autogoverno popular revolucionário. Fora dessas táticas, o movimento de massas 
ficará preso à decomposição e crise do sistema capitalista e do lulismo, afundando com o 
barco da velha ordem e condenando o conjunto da classe trabalhadora a graves derrotas 
sociais, políticas e econômicas.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/09/12/lulismo-e-a-crise-do-capitalismo-brasileiro-somente-a-acao-direta-pode-derrotar-a-ofensiva-reacionaria-e-as-ilusoes-do-reformismo/


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