(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo n° 78 set/18 - A luta de classes na greve de caminhoneiros

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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018 - 08:45:02 CEST


Membros do Exército realizam escolta de caminhões na BR-116. ---- A elite brasileira chama 
de "liberdade econômica" suas crises motivadas nas variações e riscos do mercado 
financeiro, e chama de caos as lutas dos trabalhadores. Odeiam o povo. Assim foi com a 
greve de caminhoneiros em maio deste ano. Diante da importância desta greve e da política 
energética, produtiva e de transportes, precisamos entender alguns avanços, limites e 
contradições dessa luta que levou o governo Temer a pedir trégua. ---- As táticas que 
deram certo ---- Foram mais de 1200 bloqueios em todo país. Isso trancou a circulação do 
núcleo básico do capitalismo, a mercadoria. A força do movimento veio da ousadia e 
capacidade desta ação de bloqueio e barricadas, amparadas no apoio popular. O único 
argumento capaz de "tocar o coração" dos poderosos é atentar contra sua propriedade e 
riqueza. Esta tática de ação direta pode e deve ser usada nas greves e lutas de outras 
categorias de trabalhadores.

Intervenção militar para acabar com a greve

Parte dos caminhoneiros, grupos externos e alardes nas redes sociais chegaram à idiotice 
de pedir "intervenção militar". A intervenção ocorreu, mas para acabar com a greve. Temer 
decretou Garantia da Lei e da Ordem autorizando as Forças Armadas liberar vias públicas, 
remover, conduzir ou escoltar veículos e liberar acesso a locais de produção considerados 
essenciais. Além disso, o Supremo Tribunal Federal concedeu liminar permitindo uso de 
força policial e multa de R$ 10 mil por dia para cada manifestante que descumprisse a 
ordem. Seria cômico se não fosse trágico, mas os militares agem contra o povo.

Contradições e disputas na luta dos caminhoneiros

Havia (e há) quatro interesses oportunistas disputando o movimento: 1) dos patrões do 
transporte, que queriam vantagem competitiva na disputa intraburguesa, sem reoneração da 
folha de pagamento, e empresários em geral que apontam para privatização da Petrobrás; 2) 
dos partidos eleitorais, que tentaram promover seus candidatos surfando na greve ou 
criticaram o movimento já que não o comandava; 3) das burocracias sindicais, que 
negociaram as pautas com o governo pelas costas dos caminhoneiros e que se aliaram aos 
interesses dos patrões; e 4) dos militaristas, que pregam uma via autoritária ao Brasil, 
como a ditadura, negando ao fim a própria liberdade de greve. É preciso se desviar de 
todos eles e construir a luta autônoma.

Serviços essenciais, inflação e cortes sociais: efeitos colaterais da greve ou caos 
capitalista?

Com a greve e a ameaça de faltar produtos, donos de supermercados e postos de combustível 
aproveitaram para obter superlucros aumentando o preço de mercadorias. Passada a greve e 
conquistada a tabela de frete aos caminhoneiros, os patrões da indústria, do agronegócio e 
do comércio também repassaram os custos aos consumidores. Para atender a redução do 
diesel, o governo Temer cortou da saúde, educação e seguridade social, sem mexer na 
política entreguista da Petrobras.

Na economia capitalista é esse caos: se os caminhoneiros lutam pelo justo aumento da sua 
renda, os governos cortam das áreas sociais e os patrões respondem com inflação nos preços 
para toda sociedade, mas nunca abrem mão do seu "deus": o lucro.

Por isso é necessário derrubar o capitalismo e construir o socialismo!

As greves devem avançar ocupando e gerindo as empresas. Os trabalhadores precisam realizar 
a gestão direta da produção e distribuição dos produtos. Não podemos deixar na mão dos 
patrões nem do Estado, os responsáveis pela desordem. Aquilo que considerarmos essenciais 
ao povo trabalhador (alimentação, saúde etc.), deverá ser garantido pelo apoio mútuo e 
solidariedade dos próprios trabalhadores, sem que falte nada a ninguém. Devemos 
coletivizar a economia a partir da criação de um poder paralelo dos trabalhadores nas 
lutas e greves.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/09/12/a-luta-de-classes-na-greve-de-caminhoneiros/


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