(pt) anarkismo.net: Brasil em transe e o desmonte generalizado, duas constatações by BrunoL

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Sábado, 15 de Setembro de 2018 - 09:21:04 CEST


Trata-se de restauração burguesa e liquidação da soberania popular e, por tabela, a 
soberania nacional. ---- Lado a lado com a violência simbólica dos discursos de ódio, 
galvanizados pelo atingido em Juiz de Fora (MG), temos a negação do direito ao 
reconhecimento e, concomitantemente, a perda progressiva dos direitos coletivos que vinham 
num crescendo desde 1932 e se consolidaram como política pública permanente na 
Constituição de 1988. Trata-se de restauração burguesa e liquidação da soberania popular 
e, por tabela, a soberania nacional. ---- Bruno Lima Rocha, 09 de setembro de 2018  ---- 
Às vésperas do sete de setembro de 2018 houve um atentado contra Jair Messias Bolsonaro, 
candidato do PSL, deputado federal no sétimo mandato e aquele que encarna a "grande 
esperança branca" da Casa Grande do país governado por um baronato rentista e seus aliados 
dentro e fora de nossas fronteiras. Desde então abundam teorias especulativas e uma 
evidência: tal fato tem relação total com o contexto vivido pelo Brasil desde o início do 
terceiro turno de 2014.
Lado a lado com a violência simbólica dos discursos de ódio, galvanizados pelo atingido em 
Juiz de Fora (MG), temos a negação do direito ao reconhecimento e, concomitantemente, a 
perda progressiva dos direitos coletivos que vinham num crescendo desde 1932 e se 
consolidaram como política pública permanente na Constituição de 1988. Trata-se de 
restauração burguesa e liquidação da soberania popular e, por tabela, a soberania nacional.
O fim da proteção ao mundo do trabalho é o velório da Nova República?
Vale alguma reflexão. O STF autorizara a terceirização para atividades fim em todas as 
empresas. Ou seja, entendo que eu na maioria das Pessoas Jurídicas, a classe trabalhadora 
do Brasil está diante de uma "Pejotização" galopante. Óbvio que a direita afirma que isso 
é "da nova economia", ou que "a terceirização já existe, logo é preciso autorizar ou 
regular". Me recorda o debate sobre transgênicos, que acabou sendo liberada a circulação 
de sementes assim no primeiro governo Lula utilizando um pouco da política do fato 
consumado. "As sementes vêm de contrabando da Argentina e assim fica impossível ilegalizar 
todo um setor e blablabla e cumpra-se". Não custa lembrar. Sementes não são animados com 
mobilidade própria, logo, foram trazidas e o contrabando - a prática centenária de 
chibeiros - seria bastante controlável nas barrancas do rio Uruguai. Enfim, tal como o 
fato consumado das sementes, o mesmo se dá com a desagregação social que avança no país.
Em parte, essa é a dimensão substantiva do golpe em andamento e agora, especificamente, 
rastejando pelas sarjetas da pior política possível. Era esperado e os discursos 
literalmente se repetem em toda América Latina. Durante o auge dos escândalos do governo 
Priista de Enrique Peña Nieto, no México, "colonistas de economia" repetiam a ladainha de 
que o salário mínimo (ou seja, o salário social) é uma "ilusão econômica", pois "primeiro 
é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo". A ladainha perfeitamente 
falsificável era a mesma. Não exagero, as analogias eram idênticas do guru da modernização 
conservadora da ditadura, agora travestido de parlamentarista, Antônio Delfim Netto.
Uma observação vinda do nosso campo, pode afirmar que sempre houve desagregação social no 
período republicano, "desde que o povo bestializado assistiu a tal proclamação". Não há 
contestação possível desta afirmação. A "tal da república" nunca foi inclusiva e 
incorporou um governo nacional com reconhecimento para os trabalhadores urbanos somente no 
varguismo, isso após completarem o trabalho sujo de Arthur Bernardes e Washington Luís, 
dizimando a liderança sindical de orientação anarquista no Brasil. Em termos de maioria 
afro-brasileira, a repressão sempre se fez presente, e se faz, na distribuição espacial da 
mesma, cortando na ausência de direitos civis e sociais da maior parte de nossa população.
Logo, se nada disso é "novidade" (infelizmente), quais as características prevalentes de 
nosso momento histórico? Ou, falando em termos mais diretos, como liquidaram com a Nova 
República e quais suas consequências?!
Que tipo de crise é essa? Quando os setores não se protegem do entreguismo visceral
Sabemos a dificuldade de qualquer tipo de tabelamento de preços ter algum fôlego; o 
próprio Plano Cruzado e o congelamento de preços básicos levou a um aumento da sonegação e 
do crime contra a economia popular. Mas, isso é diferente de afirmar em termos de "modelo" 
que as "regras da economia" - ou seja, da balela neoclássica - vai ajeitar o excesso de 
oferta pelo crédito do BNDES durante o período lulista diretamente implicado no 
consequente aumento da frota de caminhões. Resumindo: ou o setor de transporte de carga 
tem alguma forma de proteção para os caminhoneiros autônomos, ou cerca de 500 mil 
caminhoneiros - e pelas contas, dois milhões de pessoas - serão atingidos. As empresas de 
agroindústria que têm crédito agrícola vão se defender do jeito que dá, incluindo o 
protelamento da execução de suas dívidas e quem vive no trecho vai engrossar o desemprego 
nas cidades.
Como pano de fundo, o que a laia quer fazer crer ao povo brasileiro? Que devemos quebrar o 
monopólio fático da Petrobrás, pois esta foi quebrada em função da "artificialidade" dos 
preços praticados anteriormente e também pelo modelo de partilha do Pré-Sal. Sobre a perda 
de causa e o seguido acordo com a Justiça dos EUA na defesa dos especuladores aglutinados 
como acionistas minoritários, óbvio que os "consultores" não dizem. Logo, a "solução" 
apresentada é liberar a importação de diesel, gasolina e demais derivados por todas as 
transnacionais do setor de óleo e gás. E, também para a obviedade, a cambada nunca diz que 
existem 16 traders mundiais forçando os contratos futuros e incidindo diretamente na 
cotação do barril Brent. Logo, desejam expor ainda mais a sociedade brasileira às 
oscilações forçosas dos especuladores. Como se chama isso em português? Em castelhano os 
países Hermanos denominam "vende pátria". Concordo com o conceito.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência 
política, professor de relações internacionais e de jornalismo.
(estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha  gmail.com)

https://www.anarkismo.net/article/31127


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