(pt) [Chile] Santiago: Convite para o 7º Encontro do Livro e da Propaganda Anarquista - Santiago, 13 e 14 de outubro de 2018 By A.N.A. (ca, en)

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Sábado, 15 de Setembro de 2018 - 09:20:54 CEST


Transitamos um longo caminho desde as primeiras bandeiras negras que reapareceram ao final 
da ditadura, em meio de barricadas e o posterior acomodamento de uma sociedade cidadanista 
que se deixou arrastar por falsas promessas da alegria democrática, enquanto os aparatos 
repressivos aniquilavam a resistência continuando fiéis a trajetória sangrenta do Estado; 
tomamos como ferramentas parte desse arrojo, mais artesanal, e o mesclamos com a 
contracultura punk e apostamos pela atitude rebelde, o faça você mesmo e nos expandimos em 
uma série de experiências e logo as balas chegaram a nós, mataram a Claudia e ainda que 
ela não fosse anarquista, isso importa? ---- Porque o ponto é que iniciamos nosso novo 
sentido da rebeldia, do revolucionário. Nos livramos da tristeza e voltamos a nos compor e 
seguimos expandindo e as okupas se abriram, e as ações se multiplicaram, de todo tipo, em 
fanzines, em imprensa, em manifestações e solidariamente, pela liberdade dos presxs 
políticxs que a democracia confina(va). Depois uma geração inteira foi marcada a fogo com 
as marchas contra a APEC no ano de 2004 e a aparição do black block nos protestos. Saímos 
do punk e do estilo contracultural e tivemos uns anos ardentes, o que poderia chamar-se 
anos de bombardeios e fogo, e ainda que várixs compas foram presxs pelo Estado, não 
diminuímos a marcha, mas o garrote do Estado se fechou sobre outro irmão, vimos como foi 
assassinado por torturas o Jonhy, e no ano seguinte morre o Maury em um ataque e no ano 
seguinte o poder fechou as jaulas sobre 14 de nossos irmãos e lutamos por elxs, por 
recuperá-lxs, pelxs presxs na rua, e saíram depois de um ano de manifestações, de greves 
de fome, de desvelos e encomendas. Mas o poder entendeu que não poderia usar os mesmos 
recursos que até o momento havia utilizado, se assessorou com a polícia italiana, com o 
FBI e tantos mais, e tecnificaram sua repressão, investindo milhões em carros blindados, 
drones e câmeras (que certamente valem um quarto do que dizem pagar), e modificaram suas 
leis, mas o estalo do ano de 2011 a todxs nos pegou de surpresa, e demos de tudo arrojados 
no combate, tomando Santiago dia e noite, outra geração seria marcada por este ano, também 
foi esse ano que "se pensou e se fez a primeira feira do livro anarquista", que com os 
anos mudou de nome para "encontro do livro e da propaganda anarquista" pois não queremos 
só ficar apenas no marco das relações comerciais, mas educar-nos, instruir-nos, 
inteirarmos-nos do que acontece e sirva para tomar o controle de nossas vidas e destruir o 
Estado e o capital, e assim a história soma e segue, os conflitos continuam se sucedendo e 
ainda que aquelxs presxs saíram à rua outrxs presxs esperam o dia que as grades das celas 
se tornem de açúcar ou se curvem de piedade.

Apostamos por uma constelação de ideias e práticas que possuam uma ampla história de luta 
e resistência, antagonistas a qualquer sistema de dominação e fiéis a seus princípios 
antiautoritários de autonomia, horizontalidade e autogestão. Neste sentido os meios tem 
que ser de acordo com os fins, não se pode buscar a liberdade por meio do exercício de 
autoridade, do engano e da manipulação, o longo caminho contra o poder se constrói na ação 
contrária a qualquer tipo de instituição, siglas ou dirigentes com a verdade pela frente. 
Não vemos a anarquia como a chegada do paraíso terrenal ou uma realização concreta, 
tampouco cremos que seja uma verdade absoluta ou um dogma ou nem sequer cremos que seja o 
único método para acabar com a dominação, mas sim é um corpo político, ético e prático do 
qual podemos nos nutrir, é a tensão e o enfrentamento constante contra todas as formas de 
autoridade, também as nossas. Vemos o indivíduo no centro da ideia anárquica, este não 
está sobre o coletivo nem se sobrepõe a ele.

Seríamos soberbos se disséssemos que não erramos, pois muitas foram as arestas de nosso 
caótico devir, onde a mesma soberba, os egos, os dogmas, o machismo, a fervorosa defesa de 
pontos de vista estreitos esculpiram nossas ideias à cara, depois de mastigar com sarcasmo 
as letras do libertário e do antiautoritário. Por isso nos reunimos, pois sem pensamento, 
aprendizagem, análises, criatividade, retroalimentação e reciprocidade navegaremos como um 
veleiro sobre um imenso oceano de barro sem vento. Isto faz parte do necessário 
questionamento permanente tanto a nível individual como coletivo que permite nos 
fortalecermos e nos qualificarmos. Esta instância se constrói com todxs que abraçamos as 
ideias de liberdade e tentamos construir um mundo distinto destruindo o atual.

Este convite para o 7º Encontro do Livro e da Propaganda Anarquista o dedicamos a todxs 
que não foram nomeados e jamais o serão, e a nosso inimigo, que jamais nos verá de joelhos.

A 20 anos do assassinato de Claudia López, seguimos organizando e propagando ideias de 
rebeldia e liberdade.

>> Inscrições abertas: encuentro.anarquista  riseup.net

Grupo Coordenador 7º Encontro do Livro e da Propaganda Anarquista de Stgo.

encuentroanarquista.org

Tradução > Sol de Abril

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