(pt) quebrando muros - INCÊNDIO NO MUSEU NACIONAL: ATEARAM FOGO NA NOSSA MEMÓRIA, PESQUISA, CIÊNCIA E EDUCAÇÃO

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Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2018 - 06:45:43 CEST


No dia 2 de setembro de 2018, um incêndio destruiu o acervo do Museu Nacional, localizado 
no Rio de Janeiro e vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O local é 
conhecido por ser a mais antiga instituição científica do Brasil, que há poucos meses 
comemorou os 200 anos de sua inauguração. Por se tratar de uma instalação histórica, cuja 
construção se deu no início do século XIX, a manutenção de sua rede elétrica e hidráulica 
é de extrema importância para garantir a segurança de tal espaço. ---- O Museu Nacional 
contava com um acervo de mais de 20 milhões de itens, sendo uma referência no campo da 
pesquisa em história natural e antropológica na América Latina e contendo inúmeras peças 
de nossos ancestrais ameríndios, cumprindo com o papel de preservar um pouco da cultura de 
povos que sofreram a tentativa de apagamento de suas histórias, saberes, ciências, modos 
de trabalho e organização social. Além dessas relíquias, outros registros antropológicos 
como gravações em vídeo de estudos etnográficos, fotografias, cadernos de registro de 
estudos de campo e inúmeras outras fontes de pesquisa foram reduzidas a cinzas graças ao 
descaso do Estado para com a preservação da memória e a produção de conhecimentos acerca 
do nosso próprio povo - um país sem passado é um país sem futuro.

Além desse estrago irreparável que hoje se evidencia, é necessário lembrar que, 
historicamente - sobretudo em nossa história recente -, o Estado vem promovendo um 
desmonte dos serviços públicos. Governo após governo, os interesses privados são colocados 
acima daqueles que são públicos e afetam diretamente a vida da grande maioria das pessoas 
desse país, que trabalha, estuda, ou que gostaria de praticar essas atividades e não o faz 
justamente por falta de oportunidade e condições de vida que deem suporte para que isso 
seja possível.

É revoltante ter em vista que esse é o quarto incêndio que ocorre em instalações da UFRJ 
nos últimos dois anos: em 2017, o alojamento estudantil da universidade também sofreu com 
as chamas causadas pela falta de manutenção adequada, deixando quatro feridos; já neste 
ano, uma explosão no laboratório de metalurgia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de 
Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) deixou três feridos e o nono andar do 
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, também 
pegou fogo. Isso decorre das políticas públicas que têm permitido que a verba da 
universidade seja cortada, fazendo com que inúmeros setores que precisam de atenção e 
investimento dentro da instituição sejam negligenciadas - como, por exemplo, o trabalho de 
manutenção física dos prédios.

Tudo isso se tratando da principal universidade do Rio de Janeiro, estado que angariou 
bilhões de reais em investimento para os megaeventos de Dilma/Cabral/Pezão/Paes em 2014, 
quando recebeu a final da Copa do Mundo, e em 2016, quando sediou os Jogos Olímpicos. Não 
fosse a pressão popular, uma escola e a chamada Aldeia Maracanã (ocupação no antigo prédio 
do Museu do Índio) teriam sido demolidas para obras do Maracanã, estádio-sede da final da 
Copa: mais uma demonstração de que educação e cultura não são prioridades dos governos. 
Além disso, em 2018 Michel Temer liberou 1,2 bilhões de reais para a intervenção federal 
na segurança pública do Rio, acentuando a perseguição histórica às pessoas pretas, pobres 
e periféricas.

Essa situação de sucateamento estrutural não está restrita à UFRJ: a Universidade Estadual 
do Rio de Janeiro (UERJ) também vem sofrendo cortes ao longo dos últimos anos, 
impossibilitando seu pleno funcionamento, bem como inúmeras outras universidades 
brasileiras. Bem aqui no nosso estado, a UNESPAR - Universidade Estadual do Paraná - tem 
sobrevivido à duras penas, tendo travado mobilizações que culminaram em longas greves que 
exigiam o aumento de verba destinado à instituição, bem como um uso desse dinheiro que 
seja benéfico àqueles que são mais vulneráveis socialmente na estrutura da universidade: 
os estudantes e os trabalhadores, sobretudo os terceirizados.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) não é diferente. Atualmente, temos quatro 
funcionários terceirizados contratados para fazer a manutenção dos campi Reitoria, Santos 
Andrade, Rebouças, DeArtes, Agrárias, além do Restaurante Universitário Central, da Casa 
da Estudante Universitária Curitibana e do prédio do Diretório Central dos Estudantes 
(DCE). Muito trabalho pesado para poucos funcionários que se desdobram em atividades de 
hidráulica, elétrica e mecânica de todos esses locais. E a perspectiva não é favorável a 
esses trabalhadores, pois a Universidade não sinaliza a necessidade de novas contratações, 
nem encara como problemática a sobrecarga de trabalho dessas quatro pessoas. Sem falar na 
falta de segurança existente nos prédios da Reitoria, CEUC e DCE, que não contam com 
saídas de emergência e já receberam advertências e avisos do corpo de bombeiros, além de 
apresentarem materiais inflamáveis na estrutura desses locais, que ampliariam a níveis 
catastróficos alguma tragédia semelhante que pudesse vir a ocorrer.

Esse lamentável cenário na educação pública brasileira, que se arrasta e se intensifica ao 
longo dos últimos anos, culminou também no último orçamento do Ministério da Educação que 
foi divulgado. Os recursos liberados mostram o estrago que a EC do Teto de Gastos, que 
começou a valer neste ano, está causando em nossa educação: a CAPES, responsável por 
fomentar a pesquisa brasileira, que está diretamente ligada às universidades, ao trabalho 
docente e à investigação científica, não teria condições de financiar as bolsas de estudo 
de quase 200 mil pessoas.

A Emenda Constitucional nº 95 - também conhecida como PEC do Teto de Gastos, que se 
apresentou primeiro como PEC 241, depois como PEC 55 - foi aprovada pela Câmara dos 
Deputados, pelo Congresso Nacional e pelo presidente Michel Temer no ano de 2016. Nesse 
mesmo ano, milhares de estudantes, sobretudo secundaristas, ocuparam bravamente suas 
escolas e universidades como forma de manifestar a insatisfação com essa medida e também 
com a Reforma do Ensino Médio, que é mais uma ferramenta de sucateamento do ensino 
público. Mesmo assim, os que se dizem "representantes do povo" mostraram quais são seus 
verdadeiros interesses, ao condenar os serviços públicos à miséria, mantendo os 
investimentos (que já eram insuficientes) congelados por 20 anos.

Enquanto o serviço que é público e deveria servir aos de baixo, bem como nossos direitos 
sociais, são sucateados com vistas a solucionar a "crise econômica", os interesses dos de 
cima permanecem sendo prioridade, uma vez que o pagamento da dívida pública suga boa parte 
de nosso orçamento, assim como os privilégios dos membros do executivo, legislativo e 
judiciário. Diante desse cenário, a saída é apenas uma: organização dos de baixo para 
fazer resistência nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho e moradia pela revogação 
da EC do Teto de Gastos e de outros absurdos que tentam nos enfiar goela abaixo! Quando os 
de baixo se movem, os de cima caem!

EM DEFESA DA NOSSA HISTÓRIA, MEMÓRIA, PESQUISA E EDUCAÇÃO!
CONTRA A EC DO TETO DE GASTOS: LU

https://quebrandomuros.wordpress.com/2018/09/07/incendio-no-museu-nacional-atearam-fogo-na-nossa-memoria-pesquisa-ciencia-e-educacao/


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