(pt) Resistência Popular - Fronteira Sul: TODA SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES QUE OCUPAM A EMPRESA SAMAN EM RIO BRANCO! (en)

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Segunda-Feira, 10 de Setembro de 2018 - 07:37:55 CEST


Na última semana, a empresa Saman, maior arrozeira do Uruguai, confirmou a demissão de 33 
trabalhadores da cidade de Rio Branco (fronteira com Jaguarão). A empresa com mais de 30 
anos possui outras 7 plantas industriais em todo o país. Desde que receberam a notícia das 
demissões, os trabalhadores se mantêm ocupados nas duas plantas em Rio Branco. Segundo 
eles, em nenhum momento houve diálogo por parte da patronal, e só ficaram sabendo da 
situação ao chegarem no trabalho na última sexta-feira 31/08 e se depararem com as portas 
fechadas. ---- A justificativa da Saman, emitida através de nota, alega que nos últimos 
anos a produção caiu 30% do volume de arroz e que a área semeada é a menor nos últimos 25 
anos. Porém, os trabalhadores alegam que há cerca de 15 toneladas de arroz e 20 toneladas 
de soja estocadas nos silos e que existe ainda muito trabalho pela frente com essa 
produção, não havendo a necessidade das demissões. Além de muito trabalho, a empresa Saman 
foi comprada em 2007 pela empresa brasileira Camil alimentos, terceira maior beneficiadora 
de arroz do mundo, que só em 2017 teve um lucro líquido mais de R$ 206,5 milhões, um 
crescimento de 24% em relação ao ano anterior. A empresa Camil também é dona de marcas 
como União e Coqueiro.

A política adotada pela empresa chamada de "redução de despesas financeiras" se traduz na 
precarização do trabalho e na demissão dos 33 trabalhadores da empresa Saman em Rio 
Branco, impactando na renda de muitas famílias. Segundo os trabalhadores que ocupam o 
local, a Saman ao mesmo tempo que demitiu seus funcionários, aposta na terceirização do 
trabalho, admitindo 6 funcionários que trabalhariam fazendo a manutenção do local. Essa 
lógica perversa visa cada vez menos a responsabilidade das empresas com seus 
trabalhadores, salários menores e retirada de direitos conquistados através de muita luta.

Os trabalhadores que ocupam o local exigem diálogo por parte da empresa, uma explicação 
perante a forma como se deu a demissão e a restituição dos postos de trabalho, pois alegam 
que há grãos para processar durante todo ano e não há justificativa para os 33 
trabalhadores serem demitidos. A FOEMIA (Federação de Obreros y Empleados Molineros y 
Afines) que possui delegados da categoria, afirma que junto aos trabalhadores não irão 
desocupar o local até que a empresa dialogue com todos.

Através da pressão e do exemplo de luta e resistência pelos 33 trabalhadores, haverá uma 
reunião de negociação nesta quarta-feira em Montevideo. O intuito é que sejam restituídos 
os postos de trabalho de todos que foram demitidos, pois é a única forma de sustento de 
muitas famílias dos 33 trabalhadores da Saman. O ministro do trabalho, Ernesto Murro, 
alega que por se tratar de uma empresa privada, não deve haver nenhuma interferência no o 
caso e faz sua campanha política à favor das grandes empresas.

Apontamos a perversidade da lógica produtiva do agronegócio que ultrapassa fronteiras e 
que está diretamente relacionada às relações de trabalho. As zonas rurais estão tomadas 
por uma cultura corporativa que avassala tudo em nome do lucro. Esse modelo de produção em 
larga escala para competir no preço aposta na monocultura e nos transgênicos às custas de 
destruição de recursos naturais, da exploração de trabalhadores e da expulsão, perseguição 
e morte de indígenas, quilombolas, trabalhadores sem terra e pequenos produtores. A 
produção em grande escala de milho, soja e arroz, por exemplo, compromete a 
biodiversidade, consome água excessivamente e desgasta o solo, entre outros impactos.

Ao invés de dividir a terra para mais gente produzir alimentos saudáveis, as elites donas 
de astronômicas extensões de terras ampliam atuação e sucessivos governos, inclusive os de 
"esquerda", financiam o agronegócio como nunca, favorecendo empresários nacionais e 
estrangeiros que bancam suas campanhas políticas e esmagando os pequenos produtores. Esse 
modelo produtivo é de muita exploração do trabalho, muito agrotóxico, pouca educação, 
muita concentração de terra, muita devastação ambiental.

Do ponto de vista das relações de trabalho, na monocultura há redução da mão de obra e 
consequente êxodo rural. Os empresários das multinacionais ligadas ao agro trabalham junto 
com os governos para "modernizar" (ou seja, precarizar) as legislações trabalhistas, 
ambientais, tributárias e indigenistas para garantir a atuação criminosa do agronegócio. 
Trabalhadores rurais sofrem com a retirada de direitos, com a terceirização, com o 
envenenamento por uso desenfreado de agrotóxicos e acidentes de trabalho em armazéns 
agrícolas. A terceirização só vai piorar e precarizar ainda mais as relações de trabalho. 
O agro é inimigos dos trabalhadores, das populações tradicionais, quilombolas, sem-terra.

Diante dessa perversa situação, prestamos toda a solidariedade aos 33 trabalhadores que 
estão ocupando as plantas da Saman em Rio Branco. Acusamos a responsabilidade também dos 
empresários brasileiros da empresa Camil, que se orgulham em ter adquirido a Saman, líder 
de produção de arroz no Uruguai, e que exporta 91% da produção. Além das plantações no 
Uruguai, a empresa também possui plantas no Peru, Argentina e comprou também a maior 
empresa nesse setor no Chile, com 4 plantas no país. Saman/Camil não se posicionou e é 
culpada de manter política de exploração de trabalhadores uruguaios e brasileiros e das 33 
demissões sem nenhum tipo de diálogo.

PELA MANUTENÇÃO DOS POSTOS DE TRABALHO! TODA SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES!

POVO FORTE ENFRENTA GOVERNO E PATRÃO!

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!


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