(pt) federacao anarquista gaucha: Carta de Opinião Especial Brasil: Avança o Fascismo -- De Federação Anarquista Uruguaia - fAu

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Terça-Feira, 30 de Outubro de 2018 - 06:07:06 CET


O processo histórico recente do Brasil deixa às claras muitas coisas, velhos debates que 
ressuscitaram sobre as vias possíveis para as mudanças, as esperanças populares e emoções 
coletivas postas em jogo no marco das velhas ferramentas do sistema. Já sabíamos em nossa 
América Latina da trágica experiência da "via pacífica para o socialismo" de Allende e 
outros processos que, desde o Estado e muitas vezes através da via eleitoral, tentavam 
algumas reformas de maior profundidade. ---- O neoliberalismo puro e duro dos anos 90 
abriu as portas para mudanças políticas em toda América Latina. E o Brasil foi um ponto 
relevante nesse processo quando em 2003 Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. Lula, 
que havia nascido na vida política em fins dos anos 70 e princípio dos 80, como dirigente 
sindical do potente sindicato dos metalúrgicos na zona industrial do ABC Paulista, não 
representava sua ala mais combativa mas era o máximo condutor desse sindicato, referência 
em numerosas greves e da poderosa CUT (Central Única dos Trabalhadores), central na época 
com um interessante componente de independência de classe, já que rompia com o tradicional 
"sindicalismo de Estado" herdado da época populista de Getúlio Vargas.

O protagonismo popular foi determinante na hora de alcançar o fim da ditadura militar em 
1983. Imponentes mobilizações operárias e do então incipiente Movimento dos Sem Terra 
(MST), geraram as condições para expulsar os militares do governo e abrir um certo período 
de "democratização", que ia sintetizar-se na Constituição de 1988, onde se estabelecem uma 
série de direitos dos trabalhadores e direitos sociais do conjunto da população. Uma árdua 
luta que teve resultados positivos em avanços de direitos e que também gerou uma "nova 
República", por assim dizer.

Justo nesse momento, toda essa energia e crescimento a nível popular e confluência na luta 
de diversos setores oprimidos, são canalizados pela condução da CUT e outros movimentos 
sociais para uma saída eleitoral, criando o Partido dos Trabalhadores (PT). Mas a história 
do Brasil ao longo do século XX havia sido praticamente uma história de governos 
oligárquicos e "quartelaços". A Constituição de 1889 previa que apenas 3,5% da população 
votasse, e isso gerou uma série de conflitos políticos e sociais de grande porte, como, 
entre outros, a greve geral de 1917 com uma importante participação e impulso da 
militância anarquista. Por outro lado, na década de 1920, ocorrem revoltas de certos 
setores militares liderados por Luis Carlos Prestes, vinculado à formação do Partido 
Comunista Brasileiro, reclamando uma maior participação política da população (ampliação 
da cidadania) e certos direitos econômicos e sociais, Também, logicamente, esse movimento 
indica questões de poder entre setores do exército.

Em 1930 ocorre um novo golpe militar que coloca Getúlio Vargas à frente do governo, uma 
resposta à crise econômica de 1929 que golpeou com dureza o Brasil, mas também uma síntese 
da disputa de poder no país. Não somente triunfa um setor do exército, mas também a 
burguesia paulista, mineira e os latifundiários gaúchos, centrando-se o eixo de poder das 
classes dominantes da região centro-sul do país. Getúlio Vargas reformou a Constituição, 
reprimiu qualquer tentativa de mobilização popular e deu outro golpe de Estado novamente 
em 1937, criando o "Estado Novo", a imitação do Estado fascista de Mussolini. Vargas 
governará até 1945, com o apoio dos EUA num primeiro momento, depois sem ele. Neste ano um 
golpe de Estado militar depõe Vargas. Um regime demasiado nacionalista era visto como um 
potencial perigo pelos EUA, mas ainda assim era um país com as potencialidades de 
desenvolvimento industrial que possuía - e possui - o Brasil.

Mas Getúlio vai ter uma revanche por via eleitoral em 1951. Triunfa e é eleito presidente, 
impulsiona o modelo substituto de importações e o desenvolvimento industrial do Brasil, 
aceita os investimentos estrangeiros na indústria e no desenvolvimento do aparato 
produtivo. Por exemplo, nesse período é criada a Petrobras. No primeiro período de Vargas 
foi criada a Vale do Rio Doce, empresa estatal de mineração. Um político de orientação 
fascista, mas que no marco da situação econômica latino-americana e internacional 
impulsionou um modelo de desenvolvimento industrial e de impulso de certos setores burgueses.

Em 1954 Getúlio Vargas se suicida, e em sua "carta testamento" acusa como responsáveis de 
impor obstáculos ao desenvolvimento do Brasil - e do fato de ter tirado a própria vida - 
os grupos econômicos e financeiros internacionais aliados a grupos nacionais.

O último empurrão desenvolvimentista veio da mão do governo de Juscelino Kubitschek junto 
com Jânio Quadros e do governo João Goulart entre 1961 e 1964. Mas as intenções de um 
"capitalismo sério", de um "Brasil desenvolvido", novamente se chocaram contra os grupos 
de poder e seus interesses. Os militares dão um golpe de Estado e instalam uma duríssima 
ditadura até 1983.
Esse processo ditatorial é que termina com a mobilização popular de inícios dos anos 80, e 
todo esse processo vai ser canalizado pela via eleitoral. O PT vai desmobilizando as 
organizações populares até conseguir sua quase total domesticação, com vistas à vitória 
eleitoral de Lula.

O PT no governo
Os períodos de Lula e Dilma trouxeram medidas de assistência econômica como o Plano Bolsa 
Família, que tirou do mapa da fome 4 milhões de pessoas no Nordeste do Brasil. Mas, no 
Banco Central do Brasil, foi colocado um homem das finanças do Império: Henrique 
Meirelles. Deste modo, o governo Lula dava um claro sinal ao establishment financeiro e 
empresarial de que a política econômica não ia sofrer alterações, seguiria a linha 
desenhada pelo presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso.

Esses governos também trouxeram a Reforma Sindical, que permitiu fragmentar a CUT e criar 
pequenas centrais sindicais financiadas com o Imposto Sindical, ou seja, com financiamento 
do Estado. Isso levou vários partidos políticos a romper vários sindicatos e formar suas 
próprias centrais, ou "centralitas".

Estes governos progressistas no Brasil incluíram um posicionamento mais independente na 
região latino-americana e diante dos EUA com o Mercosul, a Unasul e através do BRICS. Mas 
internamente, também continuou com os assassinatos de militantes sem terra e a "Lei 
Antiterrorista", criminalizando o movimento popular; invasão militar nas favelas do Rio de 
Janeiro para as Olimpíadas e a destinar zonas inteiras da cidade para a especulação 
imobiliária. Incluiu gastos multimilionários para as Olimpíadas e a Copa do Mundo 2014, 
enquanto que em saúde, educação e moradia se investia muito pouco e o preço do transporte 
público era muito alto.

Aí residiu o início das mobilizações populares de 2013. Em março se iniciou em Porto 
Alegre um movimento pela gratuidade do transporte público. Não era algo novo, o Movimento 
pelo Passe Livre vinha fazendo luta há alguns anos em diversas cidades do país. Mas, a 
partir desse momento, esse movimento se massificou, e em Porto Alegre, por exemplo, 
diversos movimentos sociais se nuclearam no Bloco de Lutas, que ocupa o Legislativo 
Municipal, que é desocupada mediante um acordo com os vereadores para que votem pelo 
rebaixamento da tarifa do transporte. Toda uma conquista do movimento popular.

Em junho, o movimento de luta e protesto se massifica por todo país, levando 1 milhão de 
pessoas às ruas. Um movimento iniciado por estudantes e pelo Movimento Passe Livre, mas 
que se somaram outros setores sociais como bairros e comunidades organizadas reclamando 
contra o desperdício de dinheiro para a construção das obras do Mundial de Futebol e das 
Olimpíadas e da carência de recursos para a sociedade. Tanto foi, que Dilma Rousseff teve 
que reconhecer essa realidade e atender demandas dos manifestantes, criando um fundo com 
receitas da exploração do petróleo para investir na educação e saúde.

Essas manifestações marcaram um forte descontentamento social. Assinalavam que importantes 
problemas sociais não estavam sendo pensados e muito menos atendidos, que se havia 
avançado muito timidamente em alguns, mas que isso não era suficiente. O povo exigia mais 
avanços e o atendimento às necessidades sociais. Saltava aos olhos que os governos do PT 
estavam beneficiando as empresas construtoras e os exportadores, principalmente de soja. 
As manifestações questionavam o modelo de acumulação do período: monoprodução exportadora 
para a China, aproveitando os altos preços das matérias primas, investimento estrangeiro 
direto com todas as garantias, aliança com a burguesia industrial paulista...

E descobriu-se o escândalo de corrupção chamado "Lava Jato", esquema montado através da 
Petrobras e outras empresas públicas em uma imensa rede de corrupção, na qual estavam 
implicados inúmeros políticos de todos os partidos e uma quantidade importante de 
empresários. Se revivia o escândalo do Mensalão de 2005, nos primeiros anos do governo 
Lula e que resultou a renúncia e condenação judicial de José Dirceu, braço direito do 
presidente e arquiteto desse esquema de corrupção.

Se evidenciava novamente e confirmava-se que a base da governabilidade no Brasil estava 
nos subornos, no dinheiro que o governo colocava no bolso dos legisladores e, logicamente, 
nas empresas privadas, verdadeiras multinacionais brasileiras. Na lógica dos valores 
capitalistas, sem esse esquema de corrupção nenhum partido conseguiria governar no Brasil, 
já que existe um grande número de partidos políticos, muitos deles estaduais ou regionais, 
além de um sistema político liberal burguês totalmente instável. Tenhamos em conta o que 
foi apontado mais acima: os períodos democráticos liberais no Brasil são exceções em sua 
história recente.

Chega Dilma
Em 2011 assume Dilma Rousseff com intenções de continuar o legado lulista. É reeleita para 
um segundo mandato para 2015-2019 com pequena margem de diferença. Sentia-se o desgaste do 
governo e as críticas dos setores populares por tudo que significavam os gastos da Copa e 
outros eventos. O vice-presidente de Dilma Rousseff era Michel Temer, do PMDB, partido 
criado pela ditadura militar e coluna vertebral em todos os governos desde 1983 em diante.

Mas também apareceu a grande imprensa (a Rede Globo) e a direita colocando na agenda 
pública o tema da corrupção. Ainda não se falava da Lava Jato, mas seguramente sabiam. E 
começou essa onda. Apareceu em cena o juiz Sergio Moro, funcional a certos interesses, mas 
apresentando-se como uma espécie de cruzado moralista contra a corrupção.

Enquanto isso, o Parlamento realizava um julgamento contra Dilma Rousseff, orquestrado 
pelos próprios legisladores que, logo se comprovou, eram parte fundamental do esquema de 
corrupção. Toda essa manobra foi orquestrada pelo vice-presidente Michel temer - ex aliado 
de Lula e Dilma no governo - para assumir ele mesmo a Presidência e colocar de vez no 
centro da política três atores que vinham se destacando da política brasileira: os 
ruralistas, os evangélicos e o setor armamentista - militarista.

Dilma é afastada pelos seus aliados, o PT e os movimentos sociais não saem às ruas contra 
o golpe de Estado, que foi caracterizado como um "golpe suave". E em seguida vem a prisão 
de Lula e toda repercussão direta ao PT. Seguem-se duros golpes contra os de baixo, 
sobretudo a enorme retirada de direitos sociais e trabalhistas e o retrocesso de décadas 
que isso significa, deixando pelo caminho inúmeras lutas sociais.

Cabe destacar que nas eleições legislativas posteriores ao "golpe suave", o PT manteve 
alianças com o PMDB, o partido de Temer, em diversos estados e cidades.

Temer, Bolsonaro e os militares
Temer se construía como "o homem forte" nessa situação, mas isso durou pouco. O descrédito 
em que caiu sua figura e seu governo, à medida em que avançava a investigação do esquema 
de corrupção e delação premiada dos donos e executivos da indústria frigorifica JBS, e das 
medidas antipopulares que estava tomando, deixavam um novo "vazio de poder" mas esferas do 
governo.

Esse "vazio", do ponto de vista governamental e em certa sintonia com a estrutura de poder 
do momento, querem preencher os militares, cujo chefe do Exército, General Villas Boas, 
coloca tranquilamente que as Forças Armadas estão prontas para "colocar ordem" ao caos 
político que reina no país. O afastamento do PT do governo e a chegada de Temer geraram 
uma instabilidade política sem limites.

Neste contexto toma vulto a figura de Jair Bolsonaro, um ex militar, deputado durante 
décadas, que havia passado despercebido durante todo esse tempo, até o dia do julgamento 
político contra Dilma. Na ocasião, homenageou o militar que torturou Dilma Rousseff 
durante a ditadura, se vangloriou do golpe de Estado militar e implantou um discurso 
fascista. Discurso que continuou e se aprofundou ao conseguir se posicionar como candidato 
à presidência, com um feroz discurso a favor da ditadura e da tortura, contra as mulheres, 
a comunidade LGBT e as comunidades negras. Um verdadeiro nazista. Cabe esclarecer que em 
janeiro deste ano se filiou ao PSL (Partido Social Liberal), o nono partido de sua 
carreira política e pelo qual se candidatou à Presidência da República. Outro tanto se 
pode dizer de outros candidatos, que tiveram seu "período de passes" na previa das eleições.

Como é possível que este personagem chegue a ser o candidato mais votado e seguramente 
seja o próximo presidente do Brasil? Tudo que fomos redesenhando incidiu para que isso 
acontecesse. A instabilidade política do Brasil, sua escassa vida democrática-liberal, mas 
também tem um papel fundamental o legado do PT no governo e o caminho eleitoral escolhido, 
que gerou um grande "vazio político" da esquerda e de uma cultura de esquerda, que abre 
espaços para as ideologias mais reacionárias e fascistas, tal como vem ocorrendo também da 
Europa.

Não queremos evita-lo. Sabemos que falta analisar todo um espectro da ideologia de 
importantes setores do povo, especialmente dos e das de baixo, que parecem demonstrar aqui 
um alto grau de disciplinamento, de controle, de identificação com noções e representações 
impostas, produzidas desde a estrutura dominante. Que o descontentamento, a desesperança, 
a raiva tem uma canalização que contém sua especificidade, mas com pontos de contato com o 
que ocorre em outros locais e que por vezes seguem por convocatórias demagógicas de 
direita. Mas estes não são conjuntos ideológicos consolidados, muitos deles tampouco de 
longa duração. Estão em um jogo dinâmico de subjetividades dentro de um complexo tecido de 
relações. Mas, sem dúvida, é um desafio e um sério chamado para analisar futuros processos 
de produção subjetiva que se deve necessariamente encarar qualquer linha de trabalho 
transformadora no seio do povo. Novos dispositivos do sistema tendem a reforçar a inserção 
do sujeito nessa miserável estrutura de dominação. Nos fica colocado como ao mesmo tempo 
podemos ir reforçando a resistência e, junto com ela, estabelecer zonas de consciência que 
contraponham o referido disciplinamento.

Limites do progressismo e dos modelos desenvolvimentistas
O Anarquismo historicamente tem levantado que pela via do Estado e das eleições não há 
mudança possível. Que essas estruturas não permitem modificações de folego - na maioria 
das vezes nem sequer pequenas -, que esmagam quem se mete nelas, um verdadeiro emaranhado 
que não permite escapatória. A história ensina isso com clareza. Inclusive aqueles 
processos que ousaram tocar os interesses das classes dominantes e do império terminaram 
derrubados por ferozes ditaduras e repressões (o caso de Allende no Chile, Arbenz na 
Guatemala, Bosch na República Dominicana, Omar Torrijos no panamá, etc.).

A via eleitoral é uma via morta para as mudanças. Não se conduz a nenhuma mudança por esse 
caminho, apenas permite girar na roda do sistema, que de vez em quando admite alguma 
pequena modificação para manter tudo como está. O poder não está em jogo por essa via.

Por esses dias circulou uma opinião de Frei Betto, que desde outra matriz ideológica 
realiza uma interessante crítica ao PT e aos governos progressistas: de que descuidaram da 
formação ideológica da população. Aponta que isso já ocorreu na URSS e no Leste Europeu. O 
descuido com as organizações populares e mobilizações foram letais para minar esses 
processos, e que nem tudo se resolve com "melhores condições de vida", que somente 
fomentaram o consumismo no marco do sistema existente. Não houve logica transformadora nem 
critica. E aponta: "Canalizamos uma política boa, porém cosmética, carente de raiz, sem 
fundamentos para sua estabilidade". Nesse sentido também é crítico da Revolução Cubana e 
das falências geradas também na formação ideológica desse processo.

A disputa de subjetividade: esse é a grande questão. Os governos progressistas apostaram 
todas as suas fichas para contentar as populações com um certo nível de vida - muito 
básico, na verdade - e o acesso ao consumo. No Brasil, inclusive se falava de uma "nova 
classe média", que nada mais era do que os setores populares pobres que conseguiram 
comprar uma tv de plasma e um celular de último modelo.

Fica evidente, uma vez mais, que a via eleitoral não é a indicada para alcançar mudanças 
de folego e tampouco para enfrentar o poder das classes dominantes. O PT, para chegar ao 
governo, teve que rebaixar seu programa e flertar com o poder econômico do Brasil e do 
Império. O mesmo fez a Frente Ampla aqui: lembremos de Tabaré Vázquez antes das eleições 
de 2004, indo ao FMI com Astori para apresenta-lo como Ministro da Economia.

O período dos progressismos na América Latina demostrou claramente seus limites: não há 
possibilidade de mudança por essa via. As classes dominantes latino-americanas e o 
imperialismo norte-americano toleram cada vez menos qualquer tipo de viés de esquerda ou 
popular, por mais tímido que seja. Já não toleram que se destine uns poucos pesos para 
conter a miséria mais atroz, nem o acesso dos setores populares a um mínimo nível de vida, 
não toleram medidas como a legalização do aborto, a igualdade de gênero, etc. é o 
verdadeiro rosto das classes dominantes, totalmente conservadoras e reacionárias, já 
fascistas, que apoiam qualquer saída autoritária para manter seus privilégios e aprofundar 
em todos os aspectos o sistema de dominação. Isso é o capitalismo puro e duro, é o sistema 
em sua máxima expressão. É o fascismo financeiro, agrário e industrial. É o modelo que 
pretende impor-se na América Latina e em boa parte do mundo afora.

A luta popular é a única garantia de mudança
Mas o povo brasileiro não tem estado quieto. Para além da "calmaria" que impôs a 
burocracia do PT e da CUT e do constrangimento da luta para exigir a liberdade de Lula, as 
diversas organizações de base tem estado mobilizadas por questões concretas, contra o 
ajuste e os cortes. É certo que a cena esteve dominada pela liberação do Lula, mas há 
setores do povo brasileiro que vislumbram que nada vai ser solucionado com Lula livre e 
candidato. Tampouco com outro candidato que seja seu marionete.

Se organizou uma importante manifestação de rechaço a Bolsonaro protagonizada pelo 
movimento feminista. "Ele não", essa campanha e consigna, desmascara o mais truculento 
desse fascista. Por aqui há uma via para aprofundar a luta.

Reiteramos algo a que nos referimos mais acima. O que realmente importa analisar e ter em 
conta é como a mesma porção de votantes que ia votar no Lula se fosse candidato votou no 
Bolsonaro. Em grande número, são os mesmos votantes. Que fenômeno ocorre ai que motiva 
essa gente disposta a votar em um candidato de "esquerda" vote igualmente em um fascista? 
O descredito com o sistema político brasileiro é tamanho que as pessoas estão dispostas a 
votar em um "homem forte", "líder", "um salvador". Não importa quem. O peso da ideologia, 
determinados dispositivos e meios de comunicação - produtores de noções e opções política 
- operando a todo vapor. Vemos como mudam e circulam elementos ideológicos com fluidez em 
determinadas condições. Temos que encontrar espaço, realizar ações para que circulem em 
nossa direção.

Por isso, a única garantia de colocar freio nesse avanço fascista é a luta popular 
organizada. E ela mesma é a única garantia de mudança. Todos os direitos sociais e 
trabalhistas foram conquistados com luta. O avanço da Reforma Agraria foi com luta e 
ocupação de terra organizadas pelos movimentos campesinos. A história do movimento popular 
brasileiro é muito rica nesse sentido.

Não há atalhos, não há saída nos labirintos do sistema. A construção de uma verdadeira 
alternativa popular está nesses movimentos sociais que têm resistido aos embates de todos 
os governos e foram abrindo caminho na luta. O movimento operário, estudantil, campesino, 
o movimento negro e suas comunidades quilombolas, o movimento indígena...não será fácil 
nem rápido, mas o povo brasileiro resistente vai encontrar sua agenda, vai construir esse 
Poder Popular, única garantia de avanço dos de baixo e de construção de mudanças e de uma 
sociedade diferente.

Nesse caminho estão nossos companheiros da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), que 
desenvolvem uma intensa atividade militante em todo o país e fazem uma aposta de 
fortalecer as organizações populares e um processo de avanço das lutas. Têm sido 
protagonistas de diversas lutas nesses mais de 20 anos e nos últimos tempos tem agitado as 
ruas contra os cortes.

VaiVai todo nosso apoio a nossos companheiros da CAB e às organizações populares 
brasileiras, que com resistência buscam seu caminho com independência de classe e 
solidariedade, desde baixo e com plena democracia e participação direta do povo.

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!
PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR
NÃO PASSARÃO!
FEDERAÇÃO ANARQUISTA URUGUAIA - fAu

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2018/10/24/carta-de-opiniao-especial-brasil-avanca-o-fascismo/


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