(pt) anarkismo.net: A face horrenda da nova extrema direita: degenerados, blasfemadores e mentirosos contumazes by BrunoL

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Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2018 - 07:20:12 CEST


O Brasil adentra a campanha de segundo turno com uma evidente ameaça protofascista através 
do candidato favorito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). ---- Quando afirmamos o 
protofascismo, é porque esse quase fascismo se dá no aumento do volume de ataques, 
agressões e ameaças. Só nos primeiro cinco dias após a vitória do capitão reformado (com 
sofrível ficha corrida no Exército Brasileiro), foram mais de setenta atos de violência 
registrados, incluindo o assassinato de Mestre Moa do Katendê, capoeirista angoleiro morto 
com doze facadas pelas costas. Se isso não serve de alerta e exemplo é porque, realmente, 
como sociedade, nós estamos anestesiados diante da cruzada "contra a corrupção", ignorando 
que pode estar em jogo o conjunto de direitos conquistados na Constituição de 1988.

13 de outubro de 2018, Bruno Lima Rocha
O Brasil adentra a campanha de segundo turno com uma evidente ameaça protofascista através 
do candidato favorito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Quando afirmamos o 
protofascismo, é porque esse quase fascismo se dá no aumento do volume de ataques, 
agressões e ameaças. Só nos primeiro cinco dias após a vitória do capitão reformado (com 
sofrível ficha corrida no Exército Brasileiro), foram mais de setenta atos de violência 
registrados, incluindo o assassinato de Mestre Moa do Katendê, capoeirista angoleiro morto 
com doze facadas pelas costas. Se isso não serve de alerta e exemplo é porque, realmente, 
como sociedade, nós estamos anestesiados diante da cruzada "contra a corrupção", ignorando 
que pode estar em jogo o conjunto de direitos conquistados na Constituição de 1988.
Se não bastasse o perigo do discurso, os personagens que o cercam são de igual pavor. Como 
em Salò, do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (Itália, 1975), o fascismo protagoniza o 
espetáculo de horrores e degradação da humanidade. Na esteira da "onda conservadora" que o 
cerca (a "Jair"), a minúscula legenda se transforma na segunda maior bancada do Congresso, 
contando com parlamentares que beiram o grotesco degenerado. Tem ator pornô, oficial de 
exército, lobista da indústria de armas, marombeiro anabolizado, caricato apresentador de 
TV local, âncoras do PIG, passando até pela decadente extinta realeza do segundo reinado. 
Alguns podem falar que se trata da "renovação da política", mas vejo como um jogo de 
oportunidades, onde o pior do país ganhou nova roupagem. Não se trata de argumento 
elitista, mas de estarrecimento diante do que se tornou a difusão ideológica na 8ª 
economia do mundo.
As subcelebridades da nova-extrema-direita foram também impulsionadas pela estrutura das 
empresas de exploração da fé alheia, autodenominadas "igrejas". Especificamente falo dos 
conglomerados econômicos comandados por "pastores", que pregam a Teologia da Prosperidade 
e uma mescla de adoração ao Bezerro de Ouro e um culto ao individualismo burguês como 
forma de sobrevivência na pobreza metropolitana. Não vou citar estas casas de heresia para 
evitar um processo jurídico, mas tenho certeza de que cada leitora saberá exatamente sobre 
as mais de dez conglomerados de extração de riqueza não tributada às quais estou me 
referindo. São aparelhos complexos, porque além do local de "culto e adoração", estas são 
"proprietárias" de canais de televisão, alugam canais de concessionárias privadas de 
serviço público outorgado que terceirizam programação televisiva, colonizam o rádio 
brasileiro - especialmente no AM que ainda transmite -, indicam políticos profissionais 
fazendo evidente orientação para o voto e ainda participa da chamada "guerra cultural". 
Neste último quesito, estes exploradores da ignorância e do desespero levantam as 
bandeiras da homofobia (através de uma defesa da heteronormatividade monogâmica), do 
racismo (quando atacam os terreiros de religiões afro-brasileiras), da misoginia (ao 
repetirem os papeis subalternos e "femininos" das mulheres) e do imperialismo (ao 
naturalizarem e defenderem as relações subalternas de nosso país diante dos Estados 
Unidos). No Brasil, blasfemar, arrancar dinheiro de quem não tem e ainda por cima cometer 
heresias interpretando o Velho Testamento, dá base social para o protofascismo rastejar 
rumo ao Planalto.
O "novo normal" da política é o discurso do "sagrado", como forma de alimentar a guerra 
cultural, cujo ícone maior é um ex-astrólogo auto exilado nos Estados Unidos, o patético 
Olavo de Carvalho. Cabe uma ressalva. Olavo pode ser sofrível como intelectual, diria 
mais, ele é um péssimo autodidata, um atentado contra a capacidade de exercício do livre 
pensamento. Ao mesmo tempo, é um perigosíssimo propagandista, incansável na internet e que 
se aproveitou justamente da difusão das redes sociais, das formas de comunicação 
intermediada através de tecnologias de informação e comunicação (NTICS) para fazer sua 
pregação. Olavo, o astrólogo, encontrou em Bolsonaro candidato, sua "grande esperança 
branca", um homem que não teria o medo do ridículo, e se antecipa ao retorno dos "meninos 
do Brazil", aqueles jovens ultraliberais que foram aprender a fazer propaganda ideológica 
nos cursinhos de verão da Atlas Network, financiados pelos Irmãos Koch. Olavo é o Coiso na 
forma de propaganda irresponsável; o Coiso é o porta-voz da sandice sem um pingo de 
vergonha, até porque sua reputação é justamente no romper do "politicamente correto", e 
por tabela, não se comprometer com a correção na política e menos ainda no reconhecimento 
dos direitos de reconhecimento, diversidade, diferença sem desigualdade e um país pluriétnico.
Teria outros elementos do horror, mas basta citar mais um. Por mais que pareça ridículo e 
absurdo (e de fato é), também é a soma de todos os medos vindos da latrina da política 
mesclada com a sarjeta da alta sociedade. Uma parte relevante dos especuladores e do 
empresariado se somou nesta aventura restauradora e reacionária e hoje babam de ódio 
contra as conquistas populares. As acusações de crime eleitoral por abuso de poder 
empresarial nos locais de trabalho passaram de 120 até a quinta-feira anterior ao pleito 
de 7 de outubro. Imaginem o que vem por aí?
Mas não basta constatar a face horrenda da direita desavergonhada do mal banalizado. É 
preciso ir além do momento e organizar-nos socialmente para resistir em todos os espaços 
onde o povo brasileiro esteja. Como diz a letra do poeta Zé Pinto: "porque nós somos a 
maioria e vai chegar o dia de um novo amanhecer!".

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência 
política, professor de relações internacionais e de jornalismo.
(estrategiaeanaliseblog.com / E-mail e Facebook blimarocha  gmail.com /Grupo no Telegram: 
t.me/estrategiaeanalise)

https://www.anarkismo.net/article/31154


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