(pt) Rojava, RIP (Descanse em Paz) Waka, para sempre entre nós... By A.N.A. (ca, de, fr, it, en)

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Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2018 - 07:20:05 CEST


Neste domingo (06/10), nosso querido companheiro e amigo, Waka, se tornou o segundo 
ativista da Floresta de Hambach[na Alemanha]a dar a vida na linha de frente contra a 
dominação e a destruição social e ecológica, resistindo ao patriarcado e ao capitalismo. 
---- Com tristeza e ainda com um sentimento de celebração da vida e energia de Waka, os 
defensores de Hambach receberam a notícia de que neste domingo em Rojava ele se juntou a 
uma longa lista daqueles que fizeram o sacrifício final para proteger comunidades, 
biorregiões e a Terra. A nossa solidariedade e apoio vão para todos aqueles que perderam 
seus entes queridos na luta global contra a destruição social e ecológica! ---- RIP 
(Descanse em Paz) Waka! ---- Sehîd Sahîn Qereçox[o nome curdo adotado por Waka com o 
último nome escolhido para homenagear a anarquista Anna Campbell], conhecido como Waka por 
seus muitos amigos, infelizmente foi morto na luta contra o Daesh em Hajin em 6 de 
outubro. Ele estava servindo na YPG, lutando pela revolução em Rojava por 4 meses. Desde 
que o conheci, era um companheiro amoroso e um verdadeiro revolucionário. Eu ainda estou 
lutando para encontrar as palavras para descrevê-lo, foi tão considerado e criativo que 
desafiou a simples generalização. Tudo o que eu escreva, vai apenas arranhar a superfície 
do que ele significou para mim e para tantas pessoas.

Nunca vou esquecer suas ações e esforços corajosos lutando por um mundo que ele sabia ser 
possível. Um mundo livre da opressão, do patriarcado e do ecocídio, onde as pessoas podem 
viver cooperativamente em um espírito de apoio mútuo, em vez de serem atomizadas e temidas 
pelo capitalismo. Ele estava sempre disposto a correr o risco da repressão ou da violência 
policial para defender o que ele acreditava. Na Floresta Hambach, na Alemanha, nunca 
hesitou em se colocar em perigo para impedir a exploração e a destruição da terra. Em Pont 
Valley, Inglaterra, sua criatividade e trabalho duro geraram uma campanha para defender as 
comunidades e a vida selvagem da mineração de carvão a céu aberto.

A desenvoltura de Sahîn fez dele um membro valioso em todas as comunidades em que ele 
estava. Ele costumava trabalhar duro construindo estruturas, cozinhando e tornando todos 
os espaços mais convidativos para todos desfrutarem. Sempre trouxe sua inteligência 
encantadora para todas as conversas e se podia aprender muito com o que ele tinha a dizer.

Seu temperamento nunca foi agressivo, nem estava interessado no confronto físico e 
inicialmente foi uma surpresa saber que ele queria lutar com a YPG. Mas, na realidade, 
pensando em seus muitos outros atos corajosos, não deveria ter sido uma surpresa que 
lutasse pelo que ele acreditava dessa maneira. Sua coragem inabalável e autodisciplina sem 
cair em comportamentos machistas é uma das muitas coisas pelas quais eu o admirava.

Essa foi uma das coisas que fizeram dele um verdadeiro revolucionário: ele sabia que uma 
revolução não é apenas algo que você cria ou constrói, é algo que você faz e é parte de 
quem você é. Tudo o que ele fez foi muito consciente e sem desculpas políticas. Ele nunca 
evitou criticar seu próprio comportamento ou o de seus companheiros. Queria aproveitar ao 
máximo cada dia de sua vida e dedicar qualquer tempo livre para aprender um idioma, 
treinar, ler e compartilhar novas idéias. Aproximadamente uma semana antes de sua morte, 
foi nomeado co-comandante da YPG Internacional Tabur e estava muito motivado para treinar 
não só a condição física de todos os companheiros, mas também a construção da cultura 
revolucionária na unidade.

Uma lembrança preciosa que eu tenho dele antes de vir a Rojava foi quando estávamos 
viajando juntos na Europa. Lembro-me de que, independentemente de quem nos desse uma 
carona, ele imediatamente se envolveria com eles em uma conversa, como se fossem velhos 
amigos. Ele estava sempre disposto a falar sobre suas ideias e nunca sentiu a necessidade 
de ser desonesto sobre suas crenças. Sua gentileza e honestidade fizeram com que todos nós 
que estivéssemos naquela viagem o amassem, mesmo os que o conhecessem muito brevemente.

Eu gostaria de enviar esta mensagem em memória de um verdadeiro herói. Defensor da terra, 
sabotador de caças, anarquista, especialista em caronismo e reciclagem de lixo, 
revolucionário, amigo e um belo companheiro. Só me arrependo de não dizer tudo isso na 
cara dele, mas a luta pela liberdade continua e eu o farei em sua memória, inspirado por 
tudo que ele fez e tudo o que ele me ensinou.

Sehîd namirin. Os mártires não morrem.

Fonte: https://hambachforest.org/blog/2018/10/10/rip-waka/

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