(pt) Não Temos Tempo de Ter Medo: Combater com Ação Direta a Ofensiva Reacionária -- Comunicado nº 60 da União Popular Anarquista - UNIPA, outubro de 2018

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Quarta-Feira, 17 de Outubro de 2018 - 07:20:44 CEST


Site: http://www.uniaoanarquista.wordpress.com ---- Facebook: /uniaopopularanarquista ---- 
E-mail: unipa  protonmail.com ---- COMUNICADO 60 ---- Às trabalhadoras e aos trabalhadores 
do Brasil ---- À Juventude pobre da periferia ---- Aos povos indígenas e camponeses ---- 
Ao povo negro das favelas e periferias ---- Às mulheres combatentes e aos grupos LBGTT 
---- Aos operários, desempregados, trabalhadores informais, estudantes e professores ---- 
"Nenhum governo do mundo combate o fascismo até suprimir-lo, quando a burguesia vê que o 
poder lhe escapa das mãos recorre ao fascismo para manter o poder de seus privilégios." 
---- (Buenaventura Durruti - anarquista espanhol) ---- No Comunicado nº 57, de março deste 
ano, afirmamos que nem o lulismo e nem o anti-lulismo apresentariam soluções para os 
problemas estruturais da classe trabalhadora brasileira. A classe dominante, entre elas os 
altos escalões do poder judiciário brasileiro e as altas patentes militares, escolheram 
fazer uma ofensiva com objetivo de explorar, dominar e espoliar ainda mais o povo. E mesma 
toda conciliação de classe do lulo-petismo não foi capaz de evitar todo o processo de 
repressão e criminalização do PT e do Lula.

A burguesia apostou suas fichas numa ascensão do próprio PSDB de Alckmin no pós 
impeachment, no entanto, dois anos depois viu a ascensão do candidato de extrema direita, 
Jair Bolsonara (PSL), que se tornou o principal favorito dessas eleições presidenciais. 
Alimentado pelo anti-petismo, pelo apoio das igrejas neopentescotais, e pela adesão do 
General Mourão, do PRTB (herdeiro do Prona) a sua candidatura mudou qualitativamente. Ela 
indica a adesão de uma parte da cúpula da burguesia militar a um projeto de reação 
autoritária, dando substância de classe ao mesmo, ganhando apoio do agronegócio, mineração 
e setores do comércio. O apoio do eleitorado a candidatura indica a formação de uma base 
social conservadora, mas contraditória, na aristocracia salarial e na pequena burguesia, 
além do apoio confuso de setores do proletariado marginal em parte com base num 
conservadorismo e messianismo de base religiosa, o mesmo que vota em Lula. Na reta final 
da campanha de primeiro turno temos ainda o início da adesão de uma burguesia e dos meios 
comunicação corporativos, de forma mais aberta a Rede Record do Bispo da Igreja Universal 
Edir Macedo.

Neste sentido, o programa político-econômico foi se consolidando como ultraliberal e 
conservador, a partir da assessoria do Economista Paulo Guedes, ex-assessor econômico na 
ditadura chilena de Pinochet. A desconfiança dos agentes capitalistas se deu apenas pela 
contradição entre a ação parlamentar de Bolsonaro e a nova pauta de sua candidatura: ultra 
privatizadora e pró-americana. Não tem nada a ver com defesa da democracia e de direitos 
civis, políticos e sociais. Ao chamado "mercado", ou seja, a classe dominante, só tem 
interesse na maximização da exploração.

Ainda no Comunicado 57 afirmamos:

"O Sistema capitalista brasileiro está oscilando da demagogia ao despotismo, implicando na 
reestruturação das relações de classe e de poder. A nova fase do Estado de Exceção visa 
permitir um aprofundamento da exploração, modificando as relações de classe; visa retomar 
o controle dos cargos e dos recursos do Estado pela grande burguesia e pela 
pequena-burguesia de mercado, expulsando assim a pequena-burguesia de esquerda, uma parte 
da tecnocracia e a aristocracia operária. Desse modo, a centralização do poder tem um 
conteúdo econômico e de classe. Ao atacar a aristocracia operária e setores da 
pequena-burguesia, a política ultraneoliberal do PMDB visa concentrar renda e riqueza, 
nivelando as condições de vida da classe trabalhadora por baixo."

(UNIPA, Comunicado 57, março, 2018)

1. Os cenários: a volta Estado de Exceção neodesenvolvimentista ou à repressão ultraneoliberal

No Comunicado 57 delineamos 4 cenários:

Cenário 1) Lula reverte a decisão e se candidata;

Cenário 2) Lula fora das eleições, mas o PT lançando candidato alternativo;

Cenário 3) Lula fora das eleições com o PT colocado na ilegalidade como uma organização 
criminosa;

Cenário 4) Lula fora das eleições, com todos os Partidos de Esquerda com suas candidaturas 
inviabilizadas por uma estratégia de judicialização e criminalização.

O cenário 2 se confirmou e com ele a previsão de fortalecer o lulismo e com isso desgastar 
o sistema representativo. Como avaliamos, para desarticular o lulismo e todas as formas de 
oposição por dentro do sistema seria necessário avançar para os outros dois cenários. 
Esses dois cenários (PT na ilegadidade e/ou todos os partidos de esquerda) podem evoluir 
no pós eleição de 2018 no caso de uma vitória da chapa Bolsonaro-Mourão (PSL-PRTB).

Um possível governo Bolsonaro-Mourão (PSL-PRTB), que teria em Bolsonaro uma liderança 
personalista de massas conversadora e autoritária, aglutinaria todas as forças 
reacionárias e conservadoras que se organizaram contra o PT e o lulismo com uma política 
econômica ultraliberal de retirada de direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Do ponto 
de vista da violência contra a classe trabalhadora, a tendência é sua radicalização, 
podemos ter a implementação de um modelo parecido com a Turquia, um governo civil 
militarizado e extremamente repressor. Esse modelo tende ao aprofundamento da repressão 
sistemática para desarticular no médio prazo o lulismo e o petismo, bem como seus partidos 
satélites, e com isso desarticulando as principais forças hegemônicas dos movimentos da 
classe trabalhadora e dos movimentos sociais em geral.

O possível aumento da centralização do poder estatal, tornando a democracia burguesa mais 
restrita e limitada, tende a produzir efeitos contraditórios de desorganização e 
reorganização dos movimentos sociais. Ou seja, no curto prazo, o ultraliberalismo 
conversador, tende a uma ofensiva para destruir o lulismo e desarticular os principais 
movimentos sociais. Isso significaria o aumento da violência contra ativistas e militantes 
e das lutas sociais no geral, podendo inclusive girar atuação paramilitar especificamente 
contra as organizações da classe trabalhadora e seus militantes. Neste sentido é preciso 
destacar o grande número de militares eleito pela bancada do PSL, sem contar que uma 
parcela significativa dos eleitores de Bolsonaro forma uma base protofascista.

Considerando o plano das políticas governamentais, o ultraliberalismo tem uma agenda 
absolutamente anti-povo. Privatizações, incluindo a privatização de serviços públicos como 
saúde e educação, retirada de direitos mais básicos, entreguismo econômico, desprezo pelas 
pautas dos camponeses e indígenas, violência contra o povo negro e favelado. Nesse 
cenário, o ascenso das lutas e resistências populares será inevitável.

Num cenário de extrema repressão e de uma agenda governamental anti-povo, alternativa para 
os movimentos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais em geral será a emergência 
de novas formas de consciência de classe, autoconscientes e auto-organizadas. Mas para 
isso será necessário que a classe trabalhadora abandone o lulismo enquanto ideologia, isto 
é, superando as ilusões personalistas, messiânicas e estatistas que até agora hegemonizam 
os movimentos sociais. Esse seria um processo de auto-organização e autoconsciência do 
desenvolvimento das forças coletivas da classe trabalhadora.

Um segundo cenário seria a vitória da chapa Haddad-Manuela (PT-PCdoB) tendo que aprofundar 
a política de conciliação e um ajuste fiscal que já se avizinha para os próximos anos, no 
entanto, com seu governo sendo questionado pela extrema direita que tende a não aceitar o 
resultado das eleições. E por outro lado, pressionados pelas forças liberais democratas 
pró mercado, aumentando o controle sobre o movimento sindical e social em troca de uma paz 
para sua sutentação politica, atendendo interesses da burguesia. As frações da burguesia, 
mesmo com toda experiência de conciliação do governo petistas e de acenos do próprio 
Haddad, mostraram um movimento paulatinamente adesão à chapa de extrema direita, 
Bolsonaro-Mourão, indicando que não há perspectivas para refazer o pacto de conciliação de 
classes. Portanto, um possível governo petista deve sofrer enormes ataques da burguesia e 
da extrema direita, com boicotes e locautes, principalmente se se confirmar a perspectiva 
de recessão da economia mundial. Neste sentido, não podemos descartar uma intervenção por 
parte do PSL e das forças políticas, sociais e econômicas que agora o apoiam, como o 
generalato, para derrubar um governo PT-PCdoB e realizar, inclusive novas eleições sem os 
dois partidos.

2. Caminhos da insurgência: auto-organização e ação direta

Seja qual for o novo governo, Bolsonaro-Mourão (PSL-PRTB) ou Haddad-Manuela (PT-PCdoB), os 
cenários mais prováveis é de acirramento da luta de classes e dos conflitos políticos, com 
o avanço do Capital sobre a classe trabalhadora, retirando mais direitos, aumentando da 
exploração e recrudescimento da repressão. E a saída para essa situação não passa pela 
disputa eleitoral, mas pela criação de espaços autônomos da classe (assembleias populares) 
que seja semente de um contrapoder com vista a organização de um congresso do povo. O 
autoritarismo e a tirania estão dentro do Estado. A liberdade está no autogoverno das 
trabalhadoras e trabalhadores. No socialismo.

Diante do acirramento da luta de classes e de recrudescimento do regime, a classe 
trabalhadora terá que passar por um processo de auto-reorganização, isto é, buscando 
formas organizativas livres das amarras da tutela das burocracias sindicais e políticas, 
bem como romper com as práticas e concepções legalistas e pacifistas da social-democracia, 
necessitando organizar sua autodefesa enfrentar a nova conjuntura de acirramento da luta 
de classes. Os cenários exigem um movimento de massas auto-organizado, resultante da 
rearticulação das forças coletivas do proletariado.

Por isso é necessário promover a ação direta e resistência local, por meio da promoção de 
lutas e greves parciais reivindicativas, de resistência à intensificação da exploração e 
retirada de direitos, combinada com a criação de organizações sindicais e cooperativas de 
tipo sindicalista revolucionária. È fundamental nos autoorganizarmos. Os cenários serão 
cada vez mais difíceis para as alternativas revolucionárias e combativas no curtíssimo prazo.

Será fundamental uma luta de palmo a palmo, casa à casa, rua à rua, combatendo em duas 
frentes: a reação clerical militar-burguesa e o lulismo-reformismo que aposta suas fichas 
na administração do governo federal. A estratégia revolucionária: resistir localmente, 
pensando e construindo globalmente. É preciso combinar as resistências e lutas locais com 
as formas globais contra o autoritarismo e a tirania, com a propaganda de construção de 
assembleias populares, que mesmo que não sejam imediatamente realizáveis, educam e forjam 
a consciência de massa para as lutas futuras.

A ação direta, o enfrentamento de rua e as greves terão de assumir uma nova dimensão. A 
ação direta não se resume a luta combativa, embora seja sua característica fundamental, 
pois ela significa a luta proletária autoconsciente, a ação política emancipatória da 
classe. O enfrentamento de rua não poderão se restringir aos grupos de autodefesa, pois 
será necessário uma luta ofensiva. As greves terão superar os limites das lutas reativas e 
corporativas. As greves gerais não poderão ser apenas políticas, mas terão de assumir a 
condição de uma greve geral insurrecional.

Há 84 anos, no dia 07 de outubro de 1934, foi dada uma lição aos fascitas. Anarquistas, 
Comunistas e militantes colocaram para correr os integralistas na praçã da sé em São 
Paulo. A tirania e o autoritarismo deve ser combatidos com a autoorganização e ação direta 
da classe rumo ao socialismo, ao autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores.

Entramos num ciclo de guerra de classe declarada contra as trabalhadoras e trabalhadores 
travestido de antipetismo. Para enfrentar essa guerra é necessário: 1) construir 
movimentos autônomos; 2) organizar a ação direta; 3) articular os comitês populares 
(antifas) de autodefesa.

NÃO VOTE, LUTE!!!

Organizar Assembleias Populares e um Congresso do Povo trabalhador e explorado!!!!
O fascismo não se discute, se destrói!!!

Greve Geral!!!

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