(pt) Federação Anarquista Gaucha - FAG/CAB: E se eu te falar que 2019 já começou sem que 2013 tenha chegado ao fim? Por Roger Berneri, militante da FAG

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Terça-Feira, 16 de Outubro de 2018 - 06:34:02 CEST


Processos históricos não se interropem ou se inauguram arbitrariamente, ou seja, nenhuma 
vitória é perpétua ela precisa ser atualizada cotidianamente através de narrativas e 
práticas que busquem hegemonizar a interpretação do mundo, silenciando e subjugando os 
vencidos, calando no fundo da alma de cada derrotado que seu lugar no mundo é um lugar de 
obediência servil aos vencedores, os vencidos quando se subjetivam através de práticas de 
resistência encontram a violência que se revindica legitima: a política sem véus dos 
vencedores de sempre.  ---- Nossa organização caracteriza a etapa que estamos vivendo como 
uma Etapa de Resistência, e por rigor analítico buscamos especificar que, ainda que o 
Estado de Exceção seja a regra para os miseráveis do mundo, com o agravamento da 
conjuntura nos colocamos diante de um tipo especifico de Estado de Exceção, denominamos esse
Estado, como um Estado Policial de Ajuste, com isso afirmamos que o pacto de classe que 
permitiu alguns avanços pontuais durante os governos petistas foi rasgado pelos fiadores 
de seus governos e substituído por uma politica agressiva de retirada de direitos através 
da aplicação de uma agenda neoliberal exercida por um governo golpista de choque sob zelo 
ativo da Toga e da Farda. O circulo já restrito de direitos conquistados, que amparava 
parte dos vencidos, se reduz ainda mais.

Nesse cenário a politica sem véus do vencedor é atualizada também por pessoas que vivem ao 
nosso lado, que compartilham do mesmo cotidiano de privações e retiradas de direitos, pois 
quando subjetivadas pela narrativa do vencedor passam a incorporar praticas que estruturam 
sua própria condição de miséria, não são nossos inimigos, porém não substime se passar de 
uma atuação difusa para uma subjetividade agenciada pela narrativa de alguma organização 
proto-fascista.

No Estado Policial de Ajuste não há garantia alguma que as urnas sejam o ponto de corte 
para uma politica republicana de conciliação que conduza a um tempo já vivido 
anteriormente, pois em beneficio dos vencedores de sempre os juizes e militares não tiram 
a toga e a farda para dormir, são agora mais do que nunca os fiadores da democracia 
representativa e precisam garantir que a politica de ajuste seja aplicada, essa é a 
natureza do Estado Policial de Ajuste.

Diante disso, cuidado com os atalhos pois temos uma longa jornada pela frente, na qual o 
pior erro é acreditar em soluções simples para problemas complexos.

A utopia republicana de uma solução pelas urnas cobrará o seu preço, pois é uma resposta 
fraca incapaz de impor uma derrota ao Estado Policial de Ajuste que seguirá operando para 
impor a vontade dos vencedores de sempre.

2019 já começou: Tão breve termine as eleições para o executivo nacional, a Reforma da 
Previdência será colocada em votação, diante da maior renovação parlamentar das últimas 
décadas, de que maneira vocês acham que esses politicos profissionais que foram mandados 
pra casa vão votar? Os vencedores de sempre querem a Reforma da Previdência, essa é a 
condição de governabilidade no começo de 2019, caso Bolsonaro vença aprova-se a reforma 
antes de fechar o ano aliviando os primeiros meses do seu governo, caso Bolsonaro seja 
derrotado é possível que reforma fique em suspenso para atuar como bomba relógio nos 
primeiros meses do governo Haddad.

As disposições colocadas em curso em 2013 permanecem latentes, e suas limitações precisam 
ser superadas: o resgate dos métodos históricos de ação da classe trabalhadora, a ação 
direta nas ruas, a barricada, a ocupação e demais práticas que superam a burocracia 
sindical e partidária, precisam reencontrar a sua forma organizativa e seus método de 
tomada de decisão, salvar a democracia hoje é criar as condições para enfretarmos o Estado 
Policial de Ajuste, e só há uma maneira de salvar a democracia, fazer com que ela supere a 
representação parlamentar e passe a ser direta desde os espaços de base para assim 
criarmos um Povo Forte capaz de impor resistência organizada aos vencedores de sempre, 
isso não está logo ali no segundo turno porém não pode esperar até amanhã para ser 
colocado em prática.

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2018/10/11/e-se-eu-te-falar-que-2019-ja-comecou-sem-que-2013-tenha-chegado-ao-fim/


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